No coração do Antigo Egito, onde as pirâmides se erguiam como sentinelas eternas, reinava Neféter, a rainha enigmática. Sua beleza era um espetáculo que rivalizava com o próprio sol poente, e sua influência sobre o faraó Amenófis V era inquestionável. Contudo, sob a superfície reluzente de sua majestade, escondia-se um segredo tenebroso: Neféter não era uma simples mortal, mas uma criatura das sombras, alimentando-se da energia vital dos seres humanos para preservar sua beleza eterna e sua imortalidade.
Seu apetite insaciável por sangue a conduziu a um caminho de destruição, aniquilando quase todo o reino e deixando um rastro de morte e desolação. Os sacerdotes, outrora seus aliados, agora a temiam como uma deusa da escuridão. Neféter governou com mão de ferro, eliminando qualquer um que ousasse desafiá-la. Mas o destino, sempre caprichoso, a traiu. Aqueles em quem mais confiava selaram-na em um sarcófago de prata, envolto em encantamentos ancestrais, onde ela permaneceria adormecida por séculos, enquanto seu reino se perdia nas areias do tempo.
Séculos depois, uma equipe de arqueólogos, liderada pela renomada Dra. Angela Vasquez, buscava as ruínas desse antigo império. Para Angela, essa era mais do que uma missão; era um chamado. Determinada, ela não abandonaria a região até que encontrasse vestígios da civilização que outrora florescera sob o sol egípcio.
Após dias de escavações sob o calor abrasador do deserto, um milagre aconteceu: a ponta de uma pirâmide emergiu das areias quentes. A excitação tomou conta da equipe ao perceber que haviam encontrado um indício da antiga civilização. Com cuidado, escavaram e adentraram a pirâmide, onde descobriram a tumba esquecida no seu coração. Ao abrirem o sarcófago de prata, ficaram maravilhados com a imagem intacta da rainha, tão alva quanto uma estátua de mármore, como se estivesse apenas adormecida.
— Fechem o sarcófago — sugeriu Angela, fascinada. — Vamos explorar mais. Temos muito trabalho pela frente.
Mas, em um momento de distração, um dos arqueólogos feriu o dedo ao tentar fechar o sarcófago, deixando gotas de sangue escorrerem sobre a múmia. Fascinados pela descoberta, os arqueólogos não perceberam o perigo que se aproximava.
A pele da rainha começou a absorver o sangue fresco, e a escuridão emergiu. Neféter ressurgiu, suas presas afiadas à mostra, e seus olhos vermelhos como rubis brilhavam com uma fome insaciável. Em um frenesi de sede, ela caçou os arqueólogos um a um, cravando suas presas na carne humana e sugando até a última gota. A lua cheia iluminava as ruínas, enquanto sua risada ecoava pelas paredes da pirâmide, um som que misturava prazer e maldição.
A Dra. Vasquez, a última sobrevivente, encontrou refúgio em uma câmara secreta. Ali, as paredes estavam adornadas com hieróglifos que revelavam o segredo de Neféter. A vampira não era apenas uma assassina; ela poderia trazer a destruição ao mundo moderno, aniquilando toda a raça humana.
Em meio ao desespero, Angela descobriu um pequeno baú enterrado sob a poeira do tempo. Dentro, estava a adaga de prata, usada para conjurar o feitiço que aprisionara a rainha vampira. Com coragem renovada, a arqueóloga enfrentou Neféter, recitando encantamentos esquecidos enquanto brandia a adaga. A vampira começou a se petrificar, lágrimas de sangue escorrendo de seus olhos rubros.
Com a ajuda de beduínos que passavam pela região, Dra. Vasquez selou a criatura no caixão de prata, garantindo que a escuridão não se espalhasse mais. Em meio ao silêncio que se seguiu, Angela encontrou pergaminhos que narravam a história da civilização antiga e o reinado de sangue da rainha vampira.
Transformada pela experiência, Dra. Vasquez se tornou uma autora de renome, escrevendo um best-seller que contava a lenda de Neféter, a deusa das ruínas da escuridão. Sua história, um lembrete de que, mesmo nas sombras mais profundas, a luz da verdade pode brilhar, ecoando através das areias do tempo.

