— Oi?
— Olá.
— Desculpas, eu vi você dali de onde eu estava, mas é que aqui é bem perigoso para uma moça estar sozinha.
— Ah. Mas eu não estou sozinha.
— Ah. Tudo bem. (Ele se afasta)
(Silêncio)
Alguns minutos depois...
— Para onde eu posso ir daqui?
— Desculpa, não entendi.
— Pegando esse ônibus que virá agora, para onde eu posso ir?
— Ah, sim. Para o bairro novo ao norte e depois, para as praias no mirante.
— Obrigada.
— Mas... desculpas, de novo, como você está aqui esperando e não sabe para onde ir?
— É um mau costume. Eu espero muito por coisas que eu não sei onde vão dar.
— Entendo.
— E você, sempre se desculpa tanto assim?
— Como? Não entendi.
— É que no último minuto você se desculpou por três vezes.
— Ah. Também é um mau costume. (Ele sorri)
(Alguns minutos se passam)
— Você tem o sorriso lindo.
— Obrigada, mas eu não sorri.
— Ainda. Então, você vai mesmo à praia? (Ele senta)
— Hum. Quem sabe... Talvez sim... O mar me acalma.
— Sabe que hoje quando eu acordei, eu combinei comigo mesmo de convidar a primeira pessoa que estivesse sentada nesta parada de ônibus para ir à praia. (Ele sorri largamente)
— Sério?! Ouvi falar que anda bem perigoso por aqui. (Ela sorri)
— Viu? O seu sorriso é lindo! (Ela ri sem jeito)
— Mas e esses livros aí?
— São de um amigo, eu já ia devolvê-los.
— Vou fingir acreditar! (Ela encara-o)
O ônibus chega...
— Então sobre a praia...
— Linda...

