Um copo de veneno e uma mesa pra dois
Sena
Tipo: Lírico
Postado: 24/07/21 18:33
Editado: 02/11/21 21:48
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 33seg a 44seg
Apreciadores: 2
Comentários: 3
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Palavras: 88
Não recomendado para menores de catorze anos
Notas de Cabeçalho

Novamente, outro texto pra escola que eu acabei gostando demais.

Capítulo Único Um copo de veneno e uma mesa pra dois

Aqui tu estás novamente

Com veneno no coração.

A tristeza em sua mente

Não me escapou a visão;

Pedi uma mesa para dois,

E um copo para dividir este veneno.

Aceite, ou se arrependerá depois,

Porque as coisas da vida,

As tristezas e as alegrias

São melhores divididas

E por isso, dou-te esse poema

Em troca de um pouco de teu sofrimento,

Pra que não chores sozinho,

Pra que não percas o coração,

E porque escutar o teu lamento

É melhor do que escutar o silêncio

Da solidão.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Obrigado pela leitura <3

Apreciadores (2)
Comentários (3)
Postado 26/07/21 00:49

Muito bonito e emocionante, Sena! Parabéns!

Eu amei, principalmente o último verso. Tudo muito bem escrito e um poema incrível! As vezes, tudo o que precisamos é dividir a tristeza!

Obrigada por compartilhar com a gente!

:)

Postado 02/11/21 21:51

Querida Thai,

De fato, às vezes tudo o que precisamos é dividir a tristeza, especialmente quando há um copo no meio, hehe.

Mais uma vez, obrigado, <3

Postado 29/07/21 08:31 Editado 29/07/21 08:32

É possível que essa interpretação passe longe do significado real do poema, mas acho que, nessa história de venenos compartilhados, o eu lírico é a vítima.

Oferecer o próprio coração para que outra pessoa derrame seu veneno é cruel, desesperado e triste. É difícil dar um passo para trás quando alguém que a gente ama acumula veneno em um copinho de bar, gota por gota - nosso primeiro impulso pode ser o autodestrutivo, "deixe-me beber essa porcaria também para que você não se perca sozinho".

No fim, só conseguimos nos afundar num coma induzido quando deveríamos ter oferecido um apoio distante, mas sólido. Quando poderíamos ter convencido o moribundo a entornar o copo no chão.

É um lindo poema, Sena. Nem sempre os lindos poemas são felizes.

Postado 02/11/21 22:05

Minha caríssima Nyels,

Não sei se posso concordar com você ao mesmo tempo que discordo, mas de todo modo é isso que farei. De fato, sempre nos é prejudicial tomar uma dor que nunca foi nossa em primeiro lugar, e um apoio distante, mas sólido, pode sim ser uma opção válida, mas eu não diria que melhor, e entornar o copo no chão não é tão fácil quanto parece, nem convencer alguém a fazê-lo. Às vezes, tudo o que precisamos é proximidade. Às vezes não precisamos de alguém que nos apoie, mas de alguém que vá até o fundo do poço para nos tirar de nós - e, sendo assim, às vezes devemos ser este alguém, que como Orfeu vai ao submundo para tentar trazer de volta o que amou. De qualquer forma, agradeço pelo seu comentário, e por ter me posto, com seus argumentos, na direção certa.

Att.

Alguém que aguarda ansiosamente o seu retorno, <3.

Postado 31/07/21 20:10

Olá, Sr. Sena!

Acho que tive a mesma impressão da srta. Nyels, sobre o narrador estar oferecendo um apoio um tanto autodestrutivo.

Fiquei com essa impressão principalmente por causa do último verso. Como se ele preferisse compartilhar o veneno só para ter companhia, ao invés de ficar sozinho...

Talvez eu tenha enxergado desse modo pois sou uma pessoa bastante pessimista, então perdão se isso passou muito longe do que você quis dizer com o poema!

De qualquer modo eu amei, porque amo coisas tristes!

Um grande abraço <3