Conto de uma noite de insônia (Em Andamento)
Monise
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 12/07/25 06:02
Editado: 25/01/26 23:52
Qtd. de Capítulos: 15
Cap. Postado: 25/01/26 23:31
Cap. Editado: 25/01/26 23:52
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 8min a 11min
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Palavras: 1351
[Texto Divulgado] "Flegetonte - O Rio da Cura." Condenada a despertar no Tártaro sem lembrar como ali chegou, uma alma ferida percorre os rios do submundo em busca de redenção. Entre o Estige dos juramentos quebrados, o Cócito das lamentações eternas e o Aqueronte das travessias impossíveis, ela revisita pactos, dores e desistências que marcaram sua existência. Movida pela esperança de purificação, encontra o lendário Rio da Cura: o Flegetonte. Diante da luta pela cura e da repetição infinita da dor, resta-lhe uma última escolha.
Não recomendado para menores de dezesseis anos
Conto de uma noite de insônia
Notas de Cabeçalho

Luís Jorge não se conformava que mesmo depois de morto o pai quisesse continuar a dominá-los com seus caprichos...

Odelmo estupefato refletia que mesmo após a morte seu Jorge continuava magoando dona Heloísa...

Capítulo 15 O testamento

O TESTAMENTO

Por mais que tentasse Heloísa não conseguia dormir, quase três meses desde a violenta morte do esposo e só agora seria aberto o testamento.

Tantas coisas haviam mudado neste período, a casa era outra, ela mesma mudara tanto... Agora tinha liberdade, agora lia, estudava, trabalhava e tinha amigas, apesar de serem criadas da casa eram suas primeiras amigas e se queriam bem.

Tudo estava perfeito, mas e o testamento, o que a aguardava? Odelmo garantiu-lhe que a herança de seus pais era sua de forma inalienável, isso a acalmava um pouco... Mas e o restante da fortuna? E o que estaria reservado ao seu filho?

O esposo não partiu em paz, será que em seu testamento teria a dignidade de deixar que ela e o filho seguissem suas vidas em paz?

O testamento seria aberto às 18 horas, os empregados mais antigos foram convocados: Odelmo, Agenor, dona Gioconda, dona Ruth, o médico da família – doutor Vargas, seu Rogério, dona Dulce, seu Rovaldo, barbeiro que cuidava de Jorge desde a adolescência e o padre Miguel Arcanjo. A ordem de seu Jorge é que cada um ao receber sua parte da herança deveria tomar posse em no máximo 7 dias úteis.

Começou-se pelos últimos, a seu Rovaldo foi deixado o salão e casa onde residia, que eram alugados de seu Jorge, o velhinho chorou de emoção! Seu Rogério recebeu uma pequena casa no bairro São Judas, ficou satisfeitíssimo, sairia do aluguel. Agenor, Dona Ruth e Dona Dulce receberam a posse das casas em que residiam, já dona Gioconda recebeu o terreno todo construído com sua casa e mais dois apartamentos e uma loja embaixo, não precisava mais se preocupar em como seria sua velhice, que alegria. A herança estava sendo um grande alívio para todos, realmente seu Jorge cumpriu a palavra de que aqueles que o serviam eram bem recompensados...

O padre Miguel Aracanjo, recebeu duas fazendas, com a condição de que uma delas seria transformada em orfanato e receberia o nome de Lar São Jorge, 20% das ações seriam destinadas a manutenção do orfanato, seriam geridas por um homem de confiança designado por Odelmo e o padre se comprometeria a realizar uma missa e rezar pela alma de Jorge toda sexta-feira nos próximos dois anos. O padre ficou satisfeitíssimo!

Todas as contas deveriam ser quitadas integralmente com o dinheiro dos alugueis do mês corrente e o que houve no caixa reserva da empresa, ninguém poderia ficar sem receber, exigia seu Jorge.

A mando do testamenteiro permaneceram somente Odelmo, Heloísa e Luís Jorge.

Para Odelmo o patrão deixou a última fazenda que visitaram, aquela da rebelião, que inclusive o fez redigir o testamento, 12% das ações na bolsa de valores e a casa onde morava. Odelmo ficou radiante, agora poderia realmente procurar uma esposa, seus anos de sofrimento haviam valido a pena... Quando ia saindo, o tabelião disse que ele deveria permanecer.

Para Heloísa, as fazendas que pertenceram a seu pai, 25% das ações, a casa da cidade e as demais casas de aluguel e os outros 40% das ações eram de seus sócios, cada um deles detinha 5% das ações, o que deixava Heloísa, Odelmo e o padre com poder de voto sobre as decisões comerciais da empresa. Os 3% restantes das ações pertenciam ao testamenteiro.

Para Luís Jorge o pai deixaria 15 fazendas com a condição de que ele abandonasse a ideia de ser médico e se tornasse um advogado. Caso não aceitasse essa imposição, seria deserdado e as fazendas iriam uma para Odelmo, uma para Heloísa, uma para dona Gioconda e as demais seriam divididas entre diferentes instituições de caridade.

Caso não ache justo, há uma escolha, dizia o testamento, sua mãe pode lutar por você. Ela tem um ano e meio, a contar da presente data para visitar a cada uma das fazendas e tomar a posse delas. Deverá permanecer no mínimo 10 dias em cada uma e percorrer toda a sua extensão, tomando ciência do que se cultiva ali e quem são os funcionários. Se durante esse prazo, sua mãe não conseguir tomar posse de pelo menos 11 fazendas, ela perderá todas elas, mesmo tendo cumprido as exigências, mas o que conseguir depois de visitar a 11ª fazenda será seu e de Luís Jorge, dividido meio a meio, o que não for conquistado após a 11ª fazenda será dividido igualmente entre Odelmo e dona Gioconda.

O documento ainda dizia, entretanto Luís, o melhor é que me obedeças e esqueças essa bobagem de ser médico... O quê lucrarias com isso? Nossa fortuna lhe permitirá uma vida confortável e de relevância social, por quê arriscar tudo por um sonho idiota?

E você Heloísa, aconselhe nosso filho a ser bom e obediente e a respeitar o último desejo de seu pai, não pense minha cara, que darás conta de tal empreitada. Tu és bela e frágil, não mereces sofrer no sol quente no lombo de um cavalo reconhecendo terras... Isso acabaria contigo, minha querida. Seja bela e obediente e convença nosso filho a escolher o melhor caminho...

Independente de sua escolha, me obedecerás quer indo ou ficando terei poder sobre vocês, para descanso ou para luta. De que modo irás me obedecer? A escolha é sua e de nosso filho...

Jorge Luís Anselmo Calazans Almeida

Luís Jorge estava lívido, seria obrigado a desistir de seus sonhos... Por quê o pai tinha de ser tão cruel? Não entendia como mesmo depois de morto ele podia querer escravizar os outros por seus caprichos...

Odelmo estava estupefato, nem na morte seu Jorge deixara de magoar dona Heloísa...

O testamenteiro aguardava a resposta.

_E então, o que farão? Preciso dar seguimento aos últimos desejos do finado doutor Jorge...

Heloísa se levantou, respirou fundo e disse:

_Pois bem, eu irei!

_Mãe, estás maluca?! É muito sofrimento para ti... Não darás conta... Além do mais, é perigoso... Falou Luís Jorge aos prantos... _O jeito é eu obedecer a meu pai...

_De modo algum meu filho! Continuarás teus estudos e farás o exame de medicina no ano que vem.

_Informo-lhe, dona Heloísa, que nesse caso, os estudos de seu filho serão bancados por seu próprio espólio, doutor Jorge deixou claro que só seriam cobertos gastos para o curso de Direito ou Administração.

_Eu pago! Meu filho irá realizar seus sonhos, a se vai! E se tornará um dos melhores médicos que esse país já viu!

_Muito bem, a contar de hoje, a senhora tem exatamente um ano e meio para percorrer as 15 fazendas, para garantir que tudo seja feito exatamente como o imposto por seu Jorge, irei designar um de meus funcionários para acompanhá-la na sua jornada. Tão logo vistorie toda a fazenda e permaneça por 10 dias, deves ir ao cartório mais próximo e junto com meu funcionário assinar o documento de posse e o registrar, lembro-lhe que os encargos da viagem também serão por sua conta...

Odelmo interveio:

_Dona Heloísa, a senhora tem certeza que quer fazer isso? Toda essa jornada custará caro e diminuirá consideravelmente sua fortuna, caso não sejas bem sucedida...

_Assumo o risco, irei! Posso contar com sua ajuda Odelmo?

_Claro, minha senhora, na medida do possível lhe darei suporte... Não podemos esquecer que preciso cuidar do escritório e agora também terei minhas próprias terras a cuidar...

-Entendo... Você é um dos beneficiados caso eu perca o prazo...

- Não é isso, dona Heloísa! Essa outra fazenda nem me interessa, o que recebi já é mais que o suficiente para mim. Só me preocupo mesmo com a retaguarda, é preciso cuidar com segurança dos seus bens caso algo dê errado, só isso.

_Ele tem razão, mamãe! Interveio Luís.

_Tudo bem então, mas conto com seu apoio para me preparar para esta jornada e com seus conselhos... E peço a todos discrição em não revelar os detalhes do testamento.

Mais uma noite de insônia... A cabeça de Heloísa latejava... Teria sido realmente uma boa ideia resolver lutar pelo sonho do filho? Será que ela seria capaz de tomar posse de todas as fazendas dentro do prazo? Mil pensamentos e medos a rondavam...

Só conseguiu adormecer por volta das 4 horas da manhã...

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