A manhã depois
Holzwarth
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 29/03/26 16:50
Editado: 29/03/26 16:52
Gênero(s): Fantasia
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 17min a 23min
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Palavras: 2823
Não recomendado para menores de catorze anos
Notas de Cabeçalho

Mais uma.

Capítulo Único A manhã depois

Você se lembra de ter nascido?

__

— Existem carruagens? Já sonhou com carruagens? — E se ajeitou na cadeira.

— Não.

— O que existe então?

— O pavilhão.

“Fizeram um pavilhão a leste de quem observa, do portão, precisamente no meio do pátio. Contudo, há espécie curiosa de barreira ante a capela, a qual construíram em tempos póstumos ao…

— À carruagem?

— Pare com isso de carruagem. Não há carruagem.

— Os cavalos?

— Carros. Estacionam carros.

Há um lugar onde podem parar, logo em frente… ergueram pilastras do tamanho dos dedos das mãos de um titã naquele pátio. Dedos longos e castanhos. Escute bem: a quantidade de dedos das mãos nossos muda conforme deitamo-nos para dormir. Se tiver sorte, pode vê-los em plantio, aos montes, saindo das palmas. São muitos. Mesmo os dedos de um colosso e de um titã — como manda a ordem de tamanho, ordená-los-ei assim — crescem em números. Experimente olhar para eles. O que vê?

Conto-te, adiante, um fragmento da carta:

“Sim, senadorzinho, sim, sim, sim. Irei estar contigo logo. Preciso de mais uns dias para me aclimatar. A lembrança do pavilhão ainda é viva, não consigo parar de pensar nela. Entendo como o lugar cresceu desde a última vez — visitam-no tantas pessoas. As estátuas dos Apóstolos continuam no mesmo lugar. A colunata é onde descansam. Se pudermos vê-las da próxima vez, gostaria de ver o jardim interno; as oliveiras estão maiores, aquela do centro ainda atrai a luz do sol. É como no poema. Mas nunca vi o do lado de dentro. Leninha, sim.

Ela mandou uma carinha enojada, de olhos esbugalhados, antes de o câncer arrematá-la de vez. Nunca conversamos antes. Disse que votaria no senhor, e Leninha reagiu assim, dessa forma mesmo, como relato. Uma face enojada, no papel, saltando os olhos dos buracos da órbita.

Não compareci no enterro. Enfim — o pavilhão. Vamos nos ver logo, eu espero. O senhor vai gostar da cidade, é tranquila e não lembra em nada o que temos lá; portanto, será um bom refresco. Há ovelhas, senador! Ovelhas! Resta-nos a pedra do imperador. Uma feiura que só.”

Sabe-se: o mármore marrom é chamado de imperial. Existem quatro colunas sustentando o topo triangular, obtuso, com uma roda no centro e letras em metal cinza. Lá é onde o céu é azul, e as colunas tocam-no com ternura, equilibrando-o em seus ombros…

“Não existe lugar tal qual esse, nem a pequena cidade se iguala. As pessoas retornam de tempos em tempos a ele, de alguma forma sobem no último andar e nos enxergam como pequenas formigas, circulando na terra preta, andando em círculos. Nenhuma — as pessoas — é como era há um século. Mudaram. Mas nenhum ser humano muda rápido assim. Por isso são necessários séculos. Duzentos, trezentos anos. A velha senhora que encontrei não é a que eu esperava que fosse. Ainda assim, fui ao chão e ajoelhei nas minhas próprias lágrimas. Ela me abraçou, disse quanto tempo! Estava com saudade, Alef! Mas eu sabia que não era Anna. A blusa era laranja, os cabelos estavam brancos, ela estava sozinha, no estacionamento, parada sob o letreiro no mármore. Heitor costumava acompanhá-la, mas não o vi. É por isso que sei que não era ela. Ainda estava abatida pela perda da criança, com tanta ternura para dar assim que mandou anunciarem no rádio — era um menino! Pegou-me o rosto entre as mãos e tudo vai ficar bem, tudo vai passar. Vejo como passou.”

Levantou-se a tempo de poder sair pelo portão, fazendo da forma como combinaram, mais cedo. O porteiro ainda estava lá. Saiu, com a crina ao vento, bolando todo tipo de pensamento, depois de pergunta — o que existia atrás das grades? Existia algo? Existiam, as grades?

Começavam a chegar os carros, o ônibus entrou, subiu o morro; não era o dele. Aviões deixavam trilhas no céu brigadeiro — como no filme. O monastério descansava atrás dos muros.

Cruzou o asfalto, a trote. Voltou em seguida. Eram formigas no pátio, e chegava Marina.

— O que achou do pavilhão? — ele perguntou.

— Vamos embora, Alef, vamos embora daqui… — Tomou-o num abraço, esmagando-o com toda a força. — Vamos, não aguento mais, todos já saíram há tempos…

Só mais um pouco, só mais um pouco — na história, existe o contrário. Pede-se para ir embora de lugar tão vil. Passaram mais tempo juntos, entretanto. Sentia o cheiro de seus cabelos, do tecido de sua roupa áspera, do perfume nas palmas macias e nas pontas dos dedos, quando segurou-o pelo rosto, como Anna fizera (ambas sem perceber a pelagem na cara). É espaço para se estar para todo o sempre. Se pudessem ir para outro lugar, iriam para trás da colunata, explorar os jardins, em busca daquele paraíso cheio de colinas, um mundo inteiro dobrado, dourado.

Era moça radiante; sorria, abria os braços para tomar o vento, a pintura divina na sala de estar. Anna ainda guardava o quadro em algum lugar. Alef, contudo, não conseguiu vê-lo uma última vez. Pensava nos morros — veria Marina nos morros, para onde, um dia, iriam fugir juntos sem nada para separá-los.

As pessoas, Alef, mudam, mas demoram uma vida inteira para mudar, você tem razão. Ainda estou matutando a respeito. Leninha chegou a mudar?

As pessoas viam-na no mercado, movendo-se, devagar, com o carrinho de compras em mãos. Mexia-se de forma enfadonha. Vivia com tiques. Era estresse. O cansaço da luta atinge a todos nós ao final da batalha, e mente quem diz não sucumbir à exaustão. Uma mulher cansada resiste em vez de admitir; a força pertence aos homens, a ternura aos lobos. Às mulheres resta a resistência. Até que surgisse na visita ao santuário com um dos seios decepados, foi um filme para todos nós, vendo as oliveiras, os pastos cheios de cavalos, o Grandessíssimo Homem estendendo-lhe as mãos episcopais — um destino de que muito se tem inveja. Ainda era a mesma, contudo. Não se arrependeu de nada, também não se ajoelhou.

É que, às vezes, não acontece — a mudança — antes de morrerem, nem mesmo à beira da morte, como foi com Leninha. O que se tornam, então?

Minhocas. Minhocas cavam a terra, deixam-na aerada, produzem matéria orgânica, e, quando se vê, o solo está pronto. Nunca na vida podem voar, no entanto. Estão fadadas a viver debaixo do solo. Essa é sua existência. É mais miserável do que a vida de uma borboleta? Do que a de uma mariposa? Sentem algo, as minhocas?

— O que acha?

— Não entendi.

— E os cavalos? — insistiu.

— Pastando.

— Em que lugar?

— Longe, muito longe. Pare com isso. — Os cliques da caneta deixavam-no louco.

— Tá bem. E saiu de lá como?

Andando, sem ela. Voltou, entretanto, para ver um pouco mais do pavilhão. As pessoas chegavam e subiam as escadas, transitavam pelo pátio. Uma mulher olhava pelas vidraças.

— O que achou? — Alef arriscou.

Não me lembro da resposta que deu. Logo tornou a olhar para o letreiro, sem saber lê-lo, pois sabe-se que, além de dedos, as letras também fogem dos olhos da consciência. Mais para si mesma do que para ele, comentou a respeito de uma visita às colinas. A mesma visita que pretendia fazer com Marina — na verdade uma fuga — para verem se era verdade que atrás da colunata e além do pavilhão as lágrimas caíam sozinhas dos olhos ao verem os morros — para fugirem para todo o sempre para lá.

Chegou e parou ao lado dela; ficaram ambos com o sol alto nas cabeças. Nas orelhas dele, subitamente pontudas, nasciam pelos castanhos como aqueles nas bochechas. Ela apontava para uma das muretas ao redor das árvores — se pudesse ver as oliveiras, sentaria debaixo delas com mais prazer nos olhos. Encontraria a sombra com mais gratidão. Veria uma pega pela primeira vez… Mas aquele era um sombreiro, sobre cuja magnânima copa voavam garças.

— Venha, Alef. Vamos tirar uma foto! Quero guardar de recordação.

Anna Velha mandou revelar o filme todo, só aquela foto em que estava com as mãos nas orelhas, sentindo a grossa camada de pelagem ao redor da cartilagem, de repente maior e mais pontuda, prestou, como esperado. Ele já tinha cascos.

Ninguém mais visitou o pavilhão.

__

“Alef mudou depressa, Leninha — ainda sonho em escrever essa frase, grafar todas as letras, em especial o “A” que roubei de você, curvo, parecendo um dois, a-a-a-ave (e sai a ave voando na sala de tevê, lembra?). É que numa língua estritamente lógica, criada para satisfazer demandas do imperador, eu, seu senadorzinho, entreguei essa espécie de ultimato — mude, Alef, mude! Mude! ou fique assim para todo o sempre, uma minhoca a rastejar pelo solo… Aquelas que vivem em sua cabeça e roem seu cérebro servem de algo? É claro que não! A serventia vem de quando podemos aproveitar de suas partes ou de seu todo. Tem-se (serventia) de pensamentos, a verdade é una e indivisível, beleza pura e una. Pense que pode mudar, que é possível, e no leito de morte entregue as congratulações a todas as mulheres que foram cantar naquele lugar — a beleza da vida! Elas mudaram. Os homens também.

Tenho fé, Leninha, que aquele homenzinho ainda irá mudar, tenho fé. É engraçado — o homem que vira burro, homenzinho burro, menino-burro. Caramba! Que espanto que seria: um menino tornado burro!”

__

— O pavilhão ficou horrível.

Arregalou os olhos, mas incitou-o a continuar, de toda forma.

— Nunca mais encontrei a Anna, aliás.

— Ela faleceu. Foi aneurisma. — Tornou a apertar o botão da caneta. — O que viu dessa vez?

O monastério, ao lado do pavilhão que fizeram…

Visitou-o mais uma vez, na esperança de encontrar o Leão, com sua espada, no lugar da estátua do Arcanjo Gabriel de todas as tardes em frente à máquina de escrever do pai. Havia uma vitrola no fundo, rindo, chorando, rindo, chorando — e via as letras surgirem no papel: “Internato São Gabriel, no Vale dos Sonhos, com prédios feitos de mármore imperial, uma cúpula de cristal, pegas a voar por sobre as oliveiras…”

Encontrou, contudo, o Grandessíssimo Homem.

Foi encontro fatídico: o Homem conversava com os executivos, três homens e duas mulheres. Alef, seco de sede, chegou para beber no bebedouro — uma cabeça de leão, em mármore, de cuja pata brotava água —, mas aquele povo engravatado fazia uma muralha. Viram-no, e não saíram da frente; fecharam ainda mais o caminho. Uma mulher xingou-o por cima do ombro. Estavam falando com o Grandessíssimo Homem. Não era hora.

— Xô, xô! — Ela mexeu as mãos na direção daquela criatura indigna. — Passa fora.

O Grandessíssimo Homem chamou-o para perto com um gesto, contudo.

— Pode chegar, meu filho. Pode beber. Deem licença.

Bebeu tanto quanto um camelo. Só então encarou o Grandessíssimo Homem direito, uma figura fantástica, de branco, garça magnânima como aquelas dos céus. Encontraram-se em outros momentos. Será que ele se lembrava de Alef? Do que haviam falado? Será? Havia um sorriso em seu rosto.

O monastério sugou-o antes de dizer olá. Estava dentro da antessala, de repente.

Uma única fileira de novatos, orando, com véus sobre as cabeças e os corpos de mármore — branco, graças a Deus —, não tomou conhecimento dele. O outro homem surgiu, inteiro de branco.

— Aqui ficam os monges.

“Leão olhou para mim e disse: meu filho, que bom que veio! Vamos dar uma volta pelo monastério, preciso te mostrar o que mudou desde a última vez em que esteve aqui. Fomos nós dois andar pelo monastério. Fico tão preocupado quanto você ao registrar esses problemas, senador. Não é parte do que combinamos, afinal? Você está perturbado? Se sente perturbado? Sente-se, desculpe — sente-se perturbado? É como nos velhos tempos: eu te digo que vi um coelho, você duvida, mas depois de um tempo chora, abaixa a cabeça e chora. Estou estragando aos poucos. Bolor, mofo preto, larvas, formigas. Agentes decompositores em ação. Fungos, em alto estado evolutivo, podem tomar decisões. São o primor da criação essas criaturas, criaturinhas…

Se até os fungos podem adquirir consciência, mas eu não posso transitar para fora desse lugar — e ver com meus próprios olhos do que se trata esse pavilhão, esse encontro da humanidade inteira atrás do prédio —, então porque ainda tenta me convencer do contrário? Estou saindo aos poucos, senadorzinho, saindo aos poucos, devagar, como no filme. É um monastério agora! Um monastério de mármore imperial, com letras de metal, dedos de titã, uma mulher para chamar de… Bem, não importa. As pessoas são tão pequenas.

Tenho algo a dizer: vi os coelhos hoje. Finja surpresa. Irei fugir com Marina amanhã. Finja um pouco mais de surpresa. Agora ouça: por que eu preciso me esforçar tanto para ser tratado como um ser humano? Uma pomba come melhor do que eu. Um cão leva menos bicudas do que eu. Tudo isso porque criei rabo e nunca nem vi. Estou peludo, com toda a certeza.

Quer saber? Esqueça isso. Meta-me num quarto, então, e feche a porta por fora. Não me deixe escapar. Prefiro ficar ali dentro a não dizer nada, mas se já não digo de qualquer forma, faz diferença? Faz a menor diferença?”

Leão tecia caminhos pelo monastério, guiando o Menino-Burro pelos corredores colossais, mostrando a ele todo o passado, todo o presente, todo o futuro, e em todos esses mundos ele cruzava para dentro do paraíso, com seu halo dourado entre as orelhas pontudas. Oi-Oi-Tudobem-Tudo-Evocê-Mesintoprofundamenteinumano-Porquê-OlheparamimLeãosouumburroestouvirandoumburro (e ninguém mais fala nada, é um silêncio devagar e intransponível, silêncio jabuti, elefante, mamute, corpo celeste preso infinitamente no horizonte de eventos.). Os dois encararam o abismo por tantos minutos que o Menino-Burro que tinham parado no tempo. As oliveiras ainda estavam lá. Sinto que todo mundo que já morou num hotel branco (como o de Anna, com a pintura na parede, jaulas pelos corredores, cheias de todas as alminhas que ela lavou de lágrimas) sabe como é a sensação. Escolheu-se não lembrar daquela(s) parte(s), debaixo da terra, junto dos irmãos de ventre… Não vi nada além de uma caixa preta, não se preocupe; botei de volta onde estava e voltei com Anna para a frente. Ficamos no jardim, vendo as sombras se afastarem de nós, enquanto víamos o fundo do mundo na barriga do monastério.

Havia uma serpente franjada no lugar… Espera.

Era uma vez uma serpente franjada.

Não, não. Assim não.

Era uma vez uma serpente franjada.

Assim está melhor. Continue.

Sessenta anos ao redor do poço de pedras de rio bastaram para que todas as hóstias fossem comidas e que todo o vinho fosse bebido. Alef precisou ir atrás de mais. Esperou pelo Grandessíssimo Homem, em seu jardim de amores-perfeitos e dentes-de-leão, e havia uma serpente franjada na cozinha. Dizia, silvando as línguas nas oito bocas: há espaço para todos nós, em algum lugar acima das nuvens?

Como o senador não o prendeu no quarto, mas deixou a porta aberta, para que fosse livre feito uma borboleta — e, em uma nota deixada na maçaneta, lia-se: lagartas criam lindas asas após um tempo no casulo —, o Menino-Burro foi falar com o Grandessíssimo Homem. Havia descoberto que não tinha vocação. Leão foi buscá-lo, mas ele ainda não tinha vocação. Nem um pôr do sol dourado é capaz de convencê-lo. O senadorzinho? Ah! Saia da minha frente. A serpente franjada ficou por lá. Esperando. Dizem que morreu no poço, porque Alef nunca mais voltou para ver se tinha ido embora ou não. Também não entregou as hóstias ou o vinho. Tinha cascos em vez de mãos, e nas costas apoiava cestos e balaios.

Ele e Marina correram de mãos dadas pela colunata, passaram aquele pavilhão, os dedos do titã — brotando e brotando, vicejando, vultosos! —, as estátuas dos Apóstolos, as garças e as trilhas dos aviões.

Viram o deleite para os olhos: um pátio recluso, para trás do monastério, e quanto mais iam para trás, deslizando nos corpos das borboletas, por onde a dor guia ao infinito, mais a escola surgia. O parquinho, as crianças. O balanço, o escorrega. As aves, eram tantas! Pegas misturavam-se aos céus de ouro e prata, grasnando, juntas.

— Ali! — Marina apontou para o horizonte, em cujas costas nasciam os primeiros morros. Acima deles, tremulavam as silhuetas contra o sol, dourado, fulgurante. E sorriu, afastando-se na direção do despenhadeiro, que desabava na campina salpicada de colinas. — Vem, Alef, vem, vamos logo… Todo mundo já foi embora, só estamos nós dois aqui…

Chorava por tantas vidas, ainda assim não sentia a cabeça nas nuvens. Os cascos atingiram o chão, os dedos da musa fugiram pelo chão entre as quatro pernas. Marina corria em direção à música, de braços abertos, cabelo ao vento — riu ao ter com Leninha, ao ter com Anna, e acenou para ele, de onde estava, longe, tão longe…

O arquejo brotou da garganta, explodiu dos lábios, num zurro caído de joelhos no pátio do monastério:

— Ninguém me ama!

__

NOTA:

Ele vai voltar para lá, numerosas vezes, até que o monastério esteja completo, mesmo que o Grandessíssimo Homem já não esteja mais por lá. Leão? Tampouco! O lugar sempre está limpo, mas sempre está vazio também. Quando você vai aprender, velho amigo? Um homenzinho tornado burro, um menino transformado em burro, um menino-burro, que ninguém ama.

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