Aço
Soraia
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 11/11/16 14:20
Gênero(s): Cotidiano Reflexivo
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 3min a 4min
Apreciadores: 9
Comentários: 5
Total de Visualizações: 828
Usuários que Visualizaram: 13
Palavras: 555
Não recomendado para menores de catorze anos
Notas de Cabeçalho

N/A: Yo!! Olá a todos e obrigado por terem clicado em mais este conto. Espero que gostem. o/

Advertências: Texto participante do desafio quinzenal 17 – Sereias. One-shot.

Disclaimer: As personagens aqui presentes e mencionadas pertencem-me. Qualquer reprodução delas sem a minha autorização é plágio.

Capítulo Único Aço

-x-

Ele não fazia ideia do que estava a fazer. Ele nem devia estar ali. Naquele momento, ele devia estar no autocarro junto ao seu melhor amigo, para mais um dia irritante de aulas.

Mas não.

Assim que ele colocou o primeiro pé no degrau, uma raiva contida apoderou-se dele e o rapaz largou-se a correr pelo passeio abaixo, para longe do veículo.

Para longe do seu presente.

Ainda podia ouvir a voz abafada do moreno atrás de si. E sabia que quando chegasse a casa, um sermão esperava-o. Mas ele não queria saber. Ele precisava fazer aquilo.

Já faziam dois anos que tudo tinha mudado. Que eles tinham deixado de ser quem eram e que aquele pedaço de si tinha sido levado. Ele sabia bem que havia muitos preços que todos os quatro precisavam de pagar, para algum dia se poderem redimir por tudo o que estava atrás deles.

Mas ele nunca quis pagar aquele preço. Ele nunca quis que aquela extensão do seu ser fosse levada para tão longe. Ele precisava daquilo.

Porque aquilo era capaz de protegê-lo. A ele e aos amigos. Sempre que precisasse. Se tinha o seu Guardião? Claro que tinha. Mas Death Shark nunca seria tão preciso e eficaz como a firmeza de um golpe de uma bala de nove milímetros.

Ahh… ele ainda o podia sentir.

O frio do aço nas suas mãos. O cheiro acre, azedo e pungente da pólvora. E o gosto metálico que insistia em ficar no céu-da-boca, sempre que eco da bala ressoava nos seus ouvidos.

Ele ainda o podia sentir.

O medo de todos os cobardes que se baixavam ao ver cano gelado. O nervosismo nos seus olhares e a adrenalina que se apoderava de si ao os ouvir implorar. Só para ele disparar a arma e fazer a bala raspar cuidadosamente alguma parte deles.

Ele ainda o podia sentir.

A sensação de poder. O controlo sobre tantos seres alheios na palma das suas mãos. E como brincar com os seus destinos era apenas… divertido.

Ele nunca quis que se tornassem uns santos. Uns monótonos com trabalhos e… vidas. Nunca quis ver o seu líder fechado numa garagem, ou aquele fumante chato a fazer pizzas. E muito menos ver-se a si mesmo e ao melhor amigo trancados numa sala de aula.

Estava farto de tanta bondade! Farto de tanta normalidade e de tantas coisas banais à sua volta. Eles não eram normais, nunca o foram! Eles eram…

Será que ele ficaria chateado se eu voltasse a dizer o nome da nossa equipa?

O rapaz entrou na loja e o sangue ferveu só de observar o que estava à sua volta. Ele queria levá-las a todas. A sua mão aproximou-se de uma, talvez grande demais para si, mas ele deteve-se, quase ouvindo a voz do moreno ao seu lado.

Ele não devia…

Mas ele não estava a fazer aquilo só por si. Era pelos quatro. E, o rapaz tinha a certeza que, se dependesse do seu líder, acabariam por ser cinco.

Ele não devia…

Agarrou no objecto pesado e pôde sentir as memórias de uma vida inteira percorrer-lhe o corpo num frenesim. Estava tudo a voltar. Ele estava a voltar.

Ele não devia…

Mas o rapaz não queria saber mais. Pois, a sua consciência, naquele dia, estava mais fria que o aço.

-x-

Fim

❖❖❖
Notas de Rodapé

N/A: Bem, quase no final do prazo finalmente consegui publicar algo minimamente decente. Espero que esteja ao menos dentro do tema proposto. Avisando que isto pode ser considerado spoiler de algumas personagens de “Em Busca de um Anjo”, história que publico aqui. Mas, para quem não acompanha, não tem problema em lerem. E, para quem acompanha, são personagens que ainda não foram apresentadas. o/

E eu não faço ideia de como seja disparar uma arma. As minhas descrições são originárias de pesquisa. Mas é isso, espero que tenham gostado e obrigado a quem leu até aqui. Inteh! :*

PS.: Piada interna… se acham a história pequena, bem, o seu personagem nunca foi grande para começar. :v

Apreciadores (9)
Comentários (5)
Postado 11/11/16 14:36 Editado 11/11/16 14:39

E aí, beleza?

Eu adorei! É tão bom ler sobre o Dimitri, coisinha lindinha pitininha da tia! <3

Eu ficaria louca se entrasse numa loja de armas! Entendo exatamente como ele se sente. Peguei uma pequena referência lá, na verdade duas. Mas né, vou comentar no FB contigo.

Pequeno, fofo, sádico e lindo! Adoro ele!

Mas é isso, beijos e até mais!

PS: quero o Nicolai semi-nu apenas com um avental fazendo uma pizza gigante de queijo pra mim! <3

Postado 11/11/16 14:41

Olá!! :D

Ahahahahahaha, Dimitri ganhou a melhor tia. <3

Eu acho que morreria de medo, ao contrário de vocês os dois. :v Conta quais são essas referências, estou curiosa agora. :D

Ahahahah, lindo sim! <3 Como o teu comentário! Obrigado por este e por todo o carinho, sempre. Sobretudo, nestes últimos dias. <3

Beijos! <3

Postado 11/11/16 18:29

Realmente, a sensaçåo de poder a posse e a habilidade no manuseio de uma arma de fogo (ainda mais no grau descrito na obra) é algo perigosamente ineriante. Somando isso ao "leve" sadismo do personagem, temos uma combinação fascinante entre o risco calculado, o perigo iminente e a dominação através do medo. Realmente cabe muito bem ao desafio, ainda mais desta forma tão bem feita e peculiar (me refiro ao português de Portugal. Isso soa meio "deeeerrr", mas tudo bem).

Parabéns, Srta Soraia! E boa ventura no DQ!

Atenciosamente,

Um ser que sabe um pouco do sentimento, Diablair.

Postado 11/11/16 21:41

Olá!! :D

Muito obrigado pelo teu comentário! Não faço ideia da realidade de armas de fogo, sem ser nos filmes. Então tudo o que descrevi vem de coisas que eu imagino. Isso, claro, aliado ao personagem aqui descrito, que eu conheço melhor que ninguém. Foi através dele que consegui aliar a parte do poder e do controlo no texto. :D Ele... gosta muito de "brincar" com as pessoas, hehehehe.

A ideia veio-me à última da hora e nem ficou todas aquelas coisas, mas fico bastante contente de teres gostado. Inclusive do português mais arcaico, hehehe. :D

Obrigada e boa sorte também no desafio! o/

Inteh!

Postado 16/01/17 23:35

Adorei o modo como foi escrito e narrado. :D

Postado 20/02/17 14:09

Muito obrigada. ^^

Postado 01/07/17 17:59

Gostei bastante do seu texto, talvez um pouquinho confuso para mim (mas eu sou assim sempre). Fiquei curiosa com o passado dele e de seus amigos.

Obrigado por postar esta tentação, deu uma vontade de ir ver belas armas de muitos momentos frios.

<3

Postado 22/10/22 17:17

Fiquei super intrigada com o personagem. A forma como você colocou tudo e esse final, foi perfeito.

Os comentários me fizeram confirmar que não era pt-br, mas foi legal de ler do mesmo jeito.

Parabéns!