Snuff - O sussurro do vento
Queen the vampire
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 11/04/24 15:39
Gênero(s): Drama
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 5min a 7min
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Palavras: 885
Não recomendado para menores de dezesseis anos
Notas de Cabeçalho

A obra apresenta conteúdo emocional sensível. Se você possui uma certa fragilidade emocional peço que não leia.

Conto escrito após ouvir a música Snuff- Slipknot, e inclusive, recomendo durante a leitura.

Capítulo Único Snuff - O sussurro do vento

GATILHO: Conteúdo emocional sensível. Se você possui uma certa fragilidade emocional peço que não leia essa historia.

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Depressiva/inexpressiva/ inativa

O vento, o mar e Luz

"E o amor é apenas uma camuflagem

para o que se assemelha a raiva novamente."

SNUFF

Toda a sua tristeza e seu coração quebrado era o que lhe davam forças para continuar, conviver todos os dias com aquilo que mais odeia sem poder mudá-lo era a sua sina e mesmo agora quando as lágrimas desciam em frente ao espelho a garota continuou a se odiar, estava tão acostumada com o sofrimento que a felicidade poderia bater a sua porta e a mesma não se importaria. Sua dor provinha do passado que nunca conseguiu superar e cada passo dado lhe matava por dentro, mesmo que refizesse o caminho ou tentasse mudar o seu destino, nada funcionava e no fim acabou como a maioria: um ser humano infeliz rodeado de pessoas que a amam vivendo uma enorme mentira.

Por fora seu sorriso era um dos mais belos já vistos, seus abraços carregados de carinho e vivia cada momento com alegria, o verdadeiro problema se dava durante seus momentos sozinha, pois tudo aquilo que tentou apagar durante anos vinha à tona e mesmo não querendo sua consciência a forçava reviver os momentos mais comuns de sua vida, momentos esses que para uma pessoa comum serviriam de aprendizado mais para ela não passava de um tormento, a faziam se sentir uma tola por toda a sua bondade e cada papel de idiota que fez, cada sacrifício feito pelos outros que no final apunhalavam as suas costas, amizades que, no fundo, só queria sugar a sua vida, respirou fundo e fechou os olhos lembrando do ensinamento mais importante proporcionado pela Vida...

— Snuff — o sussurro do vento ecoava pelo quarto, o simples ato de apagar aquilo que tanto lhe doía, não reprimir e sim uma forma de esquecimento que com os anos iriam diminuir sua dor até que não restasse nada e essa deveria ser sua meta, sua promessa, porém era só olhar no espelho para observar aqueles olhos sem brilho e vigor, a expressão de um ser humano que por dezenove anos nunca amargou aquilo que tanto escondeu, pois encontrava em algo a força para seguir em frente, mas os laços do destino podem ser comparados a uma forca quando se deve tanto a si e quando menos se espera a Vida vem cobrar.

"Salva me" — ela pedia ao encarar seu reflexo distorcido no espelho "Salva me" — ela implorava ao sentir que não tinha mais forças para continuar

Mas tudo o que conseguiu foi se afogar e sufocar em seu próprio lamento, com os olhos fechados deixou que o filme que lhe percorria por tanto tempo em sue pensamentos mais profundos viessem a transparecer em formato de lágrimas que facilmente se comparariam a um rio pela forma com desciam e pela dor que levavam, o peito apertado com se um punhal estivesse cravado em seu peito dolorido.

Sentia-se presa pelos próprios pensamentos;

Incapaz, pelas próprias incertezas;

Inata, pelos próprios pensamentos;

E a beira da loucura por todo o bolor que havia criado, a partir do momento que não se permitiu viver um dia de cada vez.

"Eu nunca estive realmente pronta para te deixar, sem que a parte tênue de minha vida se esvai-se junto a ti." — Sussurrou.

— Snuff — o sussurro do vento mais uma vez lhe chamou atenção, aos poucos se ergueu notando que apesar da penumbra em seus olhos o dia se fazia presente, os dedos ralharam pelos móveis do quarto se dedicando em apreciar algumas imagens compostas por pessoas que hoje não tinham mais importância e por pinturas feitas com a própria dedicação.

Um quadro, no entanto, chamou atenção, ele exprimia bem os próprios pensamentos, tudo confuso e retratado de forma violenta em uma curta tela, não se lembrava de quando pintou aquele quarto, mas o que realmente lhe prendeu atenção foi a dedicatória presa ao fundo.

"Em cada ser humano há um vasto e turbulento oceano, não há como vencê-lo ou desbravá-lo em um único dia, você precisa de tempo e autoconhecimento adquirido com cada viagem desbravando o mar revolto. Mas lembre-se, nunca será capaz de chegar ao fim do oceano ou conhecê-lo profundamente e sim o suficiente para apreciá-lo, temê-lo e às vezes mergulhar sem se preocupar com outra emoção que não seja o instinto."

O olhar irresoluto a respeito de tais palavras de certa forma acalmaram o mar de lágrimas ao qual se afogava, a tristeza ainda lhe transbordava por não se sentir o suficiente.

"Eu nunca estive realmente pronta para te deixar, sem que a parte tênue de minha vida se esvai-se junto a ti." — Sussurrou.

Tal lamento nunca foi a respeito de outro ser humano e sim de seus próprios sonhos, virtudes e vontades e que às vezes devia deixar tais pensamentos de lado e simplesmente tentar.

No fim se tratava de viver um dia de cada vez e não tentar abraçar o mundo com suas vontades e seu coração, por mais que seus sonhos se despedacem, deveria entender que os mínimos detalhes de seu dia já contava como uma boa conquista.

Olhando para a janela, finalmente acalmou o coração sentindo a brisa matutina invadir o quarto.

— Snuff — O vento ainda sussurrava, porém, não lhe incomodava tanto.

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Notas de Rodapé

Curiosidade: A borboleta da capa foi escolhida para o conto justamente por representar um sinal de transformação e liberdade.

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