Ramificações de um Poeta (Terminado)
Lobo Negro Johny
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 10/01/24 03:39
Editado: 07/04/24 14:51
Qtd. de Capítulos: 9
Cap. Postado: 22/02/24 14:05
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 40min a 54min
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Ramificações de um Poeta
Capítulo 7 Ato VII

Ato VII

— Onde estou? Quem é você?

— Você em lugar algum, e eu salvei você além de que você tentou passar por mim.

— Não respondeu à pergunta. — Era um lugar escuro com pouca luz e parecia que eu estava flutuando, era um homem que aparentava estar entre 30 a 40 anos com smoking, uma bengala e seus olhos claros pareciam ter ponteiros formando um relógio, parecia até um olho mecânico, cabelos grisalhos e uma barba curta completamente branca.

— Eu respondi, porém você não prestou atenção.

— Como assim? — Ele me aplaudiu em um ato que parecia sarcasmo.

— Sabe muitos tentaram, fazem pesquisas para viajar através de mim. O olhar levantando as sobrancelhas parecia querer me dizer algo. — Meu Deus!

— Você...é o....?!

— Finalmente caiu a ficha não é?

— Uma pessoa? Nunca imaginaríamos...

— Sim! Mas não sou uma pessoa, sou algo vivo, e posso ter uma forma corpórea, enfim garoto, tantos tentaram e tentarão, mas nunca me interessei em permitir, mas você é diferente, sua motivação é intrigante.

— O que?! Eu estava surpreso, ele falava e até então não tinha certeza se era um sonho ou realidade. E...

— Isso é real, então foque no que quero dizer... Sua motivação é amor, certo? — Apenas acenei com a cabeça que sim! — Porque você ama alguém e precisa impedir que algo ruim aconteça? Ou porque alguém te ama e não consegue ficar junto? Ou... PORQUE VOCÊ QUER SER AMADO?

— Eu não consigo viver aqui, uma pessoa me ama, mas devido ao seu passado não consegue estar comigo.

— E por isso você quer viajar pelo tempo para resolver isso? Que interessante! Você sabe o que precisa ser mudado?

— Mais ou menos, apenas tenho uma noção.

— Então em que ponto essa sua “missão” é amor e não egoísmo? — Eu não sabia o que responder enquanto ele começou a andar em minha direção e eu flutuando.

— Como sabe se isso vai melhorar a vida dela, e não a sua?

— Eu preciso tentar.

— É claro que precisa.

— As pessoas não amam e ferem quem ama, então se eu consertar isso com essa pessoa.

— Apenas com essa pessoa?

— Sim! Então você ama apenas ela?

— Eu entendo que mudanças podem ser catastróficas...

— Não! Não entende! Pode ter uma noção, mas é tudo levada por teses e teorias, nada comprovado pela pequena mente humana, se soubessem jamais tentariam isso, em uma tentativa de grandeza para satisfazer o ego.

— Eu não...

— Está querendo satisfazer o ego, eu sei humano. — Ele disse e se inclinou para perto de mim, enquanto eu ainda flutuava. — Formigas tentando fazer algo além de sua capacidade, além da compreensão, mas como eu disse você é diferente, a motivação é diferente, ou pelo menos acredito, quero acreditar que é diferente.

— O quanto você acredita?

— Não tudo mas o suficiente para isso. — Ele me puxou pela mão e então viu meu relógio saindo do meu bolso e flutuando, mas preso pela corrente em minha calça. — Você já tem! É idêntico ao meu relógio. — Ele o pegou. — Agora vai poder viajar apenas para o passado, e precisará voltar pra o seu presente, como se viajar a partir de agora para o passado, ao terminar precisa voltar onde você estava, recomendo que faça algo para não ser culpado pela explosão, e não mude coisas grandes, e jamais vá para o futuro. — Ele me entregou o relógio, deu dois passos para trás. — Não quebre essas regras, e não fique por aqui muito tempo!

Ele piscou com um sorriso no canto da boca, e os olhos dele pareciam que os ponteiros começaram a girar, e o corpo foi virando pó. Eu abri o relógio, e além dos ponteiros de segundos, minutos e hora, havia o ponteiro de dia e ano, e os números de anos e dias ficavam na parte fechada, antes de eu abrir o relógio, eu decidi voltar para alguns minutos antes da explosão e evitar que a culpa caísse sobre mim. Primeiramente voltei para minutos antes de eu entrar no laboratório e cumprimentar o segurança, porém algo que não fui informado, ao viajar no tempo, eu encontro com meu eu que não viajou, então quando vi de longe o meu eu que iria ligar a máquina vindo, decidi correr e levar o segurança em minha sala dizendo que precisava da ajuda dele para pegar um equipamento, por sorte ele não hesitou e veio comigo alterando o fato de que o segurança me viu e me cumprimentou, ao chegar na sala dei uma de João sem braço e disse que tiraram o equipamento pesado sem me avisar, e que ele estaria liberado, pedi desculpas e este segurança era simpático e “de boas” e apenas se retirou, enquanto meu outro eu ia para o laboratório, eu acompanhei o segurança e saí, e ao me afastar da porta viajei no tempo para o momento em que o segurança estava na minha sala, e desliguei as câmeras de segurança, e acabei com a energia dos monitores, assim me daria tempo pois o segurança teria que religar e daria tempo da explosão acontecer, e então três minutos antes da explosão fui para o salão de festa, e comecei a festejar com todos até o momento da explosão, o salão ficou sem luz após os tremores. O meu coordenador e meu chefe do estágio saíram correndo e eu fui atrás, os bombeiros foram acionados, e quando chegamos a destruição da máquina foi total.

— Alguém tentou iniciar a máquina. — Falou Howard.

— Sim, mas quem? — Indagou Alexandre.

— Temos imagens das câmeras? — Perguntei.

— Infelizmente não, alguém ou alguma falha fez os monitores e câmeras ficarem desligados por um determinado tempo até a explosão, estava religando na hora que ouvi o barulho e os tremores começaram.

— Você viu alguém entrando? — Alexandre perguntou.

— Só o Elliot veio aqui, mas ficou comigo o tempo todo e logo depois saiu para o salão.

— Eu pensei que havia um equipamento que precisava ser levado para concluir a esfera e pedia a ajuda dele, mas me enganei.

— Eita, mesmo em recesso você pensa no trabalho, sinto muito Elliot, sei que a sua pesquisa é importante e que estava mais ansioso que todos, mas iremos descobrir se o que aconteceu foi um acidente ou se alguém o causou e começaremos a ver outro lugar mais seguro, para recomeçarmos. — Falou Howard colocando a mão no meu ombro com um olhar de ternura.

— Obrigado, estava ansioso, porém nada posso fazer agora, mas contem comigo para o que precisarem.

— Pode ir Elliot, aproveite a festa. — Falou Alexandre.

— Feliz Natal a vocês e um feliz ano novo.

— Para você também. — Os dois disseram ao mesmo tempo enquanto iam falar com o bombeiro- chefe.

Fui para casa o mais rápido possível e decidir aonde eu iria no passado.

II

Eu cheguei em meu apartamento e antes de tomar qualquer decisão, refleti por horas, e a melhor decisão que tomei, para mudar algo seria logo após a saída de Tainá da cidade e quando saiu com Jaqueline no shopping. Eu voltei naquele dia, e me encontrei dormindo peguei meu celular e enviei uma mensagem para Jaqueline dizendo para nos encontrarmos na praça alguns minutos mais cedo, e ela aceitou, apaguei as mensagens dessa conversa, assim a minha versão do passado não interferirá. Ao chegarmos na praça, mudei o trajeto e apenas fomos para uma lanchonete. Ela estava tão linda.

— Você está estranho Elliot, o que aconteceu?

— Nada! É que você está linda!! — Ela estranhou e sorriu graciosamente.

— Obrigada!

— E também parece que faz um século que não te vejo.

— Eita! Mas não faz Elliot.

— Eu sei, é que me deparei com algo importante. — Ela se inclinou para mais perto de mim na mesa enquanto olhava para meus olhos.

— Eu gosto de você, não da Taina. — Nesse momento foi para trás quase pulando e se reclinando na cabeça.

— Elliot, você a beijou recentemente, me disse várias coisas sobre ela, não sei o que houve, mas não tem graça.

— Isso não é piada, eu me enganei. Eu tentei, porém, percebi que fui muito precipitado.

— Se for verdade, que não acredito que seja, eu não quero, não estou nem ponta para isso, e outra quero apenas a sua amizade, não gosto quando isso acontece, já perdi muitos amigos por causa disso.

— Eu só gosto muito de você.

— E beijar outra boca te mostrou isso? Esperava mais de você Elliot. — Ela se levantou e foi embora.

Eu fracassei, me deixei ser levado para a emoção. Usei meu relógio e voltei para meu presente, e descobri que com aquela mudança eu tinha perdido Jaqueline ainda mais cedo, e eu tinha me afundado em depressão, e perdido o apartamento por não trabalhar, voltei para o momento que pediria para ir ao parque e expliquei a mim mesmo apenas acenando que não, e aquele eu, sumiu. Apenas marquei alguns minutos mais cedo para ir ao shopping e encontrei com ela, tivemos o mesmo diálogo sem eu ter mudado nada, e quando eu a chamei de “condessa” e o silêncio ocorreu eu e ela nos beijamos, e ela saiu correndo, voltei para meu presente e descobri que tentamos sair novamente por um tempo e fracassou, nos afastando. Eu viajei uma terceira vez e me impedi desta mudança, voltei para o presente e estava exausto. III

Acordei no fim de tarde, e vi as mensagens das pessoas do meu trabalho e da faculdade perguntando sobre o acidente, tudo estava como aconteceu, sem nenhuma mudança, decidi então tentar fazer uma mudança com Taina, decidi não beijar ela, e depois tentar com Jaqueline. Porém teria que reviver vários momentos para que isso acontecesse da forma que eu queria.

Primeiramente fui no encontro com Taina e ocorreu como tinha que ocorrer menos no final onde não a beijei, e no dia seguinte ela informou que iria mudar de cidade, e iriamos continuar amigos, no dia seguinte quando Jaqueline conversou comigo sobre o encontro, naquela época (no momento em que estou), ela havia se afastado um pouco:

— Como você está?

— Um pouco melhor e você?

— Estou muito bem, eu fiz uma amizade incrível, e ela se mudou para outra cidade para fazer faculdade.

— Poxa, sinto muito...

— Não tem porque sentir muito, a química foi incrível, porém eu percebi que eu já tinha alguém com química melhor.

— Quem?

— Você, minha condessa!

Ela digitou por um bom tempo, mas só perguntou:

— Como assim?!

— Eu estou apaixonado por você, não quero te assustar mas sabe que eu gosto de ser sincero, e tome seu tempo para pensar, e quando estiver pronta, conversamos.

— Obrigada, é que eu tenho....

— Pense um pouco Jaque, por favor, e nos encontramos para conversar.

Ela apenas mandou um joia, e eu voltei para o meu presente, não procurei por mudanças, apenas descansei e voltei para onde tinha parado, eu sedava a mim mesmo no passado para que eu pudesse fazer as mudanças necessárias. Quando voltei ao dia de nos encontrarmos, a conversa não foi agradável.

— Olha Elliot, eu não estou pronta para um relacionamento, até gosto de você, de verdade, não vou negar, comecei a sentir algo, mas não posso, o que passei foi horrível, por favor, me desculpe, preciso me resolver primeiro.

— Eu entendo, de verdade. — E ela se levantou beijou minha bochecha e foi embora.

Voltei para o apartamento, e comecei a pensar sobre o que fazer com meu antigo eu, que vive dopado, ele precisa saber dos acontecimentos, mas não queria causar uma mudança maior do que a que estou causando.

Voltei para o presente para descansar, e descobri que devido eu não ter beijado Taina, eu e ela continuamos amigos, mas ela não namora o amigo da outra cidade. Havia mensagens dela perguntando sobre o acidente da faculdade, e se eu estava bem. Aquilo me encheu de frustração, raiva e tristeza, afinal ela só namorou outro pelo meu interesse nela? Porque eu e ela tínhamos algum vínculo, e quando isso não aconteceu, ela não se interessou por ninguém?

Sentindo-me usado, preferi não responder nem reagir a ela, e a única mudança que eu queria, não aconteceu, Jaqueline ainda estava fora da minha vida, apenas adiantei o que tentava evitar. Voltei para o passado e desfiz as mudanças, deixando tudo ao que infelizmente conheço como “normal”.

O natal estava chegando, professor Marcos tentou entrar em contato comigo para eu passar o natal com ele, mas eu estava com receio e pensativo, eu não ter beijado Taina deixou ela minha amiga e ela nem se interessou por outro, eu fui a peça que promoveu o encontro dela com alguém, eu, que gostei dela erroneamente. Poderia ter mudado isso, para que ela continuasse sozinha, mas eu já a conheço de verdade e sei do que ela é capaz. Devo voltar ainda mais no passado. O natal se aproxima, ainda sozinho, por pouco tempo. IV

Decidi voltar antes da minha saída do orfanato, procurar por ela e impedir que o namorado dela a magoe, se ela passar pela dor que a faz ficar com medo, terei caminho aberto até ela no momento em que eu me declarar.

Decidi procurar pelas conversas e não tive muita informação sobre quando isso aconteceu, iria fazer três anos desde que eu havia saído do orfanato, então voltaria três anos no passado e impediria do namorado dela desaparecer quem sabe até mesmo fazê-la se apaixonar por mim.

Arrumei meu relógio, e voltei nessa viagem fui para o “espaço vazio” e depois para três anos antes. Ao chegar precisava achar Jaqueline, na época não havia os encontros de poesia, e eram lugares de igrejas, restaurantes, e até bares, andei bastante e nada de encontrar ela, porém não a encontrei na cidade. Tínhamos a mesma idade, então isso significava que ela estava se formando no ensino médio assim como eu. Percebendo que não sabia muito sobre onde ela estava, onde morava, ou que escola estudava tive que ir ao futuro onde a conhecia e descobrir essas coisas, para depois vir aqui ao passado. Para isso fui ao meu presente, e estava muito cansado. Sem querer apaguei por horas, e acordei com Marcos ligando para mim:

— Alô? — Atendi com voz de sono.

— Falaaa Elliot! Sumiu meu filho, estou preocupado.

— Acabei de acordar, desculpa professor.

— Está de ressaca? São 15:00.

— Insônia, apenas isso.

— Como você não respondeu estou indo aí para te buscar, não vou deixar você passar o natal sozinho.

— Eita! — Nesse momento acordei com um susto.

— Você me deixa preocupado menino, e dessa vez vou passar com minha esposa, ela está cansada de passar com a família dela e eu não estar lá, e decidi levar você.

— Obrigado professor.

— Não pense que é para você ficar sozinho, é para eu não ficar sozinho com minha sogra. Hahaha.

— Entendi... — O interfone toca.

— Boa tarde Senhor Elliot, temos Marcos, podemos deixar ele entrar?

— Sim.

— Obrigado por me deixar entrar.

— Só não repare na bagunça quando chegar aqui em cima.

— Pode deixar. — Desligamos e eu comecei a trocar de roupa e preparar uma mala.

Professor Marcos bateu na porta, eu mandei ele entrar, ele entrou e me abraçou:

— Como está meu jovem?

— Estou bem, entediado claro.

— Vou tirar você disso, terá bastante para coisa para ajudar na cozinha, e você está bem? Fiquei sabendo do incêndio/explosão.

— Eu estou bem, eu havia acabado de sair da área do laboratório, onde ocorreu a explosão, e ido ao para a festa, ao pisar na festa aconteceu a explosão.

— E já falaram o que aconteceu?

— Bom, obviamente alguém tentou fazer um experimento que deu errado, e sim eu sei qual é, e não posso contar. — Sorri enquanto terminava de arrumar algumas coisas.

— Entendo, de qualquer forma o melhor é que ninguém se machucou, e fico feliz que você esteja trabalhando em alho tão importante.

— Obrigado. — Professor Marcos andava de um lado para o outro olhando as coisas.

— Pronto.

— Que bom, vamos que é uma xácara distante daqui. — Desci e fomos ao carro dele.

— E então meu jovem, como está a vida amorosa?

— Inexistente, quando me conhecem, elas se afastam, não fui feito para esta época.

— E que época você foi feito?

— Alguma em que o amor não me deixasse sozinho.

— Elas não te amavam, e pense que isso foi o melhor.

— Não parece o melhor para mim.

— Mas é, o melhor não nos faz bem sempre, principalmente no momento, porém mais tarde sim.

— Não faz sentido algum o que você está dizendo, pelo menos para mim.

— É o momento, quando tudo passar vai entender.

— Obrigado pelo final de ano.

— Você é um bom garoto Elliot, é diferente, mesmo entre todos os demais do orfanato.

— Você diz isso, mas não me conforta, talvez teria sido melhor ser como os outros.

— Você mais do que todos sabe muito bem que negar quem somos, a personalidade não nos faz bem e que só porque todos estão fazendo algo significa que está certo.

— Eu sei, mas de que adianta se eu continuo sozinho? Se eu fico magoado?

— Adianta você ser quem é, fazer o certo, ser a diferença no mundo. Tanto quanto que é seu dever cristão, como é melhor porque em algum momento você irá encontrar alguém que precisa de ajuda, como alguém que pode te amar por ser quem você é.

— Isso parece um conto de fadas. — Eu disse isso e cruzei os braços sentado na carona do carro, enquanto Marcos apenas sorriu e aumentou o som do carro, tocava “Carry on my wayward son”, o resto da viagem eu acabei cochilando, e depois conversávamos sobre filmes e séries. Quando estávamos chegando ao local:

— Como está Dona Lourdes?

— Ela está bem, se aposentou.

— Sério?!

— Sim, foi ficar com a neta dela.

— Que bom! — Ela merece.

— Sim, mas foi difícil com certeza aposentar ela, teimosas, queria ficar sempre.

— Imagino!

— Porém ela não aguentava mais subir as escadas do orfanato.

— Coitada.

— Mas ela está bem agora.

— Que bom.

— Porém nós professores estamos tendo que lidar com um problema.

— Qual?

— Diretor Valentin.

— O que tem ele?

— Ele está muito velho Elliot, ele não tem família a não ser a gente do orfanato, e estamos preocupados do que pode acontecer quando ele morrer.

— O que pode acontecer?

— O orfanato poderia fechar, o local é mantido por investidores e amigos dele, só ele sabe dessas coisas.

— Nossa!

— Sim.

— Enfim, chegamos. — Ele não quis dizer mais nada do assunto para mim, ele pediu para eu abrir o portão de madeira da xácara, eu desci e estava escuto já, o portão era um pouco pesado. Entramos e ele me apresentou a esposa dele, e a família dele, parecia que ele não os via há tempos por só ficar no orfanato.

Me receberam muito bem a esposa dele se chamava Sara, era ruiva, gordinha e atraente, sem contar que media 1,69. Ele sempre defendia as gordinhas quando alguns alunos falavam algo do tipo sobre gordinhas não serem atraentes, porém ele dizia que elas tinham onde pegar e que poucos conseguiam pilotar nas curvas. Todos conversavam sobre assuntos de família, coisas do passado e momentos em que viveram. Eu não tinha muito o que falar, era um ambiente agradável, agradável demais, poderia pedir licença, poderia olhar meu celular, mas esse era um momento que mesmo em silêncio, eu poderia saborear. Eu fui dormir feliz, no outro dia ajudei na cozinha a preparar algumas coisas, me faziam perguntas sobre minha vida e me elogiavam dizendo que logo encontraria alguém legal, coisas de idosos e mulheres mais velhas. A tarde entrei na piscina e me diverti, a noite teve jogos como “UNO”, imagem e ação, e twister. Eu pude dormir bem, imaginando que se conseguisse mudar o necessário eu teria isso com Jaqueline, só precisava descobrir o que fazia as coisas darem errado, e o que me fazia errar.

Na véspera de Natal, tudo estava pronto, estava animado e ansioso, a noite chegou e jantamos, refrigerante foi servido para a maioria, poucos bebiam vinho. Comida para ninguém passar fome, mesmo deslocado não queria sair dali, queria me envolver, mas não sabia como, professor Marcos parecia tirar o atraso de tempo com sua esposa. Ao dar meia-noite, fomos a sala, dois sofás, um pequeno e outro grande, alguns se sentaram no chão, outros ficaram em pé, e no canto perto da estante uma árvore de Natal, vários presentes em baixo. A sala era pintada de um tom amarelo meio bege. Quando faltava o último presente, que comigo no local deu um total de 25 pessoas, professor Marcos se levantou e me chamou, levantei-me do chão e fui até ele, e me deu feliz natal com um pequeno embrulho preto e dourado, eu o abracei e pedi desculpas por não ter comprado nada para ninguém, ainda mais para ele, saímos e fomos para o lado de fora da chácara, no parapeito enquanto os fogos de artifício eram soltos, eu abri o presente, era um relógio de pulso, preto e um cinza meio esbranquiçado.

— Sei que o relógio de bolso te atormentou e que te fez perguntar onde pertencia, mas espero que este te diga além das horas que é parte da minha família. — Eu não contive minhas lágrimas, e pulei nele em um abraço, do qual ele retribuiu. A esposa dele apareceu e colocou a mão em meu ombro dizendo:

— Eu entendia o trabalho de meu marido, mas claro que como esposa senti muita falta dele, ainda mais quando nosso filho faleceu. E ao ver você lembrou-me de meu filho, obrigado por isso e me perdoe.

— Não tem motivo para você me pedir desculpa. — Ela me chamou para comer sobremesas, e conversamos muito até três horas da manhã.

Enquanto todos descansavam eu admirava o relógio de pulso, e era lindo, me senti em casa, e eu queria isso, quero isso, a minha casa, minha família, um dia ter isso. Eu peguei o relógio de pulso e estava pronto para tentar novamente, indo para o passado onde conversava com ela e descobrindo coisas sobre ela e o namorado para então, ir antes de se conhecerem, ou até mesmo impedir que ele a magoe. III

O melhor momento, o momento chave para qualquer descoberta da vida de Jaqueline é a conversa do shopping, o dia após meu beijo com Taina, naquele momento foi onde ela mais se abria, e precisava saber. Antes tentei uma outra mudança, o que teria acontecido se eu não conhecesse taina, e apenas a cumprimentei e não devolvi o interesse dela por mim.

O resultado foi a antecipação do afastamento de Jaqueline, apenas isso. Desfiz essa mudança e voltei para o dia do shopping. Tinha que deixar a conversa fluir naturalmente, e perguntei tudo que eu precisava, ela me disse que antes de vir para JaciPolo ela morava em Uberlândia, apenas veio para cá após o término do ensino médio. Ela não me disse o nome do ex-namorado dela, apenas sabia o bairro dela, e quando se mudaram, foi na semana do Natal, no dia da minha formatura, 5 de dezembro, após ela se despedir. Voltei ao primeiro horário de ônibus e fui até o bairro dela, e esperei de longe para ver de onde ela saia, assim descobri a casa dela. O que amar não nos faz fazer? O que não fazemos para ser amado? Impedir que alguém que nos ama seja machucada, é o mínimo. Voltei para meu presente. E aproveitar o Ano-Novo. Ao voltar para o momento da passagem de ano, e durante os dias da semana, ajudava em alguma coisa da cozinha, assistia filmes favoritos, como Star Wars, e jogos como imagem e ação. Era ótimo, porém, poderia ser perfeito se Jaqueline estivesse ali, era só o que me faltava, a presença dela, e isso ficaria perfeito. A noite quando todos foram dormir, eu voltei no tempo, e cheguei no dia da mudança dela, e me passei por alguém que estava passeando pelo bairro, então enquanto descarregavam as coisas da mudança eu me ofereci para ajudar:

— Com licença, vocês precisam de ajuda?

— Sim, gostaríamos se não incomodar você. — Respondeu o pai dela. Ele se aproximou de mim, ele era um pouco calvo, homem com um 1,82, cabelos castanhos claros, na faixa dos 40, um pouco barrigudo provavelmente de tanto beber. — Me chamo Bernardo, e você?

— Sou Elliot, muito prazer Senhor. — Ele apertou fortemente a minha mão, Jaqueline apareceu para pegar mais coisas, quando me viu, ela olhou como se me conhecesse, e eu retribui esse olhar involuntariamente tentando esconder qualquer sentimento que tinha por ela, foi como tentar impediu um vulcão de entrar em erupção, com uma rolha de garrafa, ineficaz.

— Essa é minha filha Jaqueline, Jaque, este é Elliot ele é da....?

— Do centro da cidade, apenas conhecendo a cidade, me mudei recentemente. Completei a frase enquanto apertava a mão dela.

— Muito prazer Elliot.

— O prazer é todo meu.

— Eu vou chamar sua mãe e pedir para ela preparar algo para comer, mesmo que seja algo do micro-ondas, espero que não se incomode com isso Elliot.

— Claro Que não. — Respondi enquanto olhava fixamente para os olhos de Jaque, lindos olhos.

— Você me ajuda com algumas caixas pesadas? — Ela perguntou cortando o clima.

— Claro.

— Tenho a impressão de que te conheço de algum lugar.

— Bom, eu diria que talvez conheça você de meus sonhos de encontrar uma musa.

— Ah! — Ela ficou surpresa, um pouco envergonhada, porém feliz.

— Obrigada! E por acaso você seria um poeta ou artista?

— Um poeta não é um artista? — Ela sorriu enquanto pegava uma caixa leve e mostrava uma pesada para eu pegar.

— É um artista, porém você entendeu a pergunta.

— Sim eu entendi, eu escrevo poesias.

— Que legal, eu escrevo algumas vezes também.

— Que.... Caixa pesada! Onde a coloco?

— Entre pelo portão e vá até a sala!

— E adoraria ler alguma poesia.... Sua! — Andei o mais rápido que pude.

O portão era completamente fechado, sem visibilidade para alguém de fora, branco, e era como um portão de fábrica. Ao entrar notei rapidamente que a garagem não era terminada contendo algumas partes cimentadas apenas. A porta da sala era de ferro de cor cinza, pintada recentemente, a sala tinha uma estante com televisão e dois sofás com caixas no canto da parede. Coloquei a caixa no chão.

— Obrigada, sei que essa era pesada, não quis forçar você a isso.

— Está tudo bem.

— E quando eu arrumar as coisas, quem sabe se encontrar algum poema eu mostre para você.

— Obrigado.

O resto da tarde eu passei ajudando a descarregar o caminhão, e conversando com ela. Como senti saudades dela, tudo era melhor com ela por perto. Quando terminamos a mãe dela apareceu:

— Com licença, boa tarde, me chamo Joana, sou a mãe de Jaque.

— Boa tarde, me chamo Elliot, muito prazer. — Nos cumprimentamos. Ela tinha 1,75 acredito eu, não era magra, mas não podia dizer que era gorda, cabelos castanhos claros, e olhos também, Jaqueline era a cara dela, e era jovem parecia estar na casa dos 28, mas acredito que já estava nos 34.

— Desculpa não ajudar vocês, mas estava pegando pratos, talheres e assando a pizza que compramos no supermercado. Você gosta de pizza?

— Adoro pizza. — Sorri.

— Então venha com a gente, só não repara na bagunça.

— Fica tranquila. — Ela deu um grito chamando o esposo, era uma casa com dois andares, passei por um cômodo praticamente vazio que pareceria ser usado para sala de jantar, depois chegamos na cozinha, mas depois tinha dois quartos no fundo. Na cozinha tinha uma mesa pequena para 4 pessoas.

— Sente-se Elliot. — Falou Sr. Bernardo. Todos se sentaram.

— Então Elliot, você mora por aqui? — Perguntou Joana, enquanto me servia pizza.

— Não, eu moro mais perto do centro e da faculdade.

— Faz tempo que mora por aqui? — Perguntou Jaqueline.

— Mais ou menos, é complicado.

— Se você mora no centro o que faz por este bairro? — Perguntou Bernardo em um tom de voz mais firme, preocupado.

— Eu não conheço toda a cidade, e precisava andar para espairecer a cabeça, e nessa época o centro da cidade fica muito.... Lotado. — Sorri olhando para Jaqueline e Joana.

— E sua família? Ela sabe que você está aqui? — Perguntou Joana.

Eu estava mastigando e aquela pergunta foi como um soco no estômago, o motivo? Não sei ao certo, talvez seja o assunto que sempre me incomoda, um mal hábito que não consigo me livrar, eu estar ali com Jaqueline a quem tanto amo e com os pais dela, ou o fato de ter passado um Natal e cada dia que passava eu me sentia mais na família de professor Marcos. Novamente as emoções era como um vulcão entrando em erupção onde meus olhos demonstravam, porém este foi com mais intensidade. O momento foi curto, entretanto longo o suficiente para que se preocupassem, ainda mais com meus olhos marejando.

— Elliot? Está tudo bem? — Perguntou Jaqueline se aproximando de minha mão.

— Eu estou bem, me perdoem é que.... Eu não tenho família, não de sangue.

— Ah! Sinto muito.

— Tudo bem, vocês não sabiam, eu que peço desculpas por reagir assim, eu já deveria ter me acostumado com esse tipo de pergunta, mas acho que como órfão não consigo impedir minhas reações sentimentais. — O silêncio ecoou.

— Permita-me.... Você disse “não de sangue”, você é adotado?

— Não, como vocês não são daqui, um pouco afastado da cidade há um orfanato, onde várias crianças órfãs moram, e lá estudamos e moramos, ensinam de tudo, principalmente poesia.

— Que legal, não sabíamos disso. — Falou Jaqueline.

— É.

— Não é legal que vocês sejam órfãos ok, mas legal que vocês aprenderam poesias. Acrescentou Jaqueline, preocupada em ter me ofendido.

— Eu entendi, está tudo bem. Eu sorri.

Após a refeição, eu pedi licença que iria embora. Jaqueline me acompanhou passou seu contato. Eu anotei, os pais dela vieram se despedir de mim, e então eu fui, logo que virei a esquina voltei para o presente. E aproveitei a passagem de ano, quando estava voltando para meu apartamento, recebi uma mensagem da faculdade dizendo que meu estágio voltaria na segunda semana de janeiro. E minha psicóloga na última semana.

Ao chegar no apartamento, procurei saber de mudanças que haviam ocorrido, porém não houve nenhuma. Agradeci grandemente professor Marcos pelo fim de ano maravilhoso, e então Alice me mandou uma mensagem:

“Oi Elliot, me desculpe a demora, mas eu preciso pedir desculpas pelo dia do baile, meu namorado apareceu e conversou comigo, foi lindo, ele demonstrou um romantismo jamais visto antes por mim, e eu o amo entende, me perdoe por ter te dado bolo deste jeito, espero que possa me perdoar e ainda sermos amigos, caso contrário apenas agradeço por tudo que fez por mim e que encontre alguém tão especial quanto você é.” Eu senti a raiva me inundar e preferi não responder porque se respondesse não sairia nada de bom nas minhas palavras.

Eu voltei novamente e mandei mensagem para Jaqueline quando cheguei ao passado, eu a busquei na casa dela e fomos andar pela cidade, o namorado dela tinha ido embora de JaciPolo, foi no momento que descobri que era um relacionamento a distância, não me orgulho disso, mas meu pensamento foi que seria mais fácil de separá-los, eu não gostaria que fizessem comigo, afinal fizeram algo assim comigo, mas eu não machucava Kate. Aqui de onde eu vim, a dor causada por ele impediria Jaqueline de ficar comigo. Conversamos bastante, falamos sobre relacionamentos, o fato de eu já a conhecer tornou mais forte a conexão por ela pensar que era algo natural. Eu consegui construir uma conexão mais profunda, mas todo dia eu voltava para meu presente, após conversar com Jaqueline. As coisas iam cada vez melhores, conforme o tempo passava eu ganhava confiança dela, e já estava sabendo das dificuldades de relacionamento dela. Em algum momento eu teria que fazer alguma coisa.

A noite eu me perguntava, até onde eu poderia ir para estar com ela? O meu amor por ela é puro mas vale a pena tudo isso? Com tanta coisa que eu poderia descobrir eu estou tentando ter alguém na minha vida, me sinto patético quando as coisas são colocadas assim, porém ninguém sabe como é a solidão, não sabem o valor de ser amado de volta, e como as ações podem causar feridas, então por amor, isso vale a pena, estas viagens no tempo, vale a pena.

A cada dia no passado eu ia me esquecendo quando era o passado e o futuro. Jaqueline logo desabafava de tudo comigo, até sobre o namorado, que eu procurava uma brecha para que eu a fizesse enxergar que ele a magoaria, porém pelo que ela me falava dele, parecia até ser melhor que eu. O primeiro estopim foi os ciúmes, ele começou a ter ciúmes de mim, porém isso levou ela a se afastar um pouco de mim, então foquei-me no presente. No trabalho eu fazia trabalhos pequenos e ajudava onde necessário, e a segurança era maior.

Na psicóloga ela me perguntava como eu passei o final de ano e duas sessões semanais foram eu contando sobre a casa de professor Marcos, nem havíamos entrado no quesito de como eu me senti sobre isso, eu tentava enrolar também sobre como fazia eu me sentir. Voltei ao passado e já pude falar com Jaqueline novamente, no qual ela disse que não queria mais conversar comigo, e quando perguntei o porquê, o namorado dela apareceu de dentro da casa, ele era mais baixo que eu, magro, e cabelos escorridos, olhos escuros, e rosto grosseiros, sem barba:

— Não vou me apresentar, sou o namorado dela, e não te quero perto dela, entendeu? Cai fora e não te arrebento.

— Amor...

— Eu vou embora. — Apenas dei as costas e quando sumi de vista, desfiz tudo isso, ir até o momento e avisar a mim mesmo que não funcionou, e ver novamente minha frustração, é doloroso.

O presente se tornava tedioso, enquanto o passado parecia incapaz de qualquer alteração. Era dia da minha psicóloga:

— Então, depois de você contar os detalhes mais nítidos do final de ano na casa de seu professor, agora conte-me como você se sentiu?

— Acolhido, porém como se faltasse algo.

— O que você achou que faltava?

— Jaqueline!

— Elliot! Porque você coloca todas as suas forças e esperanças em uma única pessoa?

— Foi a única pessoa que demonstrou algum amor genuíno a mim.

— Não era só ela que faltava, faltou aquilo para mim a vida toda, não estou desmerecendo o orfanato, mas não é família.

— Entendo, e porque não se contentou em aproveitar o momento, porque olhou para trás?

— Eu não olhei para o que não tive, olhei para o que eu quero.

— E você estava tendo, embora não com a sua família, de sangue, ou namorada, esposa e filhos.

— Eu sei!

— Saber e compreender são coisas distintas Elliot. Você sempre sente falta de algo, até quando vai ficar empacado nisso?

— Eu mereço isso! Não mereço?

— Muitas pessoas boas merecem inúmeras coisas que nunca vão ter, e pessoas ruins que merecem coisas que nunca irão receber, aprenda a lidar com isso, e se você fez seu possível tenha a consciência tranquila, e siga em frente. — Ela disse isso se inclinando para trás, com seu olhar fixo, e cortante com um sorriso e as sobrancelhas elevadas e mostrando que não havia como eu refutar o que ela disse. Apenas respirei, porque contar que eu viajava no tempo? Iria sair internado, no mínimo se ela não acreditasse, se ela acreditasse iria tentar me convencer de que seria ruim o meu plano. Apenas ficamos revisando sobre como devo continuar minha vida para frente.

Janeiro estava acabando, e não havia mudado nada, apenas passei mais tempo com ela antes de a ter conhecido no tempo certo, isso não me basta. Caso isso fosse algum romance, iriam dizer que é obsessão, mas que sabem as pessoas hoje em dia sobre amor e obsessão? O amor deve ser uma obsessão da humanidade, de todos, obsessivos em amar e serem amados adequadamente, assim nenhuma criança seria órfã, pessoas não seriam usadas, e o egoísmo não estaria entrelaçado com a libertinagem, talvez eu esteja obcecado, obcecado no amor, no que tenho para ela, e o que ela teve, tem, por mim do qual se fizer certo para minha vida toda terei.

IV

Fevereiro havia começado, e nada que eu fazia dava certo, o trabalho estava monótono, a faculdade estava começando, porém iria parar para o maldito carnaval, se todos fossem tão obstinados em amor quanto ao carnaval, o mundo seria melhor. Minhas sessões de terapia, estavam sendo focadas em como eu me sinto sobre o carnaval. As aulas começaram e a turma havia diminuído ainda mais. Meus colegas continuaram ao meu redor, permiti uma aproximação e sai com eles em uma sexta à noite, eles beberam bastante, e logo pude ir embora sem que nem notassem a minha falta. Tentei voltar ao passado novamente, e surpreender Jaqueline, antes de ela conhecer o namorado dela, porém ela estava com um jovem do colégio dela, e não deu certo. Se continuasse tentando antes dela conhecer o namorado, eu iria ser preso.

Voltei para o presente. Semana de carnaval, solidão, não pertencimento, o que fazer? Onde está Jaqueline? Como ela está? Eu não posso ir ao futuro. Eu fiquei pensando então eu logo dormi depois de tanto pensar nela.

“Meu travesseiro regado

A solidão

Ao amor perdido

As perdas que não sei o porque

Sempre regado

Esperando que um dia

Ele não seja regado

Apenas seja

O que foi feito

Para ser

Um travesseiro

A me permitir

Um sono leve

Viajante do Tempo”

O carnaval começaria na segunda feira e vai até a sexta-feira, no domingo à noite a festa já começara para alguns, então decidi ir ao supermercado, fui ao mercado comprar os mantimentos necessários para a longa semana, e pensava em ir ao passado tentar de algum modo que não fiz, ou até mesmo fazer uma amizade ao ex-namorado idiota dela para influencia-lo a não namorar com ela, algum ponto em que falhei não vendo. Ao sair do mercado, com comida e minhas besteiras para manter-me o mais são possível, eu a vi, Jaqueline e eu acelerei o passo, e alguém a abraçou e a beijou, embora não fiz nada tocando no relógio, o tempo parou, o coração parecia ser empurrado para as minhas costas e o ar fugir de meus pulmões, tentava uma compreensão, talvez ele fosse um abusador, mas não era o ex-namorado dela, ela estava retribuindo, eu não sabia o que fazer, o que isso significava? Era tudo mentira? Eu fui enganado? Eu peguei o relógio e voltei. V

O local está lotado, terça-feira de carnaval, os bares infestados, a televisão só mostrava as festas mais badaladas, e ele entrou, de terno, cajado, olhos parecendo mecânicos, cabelos pretos bem penteado, barba cheia, entre os 25 anos, sentou-se ao lado de uma mulher:

— Sabe que odeio isso tudo.

— Sei...

— Então porque me chamou aqui?

— Olhe atentamente o televisor.

— Só para isso...?

O barman aumenta o volume com informações de última hora:

“Temos notícias de que três jovens estão desaparecidos desde domingo à noite, Jaqueline Fênix, que estava com seu namorado no supermercado e ao irem para o estacionamento o casal desapareceu, Jaqueline Fênix e seu namorado Pedro Tavares apenas desapareceram do estacionamento. Outro caso que não sabemos ter conexão foi do jovem Elliot, do qual mora sozinho e estagiário de física de Jacip também está desaparecido, vizinhos informaram que ele não retornou há dois dias...”

— Então o que você...

— Eu não fiz nada mademoiselle. Apenas ele. — O jovem olhava para a televisão e se retirava sorrindo. A mulher apenas olhou seriamente.

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