Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus!
É o príncipe! Era capaz de reconhecer aquele perfume em qualquer lugar... Se manteve o mais relaxado possível enquanto sentia os olhos do príncipe sobre si.
Ao ouvi-lo sair, com muito custo conteve o ímpeto de pular e dançar.
Essa jogada fora um toque de Mestre, sem dúvida alguma a Deusa da sorte sorria para ele!
Mas pelo sim e pelo não, vai que ela não estivesse sorrindo tanto assim...
Ficou ainda uns minutos, fingindo dormir, antes resolver levantar.
Saiu da biblioteca com a maior cara de sono e com um livro embaixo do braço... pior que realmente sentia sono...
Foi direto aos seus aposentos, colocou um pijama, ia pegar o grampo quando lembrou da porta.
Conferiu, trancada. Cerrou as cortinas, ligou o abajur.
A penumbra lhe era agradável e propícia para sonhar acordado.
Reviu cada lance do dia. Tudo planejado e caótico ao mesmo tempo...
Suas mãos haviam tocado o rosto dela!
Levantou num salto e começou a andar pelo quarto...
Era, provavelmente, o único homem sem ser da família, que vira seu rosto e com certeza o único no mundo que a tocara...
O cheiro dela, a maciez da pele e dos cabelos, seus dedos ainda guardavam a sensação...
E ela parecia tão sua, só sua!
Estava louco, certeza absoluta...
Apagou a luz do abajur.
Precisava vê-la de novo! Queria mais...
Adormeceu exausto, por não conseguir concatenar nenhum outro plano mirabolante...
***
Abençoado véu!
Passou a noite em angústia e sobressalto, mas ninguém percebeu.
Quando chegou aos seus aposentos, estava exausta, mas alerta.
Dispensou todos após a retirada das vestes, estava sozinha e com uma longa noite pela frente...
Revia cada acontecimento, cada sensação, aquilo não lhe parecia mero acaso...
Lembrava-se agora, nítidamente de uma fala de sua avó materna na única vez em que estiveram juntas, logo após o enterro de sua mãe:
"Os deuses jogam dados, querida... nunca se esqueça disso!
Os deuses estão muito além de nosso conceito de mal e bem."
Esses encontros e reencontros tinham um quê de um grande jogo no tabuleiro do destino...
Perder seria uma imensa ruína, será que os deuses poderiam agraciá-la com um empate?

