Faz um tempo que eu não tenho certeza de onde estou. Eu sei onde quero chegar, olho para o céu e sei que quero alcança-lo. Olho para as estrelas e espero tocá-las. Mas... quando olho para os meus pés, só vejo a escuridão que parece me engolir. É como se bem lá no fundo, longe dos meus olhos, existisse uma âncora, pesada, enorme e fria.
Eu consigo senti-la. Mais que o clarão do sol, mais do que o calor de um dia quente. Eu não a vejo, mas sei que esta lá. Ela suga toda energia, felicidade e esperança que me esforço para construir. E no meio disso tudo, eu acabo me perdendo de quem sou. Não tenho sido uma boa ouvinte, uma boa leitora, uma boa escritora e muito menos uma boa amiga. Tampouco tenho sido... eu. Tenho memórias vividas de quem fui um dia, do sorriso acolhedor, das boas histórias e do abraço que cabia qualquer um. Hoje? Eu não sei, acho que perdi isso tudo. A âncora deve ter levado tudo isso pra perto dela. Talvez, por isso, ela seja tão fria.
Todos os dias são iguais, tentativas de sobreviver. Todos os dias são iguais, tentativas de não me afogar. Todos os dias são iguais, tentativas de sentir.
Todos os dias são iguais, eu não queria estar aqui.

