Agora começa o seu sortilégio
Monise
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 14/10/20 18:57
Editado: 14/10/20 20:18
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 6min a 8min
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[Texto Divulgado] "Mais uma noite" "Cá estamos novamente, eu e os meus demônios, prontos para mais uma noite..."
Não recomendado para menores de doze anos
Capítulo Único Agora começa o seu sortilégio

Morgana só queria ser aceita, queria uma vida de garota normal, não uma vida de feiticeira.

Sua família era renomada entre os bruxos mais nobres de Salém, mas devido às guerras mágicas, foram reduzidos drasticamente e restavam poucos descendentes.

Morgana não gostava de toda essa coisa de magia, muito menos dos sortilégios, dos passeios aos cemitérios e das agonias ao luar.

Seu maior desejo era ser uma simples adolescente humana! Adorava espioná-los no espelho de água do caldeirão.

Queria muito experimentar a vida humana e ao surgir a oportunidade perfeita, já tinha tudo preparado.

Seus pais iriam para um congresso de magia nas ruínas astecas e haviam combinado com tia Astrid para que Morgana passasse aqueles três meses com ela. Morgana se despediu animadamente dos pais, eles até ficaram surpresos, jamais poderiam imaginar que a filha gostasse tanto da tia Astrid.

Ela chegou na casa da tia Astrid e na primeira semana deixou a tia encantada e ganhou-lhe a confiança, como a tia baixou a guarda, na primeira oportunidade Morgana a enfeitiçou com uma porção de petrificacão, que duraria dois meses.

Conforme já havia planejado, Morgana, de posse do chapéu de invisibilidade da tia, visitou vários Albergues e achou os pais perfeitos para ela. Atraiu o homem e a mulher e lançou-lhes um feitiço para que realmente se imaginassem como uma linda família e ela, agora ela iria se chamar Margô, seria a filha amada. Com suas economias alugou a casa e colocou seus pais falsos dentro e no outro dia a matricularam num colégio humano. Vitória! Agora viveria seu sonho por pelo menos um mês e meio.

Ansiosa por seu primeiro dia na escola, se preparou com o uniforme de seus sonhos: saia pregueada, blusa branca, meias até a canela e sapatos pretos muito bem engraxados! Olhou-se no espelho e gostou do que viu. Estava tão ansiosa que foi a primeira a chegar na escola. Localizou sua classe e sentou na segunda cadeira da fileira central.

Todos que iam chegando logo que a viam sorriam e saíam balançando a cabeça: "Quem seria aquela estranha com um uniforme dos anos 80?"

Durante a aula papéizinhos iam e vinham sob suas costas e um deles acabou caindo aos seus pés. Pegou e abriu e pode perceber que zombavam dela. No papel havia uma caricatura sua bem ridícula por sinal... Não levou a mal, pois percebeu que comparada com as outras moças, suas roupas realmente eram bem estranhas...

Hora do almoço, ela pegou suas coisas e foi sair com os outros, quando levou uma trombada enorme e caiu no chão. O garoto, sorrindo malicioso pediu desculpas e saiu correndo e dando risada. De novo decidiu não se zangar, era o primeiro dia dela ali, normal que a estranhassem, logo teria amigos...

Houveram muitos incidentes ou armadilhas, naquele dia e a tarde, quando voltou a casa, seus pais humanos a esperavam e fizeram com perfeição o seu papel. Margô tentou diversas vezes ser compreensiva, afinal humanos são seres pouco evoluídos, primitivos... Estava ficando difícil. Por quê as pessoas tinham que ser ruins umas com as outras sem motivo aparente?

Havia um baile, no fim de semana, era a primeira festa do mês de Halloween. Margô se surpreendeu muito quando o cara mais lindo da sala a convidou. Agora sim ia ser aceita pela sua turma!

O rapaz veio buscá-la todo lindo, foi até exagerado na cortesia... Chegaram a escola, a festa seria na quadra, a porta estava fechada. O rapaz abriu e fez uma reverência exagerada para que Margô entrasse primeiro. Ela estava se sentindo maravilhosa!

Mas quando pôs o pé no salão, foi recebida por uma enxurrada de tomates e legumes podres! Todos riam apontavam e zombavam e ainda havia quem dizia:

"Carrie, a estranha! Kkkkk"

E num coral gritaram: "Gostosuras ou travessuras!"

Margô num misto de dor e frustração bradou:

_Quem semeia vento colhe tempestade! E num giro alucinado desapareceu ante os olhos deles...

Alguns ficaram assustados, outros nem notaram e a festa seguiu frenética...

Chegou com raio dentro da casa falsa. Margô morreu no baile, era Morgana a feiticeira, finalmente! Nunca mais negaria suas origens:

_Que inútil, que simplória, que idiota eu fui... Humanos, seres insanos! Mas vão me pagar, CADA UM DELES!

Os pais enfeitiçados vieram saber o que tinha acontecido, com um feitiço os mandou de volta a sua antiga condição. Se lembrariam daqueles quase dois meses como um sonho muito louco...

Imediatamente Morgana subiu ao sótão e num urro terrível o sótão se transformou num laboratório de feitiços. Acendeu o caldeirão, desceu ao andar de baixo e na TV passava uma reportagem sobre "Branca de Neve e os sete anões", ela chegou bem na hora em que a rainha má fazia o feitiço de transformação... Parou e viu a cena, era perfeito, exatamente o que faria!

Foi a cozinha, pegou um cesto de maçãs e outras coisinhas e subiu para o sótão.

Jogou os líquidos na panela que logo começou a ferver...

Uma a uma ela foi esculpindo as maçãs com os rostos daqueles malditos...

Fez um feitiço potente mesclando suas artes com os trechos do desenho que a pouco vira na TV.

"Esta mistura bem forte, a maçã sorte"

Há de trazer desespero e morte.

"Um grito de horror"

E os malditos gemerão de dor.

"Um vendaval aviva o meu ódio"

Nenhum deles jamais subirá no pódio.

O que no vento semeou

Pelo mundo se espalhou

Cinquenta vezes colherá

Sua dor não cessará

Morrerá pelo seu pior medo

Esse é o meu desejo...

"O riso de uma bruxa"

"Um relâmpago prá misturar"

Esse feitiço por anos sem conta há de durar!

"Agora começa o teu sortilégio"

Não escapará nenhum maldito que cometeu tal sacrilégio!

As maçãs ferveram no caldeirão, lindas e irresistíveis ficaram e foram pelo ar, a cada casa, como sementes de maldição que quando comidas, ceifavam vidas em longos e tristes pesadelos por disse, meses ou anos de horror e dor.

_Quem semeia vento colhe tempestade, não há novidade!

E numa gargalhada horripilante, Morgana voltou a casa da tia, desfez o feitiço para tudo voltar ao normal, mas agora adorava ver o cine caldeirão, num programa inédito:

Agora começa o seu sortilégio.

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Apreciadores (2)
Comentários (2)
Postado 14/10/20 20:19

Você, sem dúvidas é boa demais quando o assunto é textos horripilantes! Que bela obra, muito bem escrita, que uso fantástico fez da imagem, que inspiração macabra e doce amargo fim, tiveram os que fizeram mal à pobre Morgana!

Quem me dera ser uma bruxa! Que graça tem na vida humana?

Novamente, ficamos com uma mensagem importantíssima no final: orgulhe-se de quem você é, honre suas raízes, nada mais lindo, do que ser você mesmo!

Obrigada por postar essa obra horripilante aqui, amei lê-la, com todo meu coração! <3

Postado 16/10/20 15:33 Editado 16/10/20 15:34

Pelos deuses, que obra macabra e incrível! Você escreveu com maestria a história dessa personagem, além de nos envolver completamente com as palavras. Sinceramente, a parte que a protagonista decidi retornar ao que ela sempre foi me deixou toda arrepiada. É uma linda cena de libertação, mas que foi, infelizmente, ocasionada por uma situação infeliz que aflinge muitos por aí.

É incrível como você consegue mesclar os gêneros e criar obras de magnitude sem igual.

Obrigada por compartilhar esse texto conosco!

Parabéns, Monise ♥​

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