Luzes de Paris
Meiling Yukari
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 30/08/20 15:16
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 4min a 5min
Apreciadores: 4
Comentários: 4
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Palavras: 690
Não recomendado para menores de dez anos
Notas de Cabeçalho

É com grande prazer que entrego a última obra do Desafio de Agosto!!

E é com um prazer mais imenso ainda que anuncio que, se você gosta de coisas fofas, aproveite bem essa última obra da Academia do Carinho, pois as próximas serão exclusivamente pertencentes ao lugar mais maravilhoso, a Academia da Carnificína!!!

Dito isso, boa leitura <3

Capítulo Único Luzes de Paris

Sarita viajou para muitos lugares nos últimos meses, tudo pela única razão de tentar esquecer. Tentar esquecer que havia perdido tudo. Tentar esquecer que seus pais nunca mais a abraçariam ou diriam palavras carinhosas.

Ela devia ter ficado com medo de avião, afinal foi em um acidente aéreo que seus pais faleceram. Mas ela não se intimidou, pelo menos não com a máquina voadora, mas sim com a própria vida.

Não aguentava ficar em um mesmo lugar por mais que umas poucas semanas. Era muito rica, poderia viajar para sempre, mas não queria esse tipo de vida. Tinha medo de terminar sozinha, triste e amargurada, completamente covarde de acabar com a própria vida, mas sofrendo por estar vivendo.

Ao sair do Brasil foi primeiro para a Austrália. Queria ficar isolada. Mas não conseguiu se sentir bem em meio a tanta gente alegre e sorridente nas praias. Partiu então para o Japão, ainda pensando no isolamento. Queria estar em uma ilha prestes a ser engolida pelo mar.

Mas no Japão não se sentiu confortável, todos a olhavam torto por seus cabelos loiros claros. Apesar disso, conseguiu se divertir um pouco em um festival Xintoísta que foi. Procurou então um retiro espiritual Budista, onde ninguém a julgaria. Gostou, porém não se sentia em casa, o que era muito contraditório, afinal todos eram extremamente gentis com ela, ali no Mosteiro.

Nos dias de retiro, fez amizade com uma moça da Tailândia, e lá se foi junto com ela. Adorou a natureza! As pessoas a olhavam um pouco torto, mas nem tanto. Só que não conseguia se acostumar ao sabor apimentado da comida.

Se despediu então, com intenção de passar por alguma adrenalina ou tragédia que a devolvessem a vontade de viver. Assim chegou ao Catar, para conhecer o Oriente Médio. Achou tudo muito moderno, o que não a agradou muito, e foi o motivo pelo qual não quis ir a Dubai, então decidiu que iria a Israel, visitar Jerusalém, pois queria ver antiguidades.

Visitou Igreja, Mesquita e Sinagoga. Sarita, apesar de não ter religião, gostava dos templos religiosos. Achava bonito entrar em locais que traziam uma aura antiga.

Pensando nisso acabou decidindo ir para a Índia, tinha muita vontade de ver um festival Hindu. Apreciou com muito gosto as festividades do deus Ganesha, e fez amizade com turistas britânicos, indo depois junto com eles para a Inglaterra.

O tempo estava passando, mas a dor e o luto de Sarita não diminuíam. Visitou inúmeros museus, e até o palácio da Rainha. Mas não encontrou nada que preenchesse seu coração vazio. Até que certa noite pegou o álbum de fotos que trouxera consigo e passando nas fotos antigas viu seus pais ainda jovens em Paris.

No dia seguinte já estava pronta para viajar, queria visitar esse lugar tão importante para seus pais. Atrás da foto mais bonita, com a letra de sua mãe ela encontrou uma anotação, “As luzes de Paris enterneceram meu coração”.

Ficou vários dias indo de lugar em lugar, quando certa noite avistou um rapaz que corria em sua direção. Ele dizia em francês e ela entendia o suficiente para compreender que ele viu o anel dela caindo da mão, e estava devolvendo, e fazendo um convite.

Foram até um restaurante na cobertura de um prédio. De lá podiam ver todas as luzes de Paris, e isso fez o coração de Sarita acelerar. Enquanto olhava para Alouis, pensou que as luzes de Paris haviam enternecido seu coração também.

Apesar disso, ela não se deu por convencida, afinal havia acabado de conhecer o rapaz. Mas a cada segundo Alouis ia conquistando Sarita. Isso foi suficiente para fazer Sarita ficar em Paris pelo menos por mais um tempo.

Tempo esse que se mostrou o bem mais precioso que ela poderia ter ganho. E foi na noite de ano novo, vários meses após a chegada de Sarita em Paris, que ela estava abraçada em Alouis, apreciando as lindas luzes dos fogos de artificio. Nesse momento ele se ajoelhou, e Sarita disse sim ao lindo pedido de casamento. Finalmente ela havia encontrado a felicidade que estava preenchendo sua alma e afastando a tristeza de seu coração.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Espero que algum leitor fofinho tenha gostado dessa leitura <3

E aos leitores mais trevosos, fiquem calmos, a Meiling-Demônio vai voltar com tudo, aguardem, rs!

Apreciadores (4)
Comentários (4)
Comentário Favorito
Postado 30/08/20 21:16

A leitura termina e o coração do leitor fica quentinho, tomado por uma onda de esperança e satisfação.

Perder alguém nunca é fácil, principalmente quando trata-se dos genitores. Acho que, nem se eu viajasse por todos os universos dessa galáxia, conseguiria superar uma dor desse tipo. As tentativas da protagonista, no entanto, revelam a sua força, afinal é preciso muita coragem para enfrentar uma perda, mas é necessária muita força de vontade para organizar meios para continuar vivendo. Infelizmente, o mundo não espera por nós quando algo dessa magnitude acontece...

Seria eufemismo dizer que o amor é a chave para a maioria das questões. Ele consegue curar uma dor, sem aquela ideia absurda de substituir uma coisa pela outra. Essa dor passará a existir por meio de uma cicatriz: jamais vamos esquecê-las, mas a vida segue em frente. Foi lindo ver esse encontro de amor na cidade que mais o transborda. É impossível não sorrir quando lemos o final e nos sentimos felizes por Sarita (aliás, parabéns pela escolha do nome, é lindo!).

Obrigada por compartilhar essa obra maravilhosa conosco! Amo textos desse gênero, assim como os de terror, mas se você os escrever, eu os lerei com o maior prazer do mundo, pois é de conhecimento geral o seu talento potente e sem igual com a escrita.

Parabéns, mil vezes, Mei

Postado 04/09/20 14:13

Mocinha Ternura, que comentário mais lindo e ternurado foi esse!!! <3

Suas palavras me encheram de alegria!!!

Muito obrigada por ter lido, e ter gostado tanto do que eu escrevi!!!

Fico muito feliz que a senhorita tenha gostado do nome Sarita * - *

Um grande abraço <3

Postado 03/09/20 19:40

Faço reverência a ti garota, muito bom, conseguiiu trabalhar toda as passagens de tempo de incrível forma e ainda fazer o leitor sentir toda a procura de felicidade que anseia e a evolução dela, e o final aquela cereja de bolo, palmas para ti!

Abraço!

Postado 04/09/20 14:15

Olá, Eliézer!!!

Seu comentário me encheu da mais pura alegria e felicidade!!

Agradeço muitíssimo pelos enormes elogios que você fez sobre meu texto!!

Um enorme abraço!! <3

Postado 07/09/20 16:50

Que fofura total!!! Acho que tem um pouco de rosa na minha lente hahahaha

Adorei a forma como construiu as ondas e vindas de pais em pais, parabéns!

Amei o final e todo o texto! Agradeço por compartilhar sua obra e participar do desafio!

Assinado uma pequena vampira, <3

Postado 07/09/20 17:06

Hahahahahahaha quando o rosa consegue invadir nossa lente trevosa, o caso de fofura é grave demais hahahaha

Eu me sinto imensamente feliz com seu comentário tão encantador, muito obrigada <3

Ter participado do desafio foi maravilhoso e eu amei <3

Abraços fofinhos para a senhorita <3

Postado 18/09/20 20:19

Olha só, Mei passando para o lado do Carinho, é isso mesmo?

Achei a coisa mais fofa da vida, muito bem construído e todo detalhadinho, mas ainda assim prefiro a Mei da Carnificina. Desculpa ae, sociedade da fofura! u_u

Parabéns!

Postado 18/09/20 22:03 Editado 18/09/20 22:10

O Carinho às vezes atravessa meu ser...

Mas é um caminho rápido, pois meu ser é feito de trevas! Amém!

Muito obrigada por ter gostado desse texto carinhoso, rs.

Apesar de sermos mais fãs dos textos carinhosamente sanguinolentos, rs.

Abraços <3