Colcha de remendos
Webster Freires
Tipo: Lírico
Postado: 17/04/26 20:16
Editado: 17/04/26 20:37
Avaliação: Não avaliado
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Palavras: 158
Livre para todos os públicos
Capítulo Único Colcha de remendos

Ela mora virando a rua

em meu peito em contrassenso,

correndo descalça a alma nua

pra matar o que resta inda de tempo.

Vai pintando sóis, escondendo Luas

numa colcha rasa de remendos

que ela coleciona amiúde

com alguns cacos de sentimentos.

A reta ela transforma em curva

num destino quase costumeiro,

como todo olhar inda acusa

a direção certa no ponteiro

da bússola que nunca muda,

seguindo dias imperfeitos.

E ela sonha e sai à luta,

carrega um mundo dentro do peito

entre lágrimas, esquinas e ruas

num labirinto que não há começo.

Ela mora ali virando a rua,

o seu nome eu inda me lembro,

eu a vi interrogando a Lua

perdida entre mil devaneios

de quem se molha antes da chuva,

por correr livre junto do vento.

No olhar de quem já viu muito,

um brilho em pressentimento

que sabe, a vida é pra quem se inunda

dela de cor, de luz sem mais lamentos.

❖❖❖
Notas de Rodapé

O poema "Colcha de remendos", é uma obra lírica que explora a complexidade do sentimento humano, a memória e a resiliência feminina diante das imperfeições da vida. É um elogio à intensidade de sentir.

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