Um dia eu tive uma namorada e ela me perguntou:
- O que é o amor?
Eu parei e olhei nos olhos dela. Não disse nada.
Estava na hora de eu me ir.
E me fui, caminhando para minha casa.
E no caminho eu, pensativo, me disse indagando:
- Será a atração dos corpos? De um só coração, claro.
E quando a encontrei de novo, lá veio ela:
- Pensou no que eu lhe perguntei?
Eu sentei-me ao lado dela, e calmamente:
- Quer casar comigo?
A namorada me olhou e simplesmente disse:
- Assim não, assim não vale.
Eu me lembrei de uma canção que dizia:
"Jogos de amor são para se jogar."
E disse eu a ela:
- Eu não sou um jogador.
- Do que você está falando?
- De uma canção.
E ela:
- Assim não vale. Me escreva uma poesia você.
Eu me aproximei e a abracei e a beijei.
Senti que ela estremeceu. E perguntei:
- Quer casar comigo?
- Ah, meu amor, meu enxoval ainda não está pronto.
E até hoje, aos sessenta anos, somos namorados. De aliança nos dedos.

