Ramificações de um Poeta (Terminado)
Lobo Negro Johny
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 10/01/24 03:39
Editado: 07/04/24 14:51
Qtd. de Capítulos: 9
Cap. Postado: 08/02/24 00:23
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 78min a 104min
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Não recomendado para menores de doze anos
Ramificações de um Poeta
Notas de Cabeçalho

Continue lendo, leia com atenção...

Capítulo 5 Ato V

Ato V I

Elliot nunca quis ser um viajante do tempo, isso era apenas um tipo de identificação entre os alunos, uma forma dos mestres definirem quem nós éramos. Viajante do tempo veio com a alcunha de que ele tinha um amor esquecido já pela sociedade e por ser excelente em matemática. Mas eles faziam questão de ensinar isso para os alunos. Foi escolhido para uma escola de poesias com o ideal de mudar o mundo através das poesias. Via jante do tempo batia da forma com característica e seus princípios, além de combinar com minha personalidade meus gostos pessoais e minha facilidade com exatas. Tinham as regras:

As regras eram simples:

- Usar a poesia apenas pregar amor;

- Nunca usar a poesia para ganhos egoístas;

- Se não falar de amor, deve criar uma reflexão para libertar mentes não prende-las;

- É extremamente proibido usar sexo e palavras de baixo calão;

- O amor deve ser prioritário.

- A poesia deve sempre ser pura e repleto de sentimentos;

- Não esquecer da razão, para que não venha ser subjugada pela emoção;

- Extremamente proibido usar a poesia para ofender, destruir, e difamar;

- A poesia é pura e deve ser assim;

Ao se relacionar com amor, proibido trair a quem ama, se assim fizer será expulso e mostra que não ama.

- Poesia e política não se misturam (a política deve sempre de qualquer forma ser vista de forma crítica e totalmente racional, sentimentos não devem fazer parte de tal);

- Qualquer um que desobedecer tais regras será expulso.

- Todo e qualquer conhecimento deve ser usado apenas para o bem da humanidade.

- Jamais se tornar igual as pessoas do mundo que fazem mal a ele.

- Aprenda seu lugar no mundo, as pessoas não todas iguais.

Decorar as regras era fácil, compreendê-las esse era o desafio, Elliot este é “o viajante do tempo”, mas cada aluno tinha uma identificação diferente, coração de papel, modernista, e por assim vai. Neste orfanato onde fora acolhido, Elliot era um dos vários jovens que iria se formar, todos os meninos criados e educados na fé cristã, sem famílias com laços consanguíneos, os professores, o diretor as senhoras da limpeza e que também cozinhavam, estes era a família de cada um do orfanato. Não tinham contato com a sociedade, apenas quando crianças iam para ficar um tempo na cidade de JaciPolo, mas conforme iam crescendo podiam ficar sozinhos por determinado tempo para se acostumarem com as pessoas e conviver com as diferenças, o problema é que Elliot não se sentia à vontade, seus colegas desrespeitavam as regras e não aconteciam nada, no penúltimo dia para se formar e logo em seguida mudar-se para a cidade e iniciar a vida própria, iria com seu amigo Alcides, quem considerava um verdadeiro irmão.

Naquela noite antes da formatura, desceu ao primeiro andar, e foi para a cozinha encontrar Marcos, o professor que tinha mais afinidade e era sua figura paterna. A cozinha uma combinação de branco e azul, azulejos com detalhes de cozinha, e os armários de madeira, embora fossem antigos, eram lindos bem envernizados. Professor Marcos era careca, alto e usava óculos de grau retro, tinha entre seus 1,80, e talvez pesasse entre seus 80 a 85 Kg. Ele estava bebendo cerveja, algo que era comum pois ele morava lá no orfanato, ao me ver ele já soltou a frase que sempre dizia ao ver Elliot:

— Falaaa Eliiot! — Ao se aproximar se abraçaram, Elliot sentou-se ao lado de Marcos, ofereceu cerveja, afinal seu aluno já tinha 18 anos, e ele era o professor mais legal para todos.

— E então Mestre, como está lidando com o fim das aulas no orfanato? Afinal dar aula sempre foi sua paixão.

— Quem disse que não terá mais aulas? Era apenas um rumor, nada demais continuaremos e com muitas melhoras, a pergunta é como você está? Creio que você deve estar assustado, é o fim daquilo que conhece, e o desconhecido sempre assusta, já pensou no que quer fazer da vida? Além de ser escritor, óbvio, é um longo caminho até ser reconhecido. — Disse para Elliot olhando com o canto do olho enquanto trazia a garrafa de cerveja perto da boca para mais um gole.

— Eu sei disso. — Respondeu revirando os olhos por ele ressaltar o óbvio, e fazendo uma pequena careta entortando a boca para o lado esquerdo. — Eu penso em ser físico matemático.

— A sua cara, e você poderá fazer coisas grandes ou até novas descobertas, mas me preocupo.

— Qual o motivo de sua preocupação Mestre? — Perguntou com um olhar confuso.

— Você logo irá perceber que o mundo é bem diferente, e muito mais cruel que já viu. — Disse Olhando para o balcão com um olhar triste.

— Mas eu sei como é, eu vi coisas ruins nos tempos de férias, na cidade. — Falou tentando manter um certo otimismo, mas acabou ficando mais entristecido.

— Vocês e seus colegas só viveram um pouco, e mesmo que fosse bastante, ainda retornavam para cá, aqui e o lar de vocês, após se formarem, para onde correrão? Terão que criar o próprio lar isso vai demorar.

— Talvez seja até melhor, muita das coisas ruins que eu vi, foram feitas pelos meus colegas daqui. Eles quebraram a regra várias vezes Mestre, e pensei em contar....

— Mas não queria perder a amizade deles, ou ser o dedo duro, eu sei. — Ele o interrompeu e passou a sentar de frente para o aluno.

— Eu, e todos os outros daqui sabíamos o que eles faziam....

— Então por que não fizeram nada?! Eles quebraram as regras!! — Perguntou calmo mas com uma pontada de nervosismo ao mesmo tempo.

— O que iríamos fazer? Expulsá-los do orfanato? Eles não têm família, se os colocássemos para a rua, deixaríamos que os errados deles mudassem o nosso certo, e não são bem regras, são mais princípios que gostaríamos que seguissem. — Ele explicou mexendo a cabeça para os lados para que eu demonstrasse que não era rígido, mas sim algo flexível.

— Mas.... Eu segui... Eu deixei de....

— Eu sei, nós sabemos e nos orgulhamos de você. Mas para você, é mais que regras, isso está em você, faz parte de você, por isso nunca quebrou.

— Ou talvez eu tinha medo e poderia ter feito o mesmo que eles. — Respondi com raiva!

— Poderia, mas sabe tão bem quanto eu que não é a mesma coisa, você não é como eles e tão pouco quer ser como, você é um romântico, algo que vem se perdendo nas pessoas. — Respondeu sorrindo, e por mais que tivesse razão, eu ainda queria demonstrar minha raiva. — Ele continuou. — Como é a formação da pessoa? Podemos ensinar uma criança, mas a natureza da pessoa talvez faça com que não se importe e jogue tudo que foi ensinado no lixo, se tornando assim uma pessoa relativamente má, como uma pessoa sem formação alguma é má e egoísta até passar por situações que a farão repensar suas atitudes e pode se tornar uma pessoa boa. Nós mostramos o caminho, o que julgamos ser certo, através do que aprendemos e vivenciamos como professores, e pessoas mais velhas, mas quem irá trilhar o caminho é vocês.

— Mas eu poderia ter trilhado outro caminho!!! — Falei alterado.

— E não fez, se realmente quisesse teria feito, e pior, teria se arrependido, como eles se arrependem. — A resposta foi calma e cortante para mim.

— Eles nunca vão admitir que não se sentiram bem depois, e na verdade não são bem regras, são princípios. — Elliot quis rebater, mas no momento estava pensativo pelo fato de ele estar certo. — Elliot, regras eram não poder sair do orfanato para a cidade sozinhos, estarem no quarto 22:00, isso são regras, são normativas que não podem ser quebradas, agora aquelas que passamos sobre poesias? Isso são princípios que são importantes para que vocês ainda mais ao se destacarem como escritores e poetas iremos reconhecer vocês e isso ajuda na visibilidade e que o que ensinamos ajuda e pode mudar o mundo para a melhor. Não podemos forçar a seguirem princípios, podem até fingir aqui dentro e nos poemas, mas isso não dura, ser uma boa pessoa e fazer o que é certo é escolha sua, alguns nunca tiveram ensinamentos que você teve, e ainda assim nunca fizeram as escolhas que seus colegas e muitos outros, ou até fizeram, mas se arrependeram, é tudo escolha, e na natureza do indivíduo, você é um viajante do tempo por amar em um mundo que já mudou tanto o amor que de amar só tem nome. É sempre a escolha, e regras são apenas prisões para quem tem problema com elas, ao forçar as pessoas a viverem por princípios, elas não enxergarão como algo bom, porque é contra a natureza delas e regras é apenas uma forma de proteção. — O mestre sorriu e se levantou da bancada, e entregou uma pequena caixa preta dizendo:

— Este é um relógio de bolso, para você. — Elliot o abriu, era preto e quando abria era vermelho, por fora tinha desenhos esculpidos, ele sorriu e abraçou o professor.

— Você comprou para mim? — Perguntou Elliot ainda abraçado.

— Na verdade estava endereçado a você, desde o seu segundo dia aqui.

— Como assim? — Elliot pareceu não gostar de saber disso, e deu dois passos para trás.

— Logo depois que você chegou, nós recebemos por correio o relógio endereçado como “ao bebê que vocês acolheram ontem”, nós não o entregamos a você porque passamos todo esse tempo tentando encontrar a pessoa que enviou o relógio a você. — Elliot arregalou os olhos.

— E o que descobriram?

— Absolutamente nada, perguntamos no correio e nada, procuramos o vendedor do relógio e na verdade ninguém aqui por perto o comprou, tentamos recursos em outro estado mas já fez 16 anos, sinto muito não encontrar nada, decidimos que era hora de entregar a você, e se quiser procurar respostas.

— 16 anos? Vocês procuraram durante todo esse tempo?

— Sim, sinto muito Elliot. — O jovem estava pensativo mas claramente abatido.

— Eu não sei o que fazer. Preciso pensar, e obrigado professor, de verdade. — Abraçou Marcos novamente e depois subiu para o seu quarto. II

Elliot não dormiu pensando no relógio, e se perguntando quem o enviara, não bastasse as emoções de estar saindo para um mundo novo como agora também a sombra de quem enviara o relógio. Levantou-se mais cedo e andou devagar sobre cada canto da grande mansão reparando nos detalhes, as madeiras de carvalho, as paredes do segundo andar com tons de azul, e dourado, o tom de verde da biblioteca, retirou o relógio de bolso e o abiu, o silêncio era tanto que era possível ouvir o “tic-tac” do ponteiro de segundos, retirou de seu roupão seu caderno de poesias, e começou a escrever sentado em uma poltrona da biblioteca ouvindo relógio:

“De onde vim?

Onde pertenço?

Quem sou eu?

Quem me gerou?

Estes princípios

Pensamentos

E sentimentos

São meus?

Ou colocados em mim

Por outros?

O mundo está a porta

O desconhecido

Se aproxima

Eu tenho medo

Ainda mais agora

Pela sombra misteriosa

E por não saber exatamente

Quem sou

Viajante do Tempo?”

Ele ficou olhando para o relógio, enquanto o tempo passava e o sol começava a surgir e iluminar as janelas da biblioteca. Já era seis horas da manhã quando Marcos já estava pronto e bateu a porta do diretor Valentin, que demorou ao abrir:

— Em que posso ajudar professor Marcos? — Perguntou cansado e colocando seus óculos.

— Você pediu para que eu viesse ajudá-lo a se arrumar para a formatura.

— Oh! É verdade, me perdoe, entre. — Abriu a porta completamente e fez um gesto para Marcos entrar.

— Eu estou ficando velho demais para isso Marcos. — Falou pegando sua bengala, e indo a seu quarto, Marcos o acompanhava e começou a separar o terno e o ajudar a vesti-lo. Um idoso de 80 anos, com cabelos grisalhos e manchas na mão.

— Eu sei disso, e estou preocupado embora feliz que eram apenas rumores o fato de o orfanato fechar as aulas.

— Quase aconteceu, mas nada a se preocupar. — Marcos colocava o terno no diretor Valentin.

— Se você diz, hoje o dia é cheio, almoço, baile. O senhor faz a diferença para essas crianças e garotos.

— A ideia não é fazer a diferença, é fazer o certo. — Disse Valentin com um sorriso humilde.

Elliot viu o sol nascer e começou a ir para a cozinha, estava com fome, o que no dia anterior era um pouco de medo e muita alegria pela conquista de ter terminado os estudos, agora era uma grande tempestade de dúvidas e medo, quando entrou na cozinha e Dona Lourdes o viu daquele jeito:

— Menino! Já são quinze para as sete, a formatura começara logo logo, e você nem está pronto!

— Me perdoa Dona Lourdes, vim aqui para ....

— Tomar um achocolatado, eu sei. Porque está abatido, meu querido? O que houve?

— Professor Marcos me entregou este relógio, e disse que foi enviado a mim, eles procuraram saber quem foi, mas não conseguiram descobrir, agora fico me perguntando quem foi, é apenas isso que eu mereço? Um relógio de bolso? Não saber o nome de meus pais ou família. — Agora isso trouxe questionamentos que já havia esquecido. — As lágrimas já estavam nos olhos escuros de Elliot.

— Ah meu querido! Isso me faz lembrar de quando você tinha 10 anos, lembra-se? III

A memória de Elliot foi-se para quando tinha dez anos, e todos estavam fazendo homenagens aos professores e diretor Valentin para o dia dos pais, embora sempre fazia para professor Marcos, a questão de quem era seu pai verdadeiro não saia de sua cabeça. Os seus colegas estavam preparando para cada professor, ele saiu desanimado e quando o professor responsável o mandou para que voltasse, Elliot saiu correndo pelo enorme corredor, olhou para trás e não viu ninguém, quando trombou com o diretor Valentin e caiu de bunda no chão, o diretor ficou olhando, Elliot ao ver que era o diretor estava assustado e as lágrimas estavam visíveis, o diretor o pegou pela mão:

— Você está bem Elliot?

— Sim, me perdoe diretor. — Falou evitando o contato visual.

— Então, porque estava correndo? — O menino não sabia como responder. — Entendo, que tal vir a cozinha comigo? Está bem calor, e eu gostaria de um sorvete, você quer também? — Acenando com a cabeça o menino diz sim.

— Que bom, acompanhe este velho senhor. — O professor Marcelo, apareceu no corredor, e viu a cena, Valentin apenas olhou para ele e este não fez, nada apenas voltou para a biblioteca. Ao chegarem na cozinha, Valentin pediu para dona Lourdes chamar o Professor Marcos, e pegou sorvete de bule ice com sensação para os três presentes.

— Por que estava com cara de choro Elliot? — Perguntou Dona Lourdes.

— Eu....

— Ele caiu, quando trombou comigo e caiu de bunda. — Interrompeu Valentin dando risada.

— Ah! Entendi! — Continuou Dona Lourdes dando risada.

— Não é nada disso! — Falou alto querendo que parassem de dar risada.

— Então o que era? — Perguntou Marcos ao chegar na cozinha e pegando sorvete também.

— Eu, não sei explicar...

— Então deixe-me adivinhar, você está pensando sobre seu pai biológico! — Falou Valentin e Elliot arregalou os olhos.

— Parece que acertou diretor. — Falou Dona Lourdes.

— Como? — Perguntou Elliot colocando a colher de sorvete na boca.

— Bom, você não é o primeiro e não será o último garoto órfão a querer saber de seus pais e passar por alguma crise por isso. Diga o que sente para nós, e poderemos ajudar. — Falou Marcos. Elliot olhou para o diretor e depois para Dona Lourdes.

— Se quiser eu saio. — Falou o diretor Valentin.

— Não precisa, é que eu estava pensando, quem são meus pais, porque me deixaram aqui? Ou se eles morreram, ou se não me quiseram mesmo.

— Entendo. — Os três adultos falaram ao mesmo tempo e Elliot achou graça.

— Deus é bom Elliot? — Perguntou Marcos.

— Sim.

— E o homem? — Perguntou Dona Lourdes.

— Talvez, não sei.

— “Porque não faço o bem que eu quero, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim.” Apóstolo Paulo, aos Romanos 7:19-20.

— Então é não? — Perguntou Elliot confuso.

— Queremos, mas nem sempre conseguimos.

— Meus pais não fizeram e propósito?

— Não dissemos isso Elliot. — Falou Marcos.

— Não sabemos sobre seus pais, essa é a verdade, mas o ponto aqui não é o homem, mas Deus.

— Então porque Ele permitiu?

— Livre arbítrio, Deus faz o melhor, sempre, o homem nem tanto mas de onde o homem errou Deus faz algo bom, sempre. — Falou Marcos.

— Invés de você estar sozinho, Deus te colocou aqui, onde você tem essa família.

— Meu filho faleceu, e a bíblia fala para nós andarmos pela fé. Além de Deus curar minha ferida me trouxe aqui para ter todos vocês.

— Eu fui órfão Elliot, e a família que me acolheu me trouxe a esta mansão, anos mais tarde quando faleceram e deixaram tudo para mim Deus me trouxe a ideia de fazer um orfanato especial para ensinamento de poetas para mudar o mundo, e para que jovens como eu não ficassem sozinhos.

— Não sabia disso. — Falou Elliot.

— Sabemos disso, mas você já um grandinho para saber de algumas coisas.

— Você é nosso filho, não biológico, mas porque cuidamos. — Falou Marcos, Elliot sorriu e abraçou a todos. E depois voltou para a biblioteca para fazer algo especial para todos que cuidavam dele e de seus colegas.

IV

— Eu me lembro. — Falou Elliot.

— É a mesma coisa, só que agora você tem esse relógio, não deixe isso afetar você. O passado não volta Elliot, então não se apegue a ele.

— Você está certa...

— Como sempre, agora vá se arrumar meu garoto, o dia é seu, meu matemático lindo. — Ela abraçou Elliot

Elliot foi se arrumar e colocou seu terno azul e um prendedor de gravatas de relógio, e desceu, encontrou seu amigo Alcides no primeiro andar, e começaram a andar por toda a mansão enquanto reviviam os momentos e conversavam até as cadeiras do lado de fora do orfanato e o pequeno palco ficasse pronto, faltando meia hora foram para a parte de trás do orfanato uma colina, e começaram a conversar.

Enquanto isso na cozinha o no grande refeitório que estava sendo preparado para almoço e janta em um grande baile com famílias da cidade que tinham filhas da mesma idade e Marcos estava ajudando o buffet, quando Dona Lourdes foi até Marcos:

— Porque você deu o relógio para ele? — Marcos olhou para ela com o canto do olho e abaixou seus óculos.

— Porque sempre foi dele, eu e o diretor Valentin procuramos respostas e não encontramos.

— Então porque perturbar ele com isso no dia de hoje?! — Ela estava nervosa.

— O relógio é dele, e ele merecia saber disso, não entregamos até agora porque até o dia que o recebemos até ontem, procuramos saber quem o enviara, ele merece a verdade não?

— Isso não é uma verdade! Isso não é nada, apenas um relógio que vai assombrar ele!

— Isso vai assombrar se ele permitir, e isso é uma escolha dele, não nossa, se o impedíssemos dessa escolha, aí seria errado, pois se ele descobrisse ficaria magoa conosco por esconder coisas dele.

— Não concordo, ele já vai passar por muitas coisas ao sair daqui.

— Isso faz parte do crescer, Dona Lourdes.

— Eu sei mas...

— Ele tem um bom coração, e isso é difícil mas é nisso que o fará melhor, de nada adianta um coração bom se falhar em resistir a maldades ou se tornar um coração ruim.

— É vero professor Marcos.

— Só podemos torcer para o melhor, e o acolher sempre. — Voltaram a organizar o buffet.

As cadeiras estavam prontas, os alunos com suas becas, tudo posicionado, o diretor subiu para começar o discurso e depois chamar os alunos para pegarem seus canudos, Elliot ainda estava pensativo e só ouviu “E não deixem o passado de vocês definirem o futuro, sempre pode mudar e se aperfeiçoar. E agora sem mais delongas a entrega dos canudos!” Logo foi chamado e todos aplaudiram, depois teve algumas fotos tiradas com as cozinheiras/e senhoras da faxina. Depois o diretor anunciou que havia uma surpresa no grande refeitório. Ao chegarem, havia famílias e garotas prontas para formarem pares e dançarem com os rapazes, Elliot achou seu nome na mesa da jovem Thalia. O almoço começou e Elliot parecia feliz, decidido a deixar o questionamento do relógio para depois ou simplesmente esquecer, focou em aproveitar a noite, conversar e dançar com a jovem Thalia que era linda, cabelos cacheados escuros, olhos castanhos claro, incrivelmente branca, o que destacava os lábios avermelhados do batom extravagante, com seus 1,67 de altura. Depois do almoço o diretor pegou o microfone do DJ e chamou a atenção de todos:

— Parabéns aos formandos, estes jovens impressionantes que apesar de suas dificuldades e diferenças estão aqui dando um passo para o futuro e unidos como irmãos de sangue. — Todos aplaudiram. — Como um gesto de comemoração, além deste baile, cada professor de vocês comprou algo para cada um. — A alegria dos alunos era visível. Cada aluno ganhava alguma coisa de acordo com o que o professor achava melhor, alguns eram livros, outros canetas, relógios, mas Elliot ganhara do professor Marcos um celular, ficou super feliz e o abraçou, aplausos para todos os alunos, e voltou para a mesa, onde Thalia passava o número dela, e depois foram dançar juntos com os outros alunos, Elliot estava bem feliz, Marcos observava orgulhoso, quando o diretor Valentin se aproximou e o chamou para ir ao lado de fora do salão e orfanato. Ao andarem para fora o sol já estava se pondo:

— Como ele reagiu com o relógio?

— Não muito bem. — Respondeu Marcos.

— Mas ele está se divertindo, ele merece.

— Sim, quem sabe dessa vez acertamos Marcos, não dá para erramos de novo.

— Concordo. Por hora deixe ele se divertir.

O sol se pôs e então as horas passaram, Elliot dançou e se divertiu muito bem com Thalia, e fez uma amizade, mesmo um tanto apegado não tentou nada, pois achou que seria arriscado. A noite terminou e ele ganhou um beijo na bochecha, e foi dormir tranquilamente, ao se deitar e esperava a mudança que viria no dia seguinte, olhou o relógio de bolso e decidiu que seria apenas um apetrecho e nada mais.

No dia seguinte despediu-se de todos e foi para seu apartamento com Alcides.

V

Perto de fazer dois anos Elliot retorna para o orfanato, a namorada Kate do qual tinha um relacionamento instável o magoara profundamente, Alcides seu melhor amigo agora estava com Kate, Thalia havia desfeito a amizade com ele ao dizer “dane-se” e sua paixão e amiga Jennifer no qual acabou magoando o deixou, ele sentiu-se “abandonado”.

— O que acha que devemos fazer?

— Ligar para o seu amigo Reitor e explicar porque ele ajudar em viagens pelo Brasil virou um trabalho que o levou a depressão!! — Falou Lourdes irritada.

— Eu até poderia, mas como é um favor, não podemos reclamar ainda mais quando ele conseguiu a vaga pra o curso de física que ele tanto queria.

— Valentin está certo Dona Lourdes, e como o reitor iria imaginar que ele entraria em depressão?

— Ah! Pelo amor de Deus, você...

— Isso é fato, não acredito que esteja com depressão, mas pode ser o início, ele é um bom rapaz, mas não sabe filtrar as coisas, e não soube se fortalecer. — Disse Marcos.

— Também foi se envolver com piriguetes e aquele outro Alcides, esqueceu tudo que foi ensinado aqui?!

— Ensinamos, mas o caminho são escolhas deles, sempre foi. — Falou Valentin.

— Então o que vamos fazer?!! — Gritou Dona Lourdes no escritório de Valentin.

— Acalme-se, Lourdes! — Valentin olhou e falou com firmeza. — Onde ele está?

— No meu quarto, — falou Marcos. — Dormindo, demorou muito para isso, chorou muito e custou para ele falar o que aconteceu, tanto quanto para nós entendermos.

— Entendo, ele precisa de ajuda profissional. Vou pedir recomendações amanhã e verei as opções.

— Só isso? Somos a família dele, de todos eles, podemos fazer mais.

— Não podemos protege-lo o tempo todo, ele tem que aprender a se fortalecer sozinho. — Falou Marcos.

— É isso Lourdes. Sei que é como um filho para a senhora, mas não podemos tranca-lo aqui para ele se regenerar e voltar quando se machuca, ele é bem-vindo, mas ele precisa crescer. E estou dando a última palavra. — O silêncio reinou e Lourdes saiu batendo a porta, ficando apenas Marcos e Lourdes.

— Acho que é a primeira vez que o vejo sendo tão firme.

— Sente-se. Não é a primeira vez, mas é raro eu ter que agir assim.

— Mas o senhor acredita que isso é suficiente? Lembra-se da... — O olhar de Valentin agora era e raiva, seus olhos claros não escondiam.

— Eu não esqueço, agora boa noite professor Marcos. Eu me viro para deitar, até o final da semana terei uma psicóloga para Elliot, e veja com ele quais os planos dele, caso ele precise procurar um novo lugar para morar ajude-o, ele pode ficar até o ano novo, mas assim que tiver o profissional começara imediatamente, assegure-se disso, AGORA BOA NOITE! — Marcos apenas acenou que sim com a cabeça e saiu, andou pelos corredores do orfanato enquanto todos dormiam e foi para a torre deitar, o único barulho que ouvia era o tique taque do relógio de bolso na escrivaninha, deitou e dormiu.

Elliot acordou por volta das onze horas da manhã, e andou até a cozinha do orfanato, Dona Lourdes o recebeu e o abraço, beijou sua testa, no qual Elliot se abaixou para isso, e o levou ao balcão, e entregou um achocolatado:

— Como você está meu filho?

— Estou bem, eu acho.

— Então não está bem.

— Ainda estou abalado com o que Alcides fez, Kate, Thalia, Jennifer, embora a última foi consequência de meus próprios atos.

— Eu sei que é difícil, mas reconhecer seus atos é o começo.

— É, eu fui um grande idiota.

— Claro que não, apenas cegamente apaixonado.

— Eu tinha que tentar de todas as formas.

— “Ame o teu próximo como a ti mesmo”, Mateus 22:39.

— Eu...

— Você é bom no amor ao próximo, mas esqueceu de si, o jeito que você fez apenas mostrou como você pensa pouco acerca de si Elliot, precisa ter equilíbrio. — Elliot ficou olhando para Dona Lourdes em seus olhos marrons. Ela colocou as duas mãos no rosto dele que estava começando a crescer barba e falou:

— Tenho que ir ajudar a arrumar o refeitório para meus outros filhos, e professor Marcos quer conversar com você, pode esperar aqui ou na biblioteca, mas não deve demorar. — Elliot apenas sorriu, e ficou sozinho na cozinha. Apenas ficou olhando pela janela até Marcos aparecer uma hora depois, quando ele chegou Elliot estava andando de um lado ao outro por ser impaciente.

— Desculpa a demora, estava com alunos.

— Tudo bem.

— Então, preciso conversar algumas coisas com você.

— Ok, me deixou preocupado.

— Não tem motivo, apenas relaxe, primeiro quero saber qual seu plano? Sei que vai querer a faculdade e o que mais?

— Procurar outro lugar para morar, cortar os braços e pernas de Alcides e botar fogo nele.

— Está bem, Obi Wan Kenobi. — Falou levantando as sobrancelhas.

— Iremos ajudar você com o apartamento, nada mudou, apenas que....

— O que?

— Você vai ter ajuda profissional.

— Vão contratar alguém para cortar os membros de Alcides? — Os dois deram risada.

— Você vai passar em algum psicólogo(a). — Elliot se arrumou para trás meio que assustado.

— Porque?

— Acreditamos que você esteja no início de depressão, e você precisa se fortalecer.

— “Me fortalecer”?

— Porque isolamos órfãos?

— Não sei, sempre achei que fosse para educar melhor, outros disseram que assim vocês iriam nos alienar.

— Claro que diriam isso, as pessoas não aceitam nada que ponham limites sobre elas mas isso é outro assunto. Inocência. É algo que é perdido, e cada vez mais cedo no mundo, crianças de dez a onze anos já beijam na boca, já olham pornografia...

— O que é pornografia? — Perguntou Elliot. Marcos ficou sem reação com os olhos arregalados e pensando se Elliot estava brincando, mas pela cara de criança que ouviu a palavra pela primeira vez, e ficou de boca aberta.

— Parece que fizemos um ótimo trabalho com você. — Elliot ficou confuso. — Eu explico depois o que é pornografia. Continuando.... A inocência é perdida cada vez mais cedo, e tentamos cultivar em nossos órfãos fortalecer, você é inocente, mas isso não adianta se você se tornar ingênuo, ou sucumbir à corrupção, sucumbir é difícil, porém você fica fragilizado e você tem que aprender a filtrar, e resistir. Entendeu?

— Sim, eu acredito que sim, mas o que é pornografia? — Marcos teve que explicar para ele.

O final de semana havia chegado, e Elliot passou a semana procurando apartamentos pela internet, bem distante de Alcides e Kate, e perto de sua faculdade, além de ajudar Dona Lourdes na limpeza do orfanato. Foi chamado para o escritório do direto, bateu na porta e escutou dizendo que podia entrar:

— Com licença diretor.

— Me chame de Valentin, não é mais um aluno daqui, sente-se.

— Está bem, Valentin. — Falou tentando se acostumar a não utilizar senhor ou diretor.

— Sei que Marcos conversou com você sobre ajuda profissional, e encontrei uma, o nome dela é Sandra, ela vai cuidar bem de você, muito profissional, na casa dos 60 anos, e ela tenderá você a partir do ano que vem, quando começar as aulas na faculdade, descobri ela por ser uma das investidoras do orfanato.

— Está bem, obrigado.

— E me avise quando encontrar um apartamento novo, sei que não quer mais ver Alcides.

— Está bem, muito obrigado diret-Valentin. — Se levantou da cadeira e quando se virou...

— Elliot, mais uma coisa. — Elliot apenas parou e não se virou. — Perdoar faz bem, não por eles, mas por você, e até mesmo antes de pedirem perdão. 70 x7 e ainda mais, porém se vai deixá-lo voltar a sua vida, é com você.

— Obrigado! — Apenas saiu e fechou a porta.

Novembro passou rápido e já havia escolhido um lugar novo para morar, e Marcos foi com uma equipe de mudanças pegar as coisas de Elliot no apartamento de Alcides. Marcos foi em um sábado à tarde, subiu ao apartamento e bateu na porta, a equipe de mudança esperava na rua a mensagem de Marcos se podia subir, Alcides atendeu à porta e ficou surpreso ao ver Marcos:

— Professor?

— Sim, posso entrar?

— Claro! Não esperava você aqui.

— Tudo bem, eu vim pegar as coisas do Elliot. — Entrando no apartamento viu que estava acompanhado.

— Desculpe, Kate este é o professor Marcos, do orfanato, um ótimo professor, esta é Kate, minha namorada. — Ela se levantou do sofá e apertaram as mãos.

— Prazer Kate.

— Onde estão as coisas dele?

— Ele vai se mudar? Onde ele está?

— Sim, e ele está no orfanato.

— Fiquei preocupado, e ele não me responde.

— Alcides, eu vim pegar as coisas dele porque ele não quer mais ficar perto de você, e não quer falar com você.

— Ele é tão criança! — Falou Kate jogando-se no sofá.

— Com licença, podemos pegar as coisas do Sr. Elliot?

— Sim. — Falou Marcos olhando para Alcides que apontou onde era o quarto de Elliot. As pessoas entraram no quarto.

— Como professor eu não devo tomar partido entre problemas de meus alunos. Então de forma imparcial, digo que precisam se ajeitar. Porém não sou mais seu professor, e você vacilou feio. E quer saber se foi errado ou não? Apenas pergunte se gostaria que fizessem com você.

— Seu ridículo!!! — Gritou Kate.

— Olha aqui garota, você não me conhece, e eu não conheço você mas acredito que lhe foi ensinado a respeitar os mais velhos! — O olhar de Marcos era fulminante.

— A gente se vê depois Alcides. — Ela saiu com raiva.

— Eu vou pegar as coisas, se não ajudar, não atrapalhe. — Alcides estava em silêncio.

— Marcos...

— Você sacrificou sua amizade, por uma garota que magoou teu irmão, sacrificou tudo que ensinamos e porquê?

— Eu...

— Não precisa responder para ninguém essa pergunta. — Alcides ficou olhando, e foi para seu quarto, depois de duas horas, todas as coisas de Elliot estavam no caminhão e há caminho de seu novo apartamento perto da universidade. Arrumaram tudo, e voltaram ao orfanato, onde Elliot passaria o final de ano.

O natal chegou e ganhou presentes de Dona Lourdes e Marcos, de Dona Lourdes uma jaqueta, e de Marcos uma camiseta do Batman. Foi bom, mas Elliot percebeu que não era o orfanato que fazia o natal bom, mas seus amigos, e até mesmo Alcides. A ceia foi ótima, mas dessa vez voltou para a torre e escreveu:

“Não era a mansão

Era as pessoas

Ao meu redor

Que habitavam meu coração

Estas pessoas seguiram

A mais querida deles

Me feriu

Por trás

Me machucou

O lar é as pessoas

E no momento

Só tenho duas

Não sei se tenho mais

Mas sei que ando

Sempre perdendo

A subtração de minha vida

E das pessoas

Tirando minha alegria

É natal

E não sei onde pertenço

Viajante do Tempo”

Abriu seu relógio e ficou olhando o tempo passar.

Era véspera de ano novo, e passou o maior tempo que podia com Lourdes e Marcos, após a meia noite foi para a igreja do orfanato, onde ficou lendo a bíblia e buscando respostas divinas, e suplicando por um novo começo. Foi dormir quando o sol começou a raiar. No outro dia arrumou suas coisas e foi ver o diretor Valentin, bateu ás portas e Valentin disse que podia entrar:

— Com Licença Valentin.

— A vontade Elliot, apenas não se incomode com a papelada, formandos, sabe como é, estou distribuindo o dinheiro dos doadores e investidores dos jovens, está tudo bem?

— Sim, está tudo bem sim, eu só queria agradecer por toda a sua ajuda, amanhã irei para meu novo apartamento, voltarei a procurar emprego e me preparar para as aulas.

— Não esqueça de Sandra, ela vai me avisar se você não for, não irá me contar sobre você e o que disser a ela, apenas se está indo, é para sem próprio bem.

— Entendi, muito obrigado. — Apertou a mão de Valentin e saiu do escritório.

No próximo dia Elliot voltou a cidade, seu novo apartamento era perto da praça onde se encontrava as estátuas, e não era tão distante da faculdade Jacip. O mês de janeiro passava e Elliot apenas colocava as coisas de seu apartamento no lugar e tentava adiantar os estudos da faculdade. E Elliot conseguia entender toda a matéria com facilidade, decidiu sair na terceira semana de janeiro para fazer a matrícula, demorou para ser atendido, e saiu da faculdade a noite, decidiu ir em uma célula da assembleia, e apenas viu de longe que nada mudou, não chegou perto e decidiu se afastar. Na sexta-feira foi na antiga célula da caverna e nada mudou, também não interagiu, mas no final de semana havia um lugar novo “clube dos escritores” e decidiu ir, não estava a fim de encontrar pessoas conhecidas, mesmo com o celular cheio de mensagens de Maya, não estava a fim de conversar com ela, e nada de Suzana, excluiu tanto Alcides, Jennifer e Kate. Suzana não enviou mensagens. Se arrumou e foi para esse clube de escritores, localizado no centro da cidade, e ao chegar, o local parecia mais “elitizado” deveria preencher um formulário e dizer que tipo de texto era produzido, desde contos, a livros inteiros, marcou que sua primeira vez e por isso seria visto por todos, ele recitou o último poema feito no natal, e aplaudira, depois que silenciou vários se levantaram e começaram a dizer o que acharam e críticas construtivas:

— Primeiro digo que é bom te ver aqui Viajante do Tempo, e que seus poemas são ótimos, adorei esse, nos faz analisar e o leitor, ouvinte no caso que o lar são as pessoas e que o eu lírico está perdido sem as quais estava familiarizado. Parabéns Elliot. — Falou Suzana, embora Elliot ficou feliz de ver ela, estava diferente, mais fria e nada “amorosa” como ela assinava seus textos. Após acabar ela foi falar com ele:

— Como você está Elliot? Você sumiu. — Ainda estava estranhando ela, e preferiu não revelar os acontecimentos.

— Alguns problemas pessoais.

— Entendo, mas fiquei feliz em te ver aqui.

— Obrigado, você saiu da assembleia?

— Sim, aqui eu tenho mais espaço.

— Que bom, talvez eu fique.

— Espero que sim. Eu tenho que ir. Cuide-se Elliot. — Não se afetou por isso e foi para casa, e foi dormir, as poesias pareciam não vir mais como antes em sua mente e coração, talvez estivesse quebrado, mas não estava preocupado com isso. Decidiu responder Maya, ela o queria ver, saber como estava, refletiu e pensou que seria bom manter uma amizade, marcou de visitar a caverna dos poetas com ela, e conversar depois, ela aceitou, isso seria um dia antes do primeiro dia de aula.

Eles se encontraram na caverna, estava cheio de gente, e ele tomou coragem e recitou o poema sobre o lar. E foi aplaudido, logo depois uma garota, recitou um poema sobre o amor e isso o deixou extasiado, o poema. Depois de toda a reunião, ela foi cumprimentar ele, o nome dela era Jaqueline, 1,70, olhos castanhos claro, o nariz redondo, os lábios graciosos quase assimétricos.

— Eu adorei seu poema! Muito bom Elliot? Certo?

— Sim, você é....

— Jaqueline.

— Muito prazer, essa é Maya.

— Prazer, Jaqueline.

— Prazer, Maya.

— Nós temos que ir, foi um prazer te conhecer.

— Foi um prazer te conhecer também, me adiciona no Facebook.

— Pode deixar!

Maya foi puxando Elliot pelo braço, e perguntou para onde iriam, Elliot apenas disse que para o apartamento dele. Eles foram conversando, na verdade Elliot falava pouco e ouvia Maya falar sobre os problemas com o ex-namorado. Chegaram ao apartamento e Elliot por educação perguntou se ela queria entrar, e ela aceitou feliz. Eles entraram e ao fechar a porta, era um apartamento bom, não era grande, mas médio, um sofá cama preto no meio da sala, o apartamento era branco, uma televisão de tamanho médio, seu computador conectado a TV, a cozinha atrás da sala, um corredor que levava ao banheiro e mais dois quartos.

— Que aconchegante! — Falou Maya.

— É sim, não está do jeito que gostaria mas por enquanto está ótimo.

— Eu posso ajudar com isso. — Maya de repente beijou Elliot e foi o empurrando contra o sofá, ele estava sem reação, ela o empurrou no sofá e começou a tirar a blusa, por um minuto Elliot estava sem reação, gostando, mas sem reação. Com grande esforço ele gritou após ela tirar o resto da roupa:

— Pare, por favor! — Maya cobriu desajeitadamente seu corpo com a mão, mesmo sendo lindo, Elliot resistiu.

— Porque? Não sou bonita o suficiente?

— Não é isso, eu já falei que não sou assim.

— Ah!! — Ela começa a se vestir apressadamente.

— Você sofre por garotas que não se importam com você, e eu te querendo não dá né. — Elliot se levantou do sofá e ficou de costas.

— Primeiro, você não está me querendo, você está carente e enrolada com teu ex-namorado. Segundo, se gostasse tanto de mim não passaria tempo criticando e falando mal do que acredito.

— Porque o que você acredita não funciona mais! Você é alienado, eu quero te deixar livre, livre comigo!

— Isso não é liberdade! É libertinagem, eu prefiro mil vezes ficar sozinho do que a cada vontade que dar me entregar a qualquer pessoa! — Maya o virou para ela pelos ombros.

— Você está preso a algo que não funciona, não percebe!

— Eu?! Quem se entrega a várias pessoas logo no primeiro sentimento? Fazendo do corpo um parque de diversões para outros? Já dói o coração de simplesmente tentar com alguém que não valoriza, imagino como é mil vezes pior ter entregado seu corpo. Eu valorizo meu ser, talvez é você que esteja presa em círculo vicioso e destrutivo. — Maya simplesmente tentou bater no rosto de Elliot, mas ele desviou e gritou:

— Saia da minha casa!! — Ela ficou com raiva e saiu batendo a porta. — Que ótimo, mais uma que vai embora, só falta a Suzana agora Elliot!

Indo dormir pois a tarde teria sua primeira consulta com a psicóloga, deitou-se e encontrou Jaqueline no Facebook e ela aceitou a solicitação, mas preferiu apenas tentar dormir.

Acordou e se arrumou para ir logo a sua consulta, pegou o ônibus refletindo no que acontecera, e como já fez dois anos que saiu do orfanato e só agora estava começando a faculdade, mas sem emprego.

Chegou na faculdade ela tinha vários prédios, teve que ir para a parte de psicologia e procurar pela sala dela, quase se atrasou procurando. Quando encontrou estava um aviso para não bater na porta pois ela estava atendendo. Esperou dez minutos e então ela abriu a porta, saiu uma jovem de lá, e a psicóloga olhou de cima a baixo:

— Você dever ser Elliot certo?

— Sim, prazer!

— O prazer é meu jovem, entre. — A sala era pequena e não havia pintura, apenas os tijolos bem colocados, uma mesa que ficava de frente para a porta, e do lado uma pequena estante com vários livros, e encostado na parede um pequeno armário, e mais acima na parede um relógio, do outro lado da sala, duas poltronas uma de frente para a outra, um pequeno sofá com dois lugares e de frente para o sofá um divã, todos da cor branca, Sandra era incrivelmente pequena, cabelos curtos, loiros e óculos quadrados grandes e magra.

— Então, como você está? Me fale de você!

— Estou indo, o diretor Valentin não te contou nada?

— Apenas me contatou para agendar sua consulta.

— Ah!

— Então, como você está?

— Estou ótimo, afastei mais uma pessoa! Falta mais uma para completar cinco!

— E você acha que afasta as pessoas?

— É certeza.

— Isso deve pelo que?

— Não tenho pais, e depois do orfanato as mais importantes eu magoei ou fui magoado.

— Então o fato de não saber sobre seus pais te incomoda?

— Nem tanto como antes, fui um saco quando criança, e depois quando recebi esse relógio, eu deixo para trás a maioria das vezes, mas a pergunta ainda volta, morreram? Me abandonaram?

— Medo de abandono.

— Talvez. — Elliot disse isso desviando o olhar, Sandra apenas abaixou a cabeça e olhou para ele com os óculos abaixo dos olhos.

— Você tem esse medo baseado no abandono ou falecimento de seus pais, é um medo sem base.

— Hum, mas...

— Você não sabe o que aconteceu, e pode não saber nunca, e ficar imaginando o que poderia ter sido, não te leva a lugar algum.

— Ah! — O olhar de Sandra era penetrante.

— Então, eu estive errado?

— Em que Elliot?

— Em ter feito o que eu fiz com as pessoas?

— O que você fez com as pessoas?

— Eu afastei elas.

— Foi você mesmo? Ou elas afastaram você? — Elliot ficou pensativo sobre isso.

— Eu não sei.

— Ficar se culpando por todas as coisas só vai deixar você com um peso que não tem sentido.

— Mas minhas ações podem influenciar?

— Sim, podem mas a ação de se afastar de alguém na maioria das vezes, sempre vai da pessoa que se afasta. — Novamente Elliot ficou em silêncio pensando.

— Agora, porque pensar que você afastou essas pessoas?

— Bom, é que eu magoei algumas pessoas, ontem principalmente.

— O que aconteceu? — Elliot contou detalhadamente, desde a volta do orfanato, a Maya o beijando ao momento em que tentou dar um tapa em sua cara e sair batendo a porta. — Entendo. — Falou Sandra colocando as mãos no rosto com os indicadores um pouco abaixo do nariz.

— Mas se você não estava à vontade com o que ela fez, deveria ter continuado apenas para ela continuar em sua vida?

— Não!

— Então você fez certo, limpe a consciência Elliot. Agora eu tenho que ir, tenho muitas coisas para fazer, mas semana que vem estarei aqui, e toma meu cartão, me ligue se precisar, e calma! Ela se aproximou e Elliot a abraçou, ele saiu e voltou para sua casa, estava animado com a faculdade, olhou sua rede social e decidiu conversar com Jaqueline:

— Oi.

— Olá, tudo bom?

— Estou bem, e você?

— Estou ótima, então como vai poeta?

— Animado, não ando sendo muito poeta estes dias. E você poetisa?

— Trabalhando muito, com o que anda animado?

— Primeiro dia de faculdade.

— Que legal, qual o curso?

— Física.

— Você é louco!

— Eu estou começando a achar que sim, a humanidade é horrível “hahaha”.

— Então talvez eu seja louca também!

— Concorda comigo?

— Talvez, em alguns aspectos a humanidade é sim horrível, mas em outras ela ainda é boa.

— Ainda espero encontrar bondade nas pessoas.

— Quem sabe não encontra em mim, poeta?

— Quem sabe, as últimas tentativas não foram muito boas.

— Sinto muito, acredito que todos têm experiências ruins.

— Verdade, mas percebo que grande parte decide adotar a postura de frieza emocional, não se importar com outros.

— Realmente. Mas e você?

— Acredito que a resposta está no amor, mas falam tanto que o significado foi perdido, mudado e adulterado.

— Interessante sua visão, e concordo.

— Obrigado, sábia decisão hahaha.

— E de onde você é?

— Eu sempre morei aqui, mas se nasci aqui não sei dizer, sempre morei no orfanato.

— Ah! Que legal.

— É.

— Como foi morar lá?

— Não estou a fim de falar sobre isso hoje. Desculpe.

— Tudo bem. Eu tenho que ir, estou chegando no meu trabalho.

— Bom serviço.

— Obrigada.

Elliot preparou seu almoço, e decidiu ver algum filme, pesquisar empregos e videogames. Quando deu a hora se arrumou, e foi para a faculdade. Ao achar sua sala, tinha em torno de 80 alunos, a grande maioria homens, e meninas espalhadas, sentou-se no meio da sala. O professor chegou explicando as matérias que teriam no semestre, e logo começou a passar o básico, Elliot sentiu-se bem consigo mesmo por não ter dificuldade alguma. A noite passou tranquilamente na aula sentindo-se bem por não haver dificuldades nenhuma. Ao sair da aula e voltar para sua casa escreveu:

“Apenas três coisas

Fazem me sentir bem

E leve

Estar digitando

E contemplar

O poema sendo formado

Depois de tê-lo

Visualizado

Ter a caneta na mão

E escrever versos

De forma tão manual

E sentir as palavras

Vindo de mim

Como se a tinta

Fosse meu próprio ser

E números

Tudo tão exato

Diferente

Das estranhezas e sentimentos

Viajante do Tempo”

Voltou para casa, e dormiu tranquilamente. VI

O resto dos dias na faculdade estava ótimo, entendia toda a matéria de forma clara, e simples. Jaqueline estava se mostrando uma pessoa ótima para manter a amizade, Maya sumira de vista de sua vida. Ao chegar final de semana, decidiu ir em outro grupo de poesias, “o sol atrás do pássaro azul” e decidiu se apresentar, nesse grupo havia mais meninas que meninos, mas conseguiu emocionar ao recitar um poema feito no orfanato após os acontecimentos com Kate e Alcides:

“Sacrifícios

O amor exige

E eu assim o fiz

Sacrifiquei meu ser

Minha sanidade

Por teu amor

Ganhei veneno

E para o teu amor

Eu fui sacrificado

Para amar

Não a mim

Mas meu irmão

Homicídio conjunto

A alegria de vocês dois

Tem como fundamento

Meu coração inteiro

Viajante do Tempo”

Foi bem aplaudido, depois algumas meninas recitaram poemas, algumas praticamente relataram sua vida sexual com alguém e isso incomodou, ao final da reunião que foi à tarde, uma jovem chamada Alice, ela era linda, olhos pretos, cabelos escuros e lisos, magra, mas com corpo formoso, ela apertou suas mãos dizendo:

— Seu poema é lindo, adorei.

— Obrigado, me chamo Elliot.

— Alice, prazer.

— E o que você gosta de fazer Alice?

— Vim aqui para matar tempo, vou sair com meus amigos depois, comemorar meu aniversário.

— Ah! Meus parabéns. Aqui, um minuto está bem, não se mexa. — Elliot escreveu um pequeno poema de duas estrofes, arrancou de seu boco e a entregou. — Feliz Aniversário. — Ela leu e sorriu.

— Muito obrigado, eu tenho que ir, quem sabe nos falamos depois, aqui meu número. — Ela escreveu no bloquinho. E foi embora. Ele fez um pequeno social e depois foi para o clube dos escritores, tentou recitar novamente um poema, mas dessa vez não tinha muitas pessoas, porém ao ver que Suzana iria recitar, todos foram para lá, e depois para alguém que estava a mais tempo no clube. Foi embora e foi para a caverna do poeta, apenas para olhar, e Jaqueline, logo que pode foi conversar com ela:

— E ai, poetisa!

— Oi Elliot? Como você está?

— Estou bem e você?

— Ótima, não vai recitar nada hoje?

— Não, e você?

— Estou sem ideias, mas ouvi que no início você era bem frequente em recitar.

— Realmente, mas comecei a faculdade então meu foco é nela.

— Ah sim, e o que achou?

— Adorei, por enquanto entendi tudo que foi passado mas é a primeira semana apenas.

— Entendo, e você trabalha com o que?

— Sou garçonete em um restaurante.

— Legal.

— Não muito, mas tenho meu dinheiro.

— Isso é o que importa. — Eles sorriram.

— Estou tentando ver se junto para viajar.

— Que legal, algum destino em mente?

— Ainda não sei, mas algum lugar longe da minha família já é bom, tenho oito irmãos.

— Eita! Não vou dizer que entendo porque realmente, não.

— Ah sim, você ficou muito sozinho no orfanato?

— Não, eu tinha os outros órfãos que foi como crescer com irmãos, e Dona Lourdes e o professor Marcos que ficaram mais próximo de mim ao longo dos anos.

— Que legal, ainda mantém contato? — Eles começaram a andar para fora do local.

— Sim, passei o fim de ano com eles e fiquei até eu mudar para meu novo apartamento.

— Que legal, então foi bom?

— Foi melhor que o último, mas o problema é que não estava com todos que eu estava acostumado então foi meio decepcionante.

— Entendo, e os outros com quem você tinha contato?

— Perdi, principalmente com quem eu achava que fosse meu melhor amigo.

— O que houve?

— Ele agiu pelas minhas costas mentindo para ficar com minha ex-namorada.

— Ah! Sinto muito.

— Tudo bem, ainda estou superando isso.

— Qualquer coisa estou aqui!

— Obrigado. — Andaram até o ponto de ônibus em silêncio, e depois cada um foi para sua casa em ônibus diferentes.

Ao chegar em casa mandou mensagem para Alice e foi dormir. Domingo estava lá, e não havia resposta de Alice, pensou que talvez ela demorasse para responder. Passou o domingo tranquilamente, fazendo suas coisas e decidindo em ir a alguma igreja. O culto acabou sendo apenas uma variação de prosperidades por dinheiro, e que Deus vai te dar uma vida melhor sem problemas algum, Elliot saiu mais cedo por saber que não é assim que o evangelho funciona. Voltou para casa, começou a assistir uma série chamada “como eu conheci sua mãe” e depois de dois episódios, ele dormiu.

Na segunda-feira Alice mandou mensagem:

— Oi, desculpa estava longe com meus amigos.

— Bom dia, tudo tranquilo, como foi?

— Foi bem, me diverti bastante, bebi, dancei.

— E o seu final de semana?

— Foi bom, nada demais.

— Entendo.

— E você gosta de fazer o que?

— Gosto de ver futebol, sou fascinada pelo Corinthians! Qual time você torce?

— Ah! Eu nunca liguei para futebol.

— Que estranho, difícil isso.

— Acontece.

— O que você faz da vida poeta?

— Comecei minha faculdade de física, e você?

— Apenas procurando trabalho, e física? Exatas, você é maluco.

— Todos dizem isso, mas eu tenho facilidade.

— Eu sou péssima com matemática!

— Tudo é uma questão de identificação.

— Entendo, ainda não sei o que quero fazer de faculdade.

— Isso acontece, que eu saiba é normal entre os jovens das escolas públicas, e particulares.

— E você é de qual escola?

— Eu cresci no orfanato.

— Eita!

— A maioria das pessoas reagem desse jeito. — Ela parou de responder, e Elliot foi cuidar de suas coisas.

A noite foi para a faculdade e ficou novamente feliz por não ter dificuldade alguma com a matéria. No intervalo fez um pequeno social com algumas pessoas, e logo voltou para a aula. No dia seguinte estava pronto logo cedo para sua consulta com Sandra. Ao chegar lá, esperou Sandra abrir a porta sorrindo e novamente.

— Como você está jovem?

— Estou bem. — Os dois se sentaram.

— Eu comecei a faculdade semana passada e estou tranquilo por estar tendo facilidade total com as matérias, até agora.

— Isso é bom.

— E estou me sentindo melhor sobre Maya.

— Retirou o peso, então?

— Existem coisas que eu fiz, que eu sei que foram consequências de meus atos. — Elliot contou a história entre Jennifer e ele, Sandra se inclinou na poltrona colocando a mão na cara.

— Uma garota que você gosta te beija, e depois você pensa se ela realmente gosta de você?

— Eu não queria que desse errado. — O olhar de Sandra com as sobrancelhas erguidas dizia o óbvio.

— Eu sei disso agora.

— Agora porque se submeteu tanto a Kate? Ela te puxava para lá e cá, e você ia, quem é essa pessoa? — Elliot ficou em silêncio. — Seu amigo, fez errado, fez sim! Mas olhe para a frente, e não se submeta a essas coisas, você é especial, merece tão pouco?

— Não!

— Então se valorize! Agora a sessão acabou, te vejo daqui a duas semanas pois a próxima é carnaval. Cuide-se. — Eles se abraçaram e Elliot voltou para sua casa, todos os dias da semana foram tranquilos, mantendo conversas entre Jaqueline e Alice.

Chegou no sábado, algo começara a se mover dentro de Elliot, a sensação de não pertencimento, detestava o carnaval, na época do orfanato era apenas a indiferença, mas depois que passou a morar na cidade, passou a detestar. Não haveria nenhum grupo ou reunião de poesias, então tentou mandar mensagens e quem sabe talvez conseguir escapar daquela semana.

— Oi, tudo bom Jaque?

— Sim, e você?

— Estou mais ou menos, detesto o carnaval.

— Eu também não gosto, vai fazer alguma coisa?

— Queria saber de você, quem sabe conseguiríamos fugir juntos. Rsrsrs

— Não vou participar mas ficarei em casa, família grande, oito irmãos.

— Eita! Então só sobrou eu, detesto essa data.

— Entendo, lamento, depois podemos conversar se quiser.

— Claro.

Tentou mandar mensagem para Alice:

— Oi, tudo bem? Você vai fazer algo essa semana?

— Oi, estou bem sim, então, vou curtir o carnaval e você?

— Ah! Nada não! Elliot se sentiu sozinho, e fora de lugar.

“Eu não entendo

Todos comemoram

Algo tão vazio

O amor é deixado

Os prazeres vazios

Celebrados

Uma violência contra a alma

Quando choram

Pela falta de amor

Deveriam lembrar

Que nunca o viveram

E celebram

A falta do mesmo

Viajante do Tempo”

Foi uma semana longa para Elliot, se afastava das redes sociais, e apenas conversava um pouco com Jaqueline, e tentava estudar cada vez mais sobre as matérias da faculdade, embora fosse uma semana, para Elliot, parecia setenta anos.

“Os dias são longos

E solitários

Mais do que os normais

Estranha necessidade do

Ser humano

Em festejar algo

Que excluí algo duradouro

E festeja o momento

Beber até perder a consciência

E as inibições

E fazer coisas

Que normalmente se arrependeriam

Colocam todos os tipos de drogas

Fazem do corpo

Um parque de diversões

E depois

Proclamam falsamente

Em alto e bom som

Que se amam

E que procuram amor

Parece que apenas eu

Percebo isso

Viajante do Tempo”

— Adorei, você não está errado Elliot. — Falou Jaqueline.

— Obrigado. Eu não tinha noção de como eram as coisas.

— Do carnaval?

— Sim, é horrível, e sei lá, parece um açougue e todos são pedaços de carne.

— Não discordo.

— Nos outros dois anos eu ainda tinha Alcides para passar o tempo se divertindo comigo, agora estou sozinho.

— O que aconteceu com esse amigo seu?

— Ele mentiu para mim e ficou com minha ex-namorada, do qual não me deixava seguir em frente e nem queria ficar comigo.

— Sinto muito.

— Eu já estou lidando melhor com isso, é que antes eu quase entrei em depressão pelo trabalho que tinha ficado em Belo Horizonte, não falava com ninguém, três meses sozinho, ai voltei com saudade da minha ex e foi um fiasco emocional.

— Entendo, meu ex-namorado foi um babaca, ele fez eu me apegar e sumiu.

— Sinto muito.

— Obrigado Elliot.

Alice estava ocupada se divertindo no carnaval. A semana passou e logo pode voltar a faculdade. Logo foi terça-feira e foi para a terapia, e estava se sentindo bem com isso.

— Como foi o carnaval Elliot?

— Detesto carnaval.

— Porque?

— A maioria das pessoas pensam que é algum tipo de proibição religiosa, e nem tentam entender, e eu odeio isso.

— Eu sou cristã como você, e entendo, mas explique o além disso.

— É como estar em um local que não deveria, entende? Só que o local é mais temporal, então, tipo um peixe na árvore. — Sandra sorriu, e colocou a mão no queixo.

— Costuma ser um peixe fora d’agua, mas você fez questão de colocar algo mais longe para representar o quão distante você se sente. E isso te afeta muito?

— Sim.

— Não acha que não deveria?

— Normalmente eu me sinto sozinho, mas quando vejo essas coisas é ficar mais sozinho, como se não houve alguém que me entendesse.

— Está bem, mas o que vamos trabalhar aqui Elliot é como não ser atingido por isso, se proteger. — Elliot ficou em silêncio. — As pessoas são diferentes, e mesmo que você diga que já sentia isso no orfanato, lá existia seus “irmãos” que compartilhavam algo em comum, aqui você não está encontrando isso.

— Realmente, não encontro.

— É aprender a conviver com isso Elliot. O tempo acabou, foque nas suas coisas e semana que vem estamos de volta.

— Obrigado. — Ele saiu e foi para mais uma aula satisfatória. A noite voltando para casa Alice mandou mensagem:

— Oi, como foi seu carnaval?

— Eu detesto carnaval!

— Porque? Você é crente por acaso? Hahah

— Eu sou, qual o problema com ser cristão? — Ela mandou um emoji de vergonha.

— É que vocês são tão restritivos, a igreja não permite nada.

— Primeiro, não é a igreja que proíbe, é uma questão de eu não gostar, segundo "Tudo me é permitido", mas nem tudo convém. "Tudo me é permitido", mas eu não deixarei que nada me domine”. Eu não gosto, e segundo eu deixo de fazer coisas por Cristo, não pela igreja. Antes de falar, pergunte ou apenas não fale.

— Desculpa. — Eles ficaram sem se falar por um tempo.

Na semana seguinte, a faculdade começou a falar das provas, mas Elliot estava confiante, e tudo ia bem, na medida do possível. Março começou e as coisas pareciam bem entre Elliot e as pessoas ao seu redor.

— E então, como você está Elliot?

— Estou bem, as provas da faculdade parece que vai começar no final deste mês.

— E você tem estudado?

— Não vejo dificuldade nas matérias.

— Que bom.

— A maior dificuldade são pessoas.

— O que houve? — Perguntou Sandra.

— Alice não fala mais comigo desde que me defendi dela ter me insultado por eu ser cristão.

— E você se culpa?

— Não, ela falou idiotice, eu apenas expliquei e me defendi.

— Então, qual o problema?

— Eu gosto de falar com ela.

— Então porque não fala?

— Desde aquele dia ela não me respondeu mais.

— Mas ela que estava errada, o que você pode fazer?

— Eu não entendo as pessoas.

— Porque pessoas são mais do que o que você viveu no orfanato e com certeza mais do que números.

— Eu entendo, na verdade não, mas é difícil.

— Aceitar que as pessoas são diferentes de você é o começo, e as pessoas são mimadas e até mesquinhas com coisas assim.

— Mas ela que me ofendeu.

— Sim, bem-vindo ao mundo real. — Elliot colocou a mão na cara.

— As pessoas se preocupam mais em ter razão do que a pessoa.

— Porque?

— Porque não aprendem a valorizar, e são arrogantes.

— E como eu encontro um amor para ter uma família?

— Com o tempo certo, e amadurecimento, no momento foque em você.

— Eu estou, e estou me dando bem com Jaqueline. E os grupos de poesias são legais, exceto o clube de autores.

— Porque?

— Parece que o único jeito de ser reconhecido lá, e puxar-saco dos outros, invés de terem o reconhecimento pelos textos em si.

— E você?

— É como se eu nem estivesse ali, e Suzana Amorosa, é mais para Suzana Arrogante.

— Quem é essa?

— Alguém que conheci logo que mudei para cá, me confrontava sobre meu jeito de ser, e antigamente era amorosa, agora não.

— Esse era o nome dela?

— Assinatura artística.

— Entendi. Bom, o tempo acabou, mas voltamos semana que vem.Eles se levantaram e Elliot foi para sua casa. A semana passou rápido, e decidiu falar com Alice:

— Oi, você está chateada?

— Oi, não, não, eu que falei coisa errada, me desculpe.

— Está tudo bem, você tem alguma novidade?

— Voltei a namorar com meu ex- namorado e me sinto feliz.

— Que ótimo.

— Nos conhecemos desde a escola, passamos por um momento ruim, mas nossos amigos ajudaram.

— Que ótimo.

— Realmente. — Elliot não sabia como responder, então apenas não disse mais nada.

No final de semana foi para o sol atrás do pássaro azul, apenas assistiu e sentou-se do lado de uma jovem, ele tomou coragem e começou a conversar com ela:

— Oi, tudo bom?

— Oi, estou bem e você?

— Estou bem, você vem muito aqui?

— Até que não muito e você?

— Comecei recentemente, me chamo Elliot, prazer!

— Taina, prazer.

— Eu nunca fui de vir muito a essas coisas, apenas vi um poema na internet e vinha daqui, e você?

— Eu vinha bastante há um ano, agora diminui.

— Então você é de humanas, certo?

— Não. — Elliot deu uma risada amigável.

— Você é de exatas?! — Perguntou Taina assustada.

— Primeiro semestre de física!

— Uau, nunca vi alguém de exatas aqui e que escrevesse poesias também.

— Então você me viu recitando poesia?

— Sim, você é bom, eu tentei escrever mas nada tão bom quanto você.

— Não tem que se comparar comigo poxa, cada pessoa é diferente.

— Entendi.

— O que você faz Taina?

— No momento apenas moro com meus pais.

— Entendo...

— Mas daqui a duas semanas vou visitar outra cidade para visitar a faculdade de química que quero fazer, não encontrei pela cidade aqui.

— Ah sim, legal.

— Quer comer alguma coisa semana que vem? Ou agora?

— Pode ser semana que vem?

— Claro!

Eles assistiram as apresentações e trocaram números, Elliot ficou animado, e voltou para casa animado, indo conversar com Jaqueline:

— Oi! Como você está?

— Não muito bem Elliot, e você?

— Estou bem, o que houve?

— Meu ex-namorado voltou, e tá tentando falar comigo, eu estou mal, ele simplesmente sumiu depois de dizer que me ama, e só passou três meses, isso me afeta.

— Eu entendo, sinto muito. Se quiser conversar.

— Não obrigado, e você, alguma novidade?

— Eu convidei uma garota para sair, e vou marcar com ela semana que vem.

— Espero que dê tudo certo para você Elliot, merece alguém legal.

— Obrigado.

— Eu vou tentar descansar, beijos.

— Se precisar de mim, só chamar. — Jaqueline não respondeu.

O final de semana passou, Elliot apenas mandou mensagem para marcar algo com Taina no sábado, após isso começou a estudar. Observava de longe Alice com seu namorado e estranhava. Outra sessão com Sandra:

— Como foi sua semana menino?

— Foi ótima, eu conheci uma menina nova, e parece que vamos sair sábado.

— Isso é ótimo, vá devagar, você é legal, bonito, seja paciente.

— Sim, estou tentando me controlar. — Sandra sorriu. — Só é complicado, eu penso se disse algo errado, se assustei, no que devo ou não devo dizer.

— Meu Deus menino! — Ela abriu a boca chocada. — Porque? Seja você mesmo, para que se propor a todo este inferno.

— Eu não sei, eu tenho medo de...

— De quê?! — Interrompeu Sandra. — Se a pessoa não gostou de você, porque ir atrás? Tem que acontecer natural Elliot, não tem como todos seguirem o seu roteiro de vida, ou no encontro.

— Eu sei.

— Já falamos sobre esse seu medo de abandono, é baseado no princípio que seus pais o abandonaram, mas você não sabe, apenas aprenda a viver sem isso, e se proteja, mas se arrisque sem esperar que sigam esse roteiro.

— Eu estou tentando, apenas é difícil me acostumar com as pessoas.

— Em que sentido?

— Eles falam de aceitarem pessoas diferentes, mas no final a primeira coisa que fazem é afastar ou tentar fazer com que fiquem igual a eles. E eu continuo sozinho.

— Eu entendo, mas tudo tem seu tempo, e vai com calma.

— Estou indo com calma.

— Então continue, um passo de cada vez, e olhe suas conquistas, você é um ótimo aluno no curso que você quer.

— Isso é verdade.

— Muitos ainda não sabem o que querem e muito menos conseguiram uma faculdade.

— É.

— A grama do vizinho é sempre mais verde. Apenas olhe para si Elliot, e reconheça as coisas boas que você tem e é.

— Obrigado.

— Hora de encerrar, fique bem menino, e qualquer coisa, estou aqui.

Elliot saiu, e teve seu dia tranquilamente, na faculdade todos se preparavam para as provas, e tentaram juntar-se a Elliot para os estudos, porém este se recusou. O final de semana chegou e Taina saiu com Elliot, foram comer esfiha.

— E como foi sua semana?

— Foi ótima, e a sua?

— Tranquila, o que você fez de bom?

— Assisti Star Wars de novo, e você?

— Você gosta de Star Wars! Que legal! Eu fiquei estudando, provas começam semana que vem.

— E você não devia estar estudando? Eu adoro Star Wars, assisto desde criança, e você?

— Eu estou tranquilo, tenho bastante facilidade com as matérias. E eu adoro Star Wars também, lembro quando meu professor Marcos me mostrou os filmes, eu adorei, assisto todo ano.

— Que legal, seus pais não gostam de Star Wars? Porque os meus não ligam, assisti com meus irmãos. Elliot olhou para os lados e sorriu tristemente.

— Eu... Hã.... Não conheço meus pais. Eu ... Cresci no orfanato.

— Ah, entendo, desculpe.

— Tudo bem, você não sabia. Mas enfim... — Falou recuperando a compostura. — Qual seu personagem favorito de Star Wars?

— Obi Wan, e você?

— Anakin/Darth Vader.

— Sério? O vilão?

— Sim! — A conversa rendeu por muito tempo.

— Eu quero fazer Química, entende, e vou ter que ir para outra cidade para isso.

— Entendo, eu consegui por que o diretor do orfanato me ajudou.

— Que bom! E está gostando?

— Eu adoro, é fascinante e está apenas no começo.

— E você gosta de cálculos?

— Mais fácil de lidar que a humanidade.

— Mas você não escreve poemas?

— Sim, o orfanato sempre ensinava poesias, todos sabem escrever, eu tenho facilidade com os dois, é que ultimamente não encontro nada que me faça querer escrever.

— E sobre o que você gosta de escrever?

— Amor! Ter uma musa! — Elliot sorriu para Tainá. Ela era alta, um 1,70, cabelos pretos, pouco escorridos, olhos pretos, era branca, a ponto de conseguir ver as veias.

— Entendo! — Ela sorriu. Eles pagaram as contas e saíra, esperaram do lado de fora pelo Uber.

— Eu adorei Elliot!

— Eu também, você é incrível. — Elliot ousadamente se aproximou e Tainá retribuiu, tendo assim um beijo. Na mente de Elliot havia paz, e em seu coração, alegria. Taina voltou para sua casa de Uber, e Elliot voltou para a dele. Ao chegar em casa escreveu:

“Seu beijo

Foi como

Ter um raio de sol

Dissipando as nuvens

Afastando a tempestade

Foi harmonia

Em seus lábios

Senti o sabor da poesia

Viajante do Tempo”

Escrito isso, ele enviou para Taina o poema e uma mensagem dizendo que adorou passar a noite com ela, e que mal podia esperar para que pudessem se reencontrar. Dormiu e no outro dia ela tinha deixado uma mensagem:

“Oi, nossa amei a poesia, e eu também queria muito poder sair com você de novo, mas houve um problema e terei que viajar mais cedo para a faculdade, e ficar de uma vez por lá, quem sabe a gente não vai se falando e se encontra quando eu voltar”. Elliot ficou triste, mas se recompôs e voltou a estudar, a noite escreveu uma mensagem dizendo que estava tudo bem, desejou uma boa viagem e antes de dormir, escreveu:

“A alegria

Companhia

Parecem fugir de mim

A paz que parecia

Adquirir

Com a companhia

Parte para longe

E eu escondo tudo

Para poder ter foco

Na chance de ter mais

Do que hoje

E que alguém

Venha e fique

Viajante do Tempo”

VII

Segunda-feira, primeira prova da faculdade, Elliot a faz com tranquilidade e é o primeiro a terminar e a sair da sala. Terça-feira de manhã:

— Como você está menino?

— Estou bem, eu acho.

— O que houve?

— Sábado eu tive um encontro incrível, nos demos bem, foi divertido, nos beijamos, escrevi um poema e ela adorou, e no outro dia... Ela foi para outra cidade estudar mais cedo.

— E isso afetou você?

— Sim, mas não para eu não estudar ou ir mal nas provas.

— Que bom.

— Mas parecia que eu teria alguém, eu tive por uma noite.

— Calma garoto! E você está como com ela?

— Disse para irmos nos falando, mas estou mais afastado das redes sociais para focar nos estudos.

— Isso é ótimo, mantenha o foco.

— E eu gosto dela, mas hoje em dia só manter contato não basta, ela deve conhecer gente por lá, então, acho que ficar esperando para ela voltar para ter um relacionamento só daria em nada.

— Realmente, então vai se manter aberto para conhecer pessoas?

— Não estou pensando nisso no momento, meu foco são as provas, ainda estou preocupado com minha amiga que o ex-namorado apareceu do nada, e sei bem como é, se a Kate aparecesse do nada eu ficaria péssimo, porque era isso que ela fazia.

— Já falamos sobre Kate, e esquece ela!! Quem era essa louca? Agora sobre sua amiga, você só pode ajudar se ela quiser, nada mais que isso. E paciência Elliot, continue focando nos seus estudos, sei que você vai longe. Por hoje encerramos.

— Está bem, obrigado.

— Foco menino, e paciência!!

Elliot voltou para sua casa e voltou a estudar, a semana toda Elliot era o primeiro a sair e era incrivelmente confiante, e quando chegou sexta-feira pode descansar e tentou voltar a falar com Jaqueline para saber como ela estava:

— Como você está?

— Um pouco melhor, e você?

— Eu tive meu encontro, ela foi para outra cidade por causa da faculdade, e terminei minha semana de provas.

— Porque ela foi para outra cidade?

— Por causa da faculdade, depois de uma noite incrível e um beijo do paraíso.

— HAHAHA, beijo do paraíso, essa foi boa, mas ela vai voltar?

— Nas férias dela, pensei ter encontrado alguém.

— Calma, vai dar certo, você vai esperar por ela?

— Não sei se isso é possível, por mais que eu tenha gostado dela e ela tenha demonstrado isso, não foi marcado compromisso entre nós, esperar que ela tenha um só me deixaria mal, então apenas vou manter contato e ver onde vai dar mas me manter aberto a conhecer alguém por aqui.

— Hummmm, boa, está certo.

— E passei a semana estudando para as provas, por isso fiquei longe das redes sociais, sei que sentiu minha falta, mas estou de volta.

— Seu convencido hahah.

— Não vi você negar.

— Ah!

— Sabia!!!

— Está bem, você faz falta sim, gosto de conversar com você.

— É recíproco, eu vou descansar, amanhã se quiser sair comigo para espairecer.

— Vou penar, amanhã eu te falo, pode ser?

— Pode sim, obrigado! — Após essa conversa Elliot dormiu.

Na manhã seguinte Jaqueline mandou mensagem dizendo que gostaria de sair com ele, os dois saíram para um shopping e comeram lanches:

— Então, como você está?

— Um pouco melhor, eu tomei coragem e bloqueei meu ex-namorado.

— Que bom, eu fiz isso nos dias que aconteceram os eventos que me fizeram voltar ao meu orfanato.

— Que bom. E já superou tudo isso?

— Sim, eu só me sinto muito sozinho.

— Porque?

— Nós órfãos que crescemos com outras crianças sem pais, temos pessoas que representam o papel de um pai e uma mãe, mas não são, e quando crescemos nós buscamos ter pessoas perto e até mesmo uma família, eu ainda mais por ser romântico, e conheci algumas pessoas e até vi na internet outros que tiveram família e buscam o mesmo, e é frustrante o quanto isso é considerado estranho atualmente.

— Entendo, se apaixonar é um risco, eu e muitos nos apaixonamos na adolescência e ficamos, namoramos ou alguns apenas curtem. Eu entendo você Elliot.

— Eu me sinto um peixe na árvore, é horrível, mas pelo menos tenho livros e filmes, e se tudo der errado, posso me tornar um super vilão.

— Hahaha, e o que vai fazer?

— Drácula queria matar todo mundo, talvez algo nisso ou governar a galáxia como imperador Palpatine.

— Me deixe viva na primeira opção e na segunda, não me faça mal.

— Não farei, se eu for o Drácula pode ter certeza, que você será minha Condessa. — Elliot pegou a mão de Jaqueline na mesa e a beijou. Jaqueline ficou sem graça e riu, assim como Elliot achou engraçado.

— Opa, — ela riu. — Aí sim. Seu bobo. — Eles se levantaram pois terminaram de comer, e foram sentar em um banco do shopping.

— Obrigado por hoje, me fez ficar melhor.

— Estou aqui para isso minha Condessa, ou imperatriz. — Elliot sorriu maliciosamente, e abaixou o rosto, levantando as sobrancelhas como um vilão. Ela riu muito.

— Está bem, em qualquer caso serei sua imperatriz ou condessa. Seu bobo.

— Eu te ajudando a ficar melhor, e eu sou bobo? Que crueldade.

— Nossa, só falei uma verdade.

— Não é verdade, eu estou feliz, só isso.

— Então você feliz é ser bobo e fingir ser um vilão?

— Ser feliz é estar bem acompanhado e poder ter uma Condessa. — Ela sorriu e ficou um pouco vermelha. Eles se olharam em silêncio, e voltaram a conversar até cada um voltar a sua casa no início da noite, ao se despedirem apenas se abraçaram calorosamente. Ao chegar Elliot escreveu:

“Sua companhia doce

Seu sorriso brilhante

Sua amizade intensidade

Como foi bom ver-te sorrir

E conversar

Ouvir todas as minhas bobeiras

E o abraço no final

Tão aconchegante

Como um lar belo

E ambulante”

Viajante do Tempo.

Enviou para ela, e foi dormir. Jaqueline não viu o poema, mas Taina mandou mensagem avisando que havia chegado na cidade, e conversaram normalmente, Elliot conseguiu fazer ela rir bastante. Segunda-feira Jaqueline leu o poema e o agradeceu, dizendo que adorou e que iria guardar com muito carinho. A noite na faculdade Elliot viu suas notas e ficou muito alegre por ele ter sido o aluno com as melhores notas da sala, e muitos perguntaram como ele conseguiu, ele apenas sorria humildemente dizendo que ele sempre teve facilidade com cálculos, após a aula do professor Alexandre que também era o coordenador do curso pediu para ele ficar na sala e que queria conversar, os alunos que ouviram começaram a perguntar se Elliot havia colado e sido pego.

— Então Elliot, você foi incrivelmente bem nas provas, todos os professores falam que você é um ótimo aluno e entende as matérias, e acredito que seja verdade.

— Bom, eu não colei nas provas se é o que quer saber, e eu tenho facilidade com cálculos.

— Entendo, você realmente tem, não estou acusando você de cola nas provas, quero oferecer um estágio remunerado da faculdade. — Elliot ficou sem reação e de boca aberta.

— Eu... Não... Sei, bem o que dizer. — Reclinou-se na carteira ainda incrédulo.

— Ora, você é um gênio, já vimos isso, apenas aceite, fazemos vários tipos de pesquisa na área de física, e temos alguns brinquedos legais.

— Sim, sim!

— Ótimo, pode vir amanhã de manhã?

— Que horas?

— As nove!

— Pode ser as dez? As nove tenho consulta com minha psicóloga.

— Não sabia que passava em uma.

— Passei por momentos difíceis e quase entrei em depressão.

— Entendo. Combinado. — Apertaram as mãos e saíram juntos da faculdade conversando. Alexandre tinha uma barba rala e grisalha, com seus 47 anos, e cabelos pretos começando a ter fios brancos, e curtos, 1,68 de altura e nem magro nem gordo. Elliot foi para casa muito feliz, Deus parecia ter começado a abençoa-lo.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Entenderam as diferenças?

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