O Danúbio Azul
maddie
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 04/02/22 19:04
Gênero(s): Drama Romântico
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 2min a 3min
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Palavras: 394
[Texto Divulgado] "Renascentismo" "And it's good to be alive Crying into cereal at midnight If they ever let me out, I'm gonna really let it out"
Livre para todos os públicos
Capítulo Único O Danúbio Azul

Suas palavras entram em meus ouvidos, elas soam como música. Seus dedos percorrem meu pescoço, meus ombros e meu rosto, seu toque é tão único que chega a me lembrar mármore. Seus olhos, azuis e profundos, me fazem velejar pelo Danúbio azul, e eu me perco em suas águas. Não sei se seus beijos são de fato seus ou de Klimt, mas os retribuo mesmo assim, pois por ambos eu estou apaixonada. Sou Virgílio e você Dante, juntos iremos descer em todas as camadas do Inferno, aproveitando para fazer poesia.

No final das contas, confundo você com Beethoven, Van Gogh e tantos outros mais que, ao olhar em seus olhos eu não sei se sou eu ou Mona Lisa. Corte meus braços como os de Vênus de Milo e então seremos felizes no final da epopeia. Você é arte, em todos os sentidos. Seus cantos e espaços, seus gestos e feitos, a arte está em seus pulmões e quando você expira, ao invés de soltar carbono, solta tinta no ambiente, então talvez o verbo certo seria inspirar. Sei que também sou arte. Sou sua musa e também seu herói, pois revezamos os papéis.

Você sempre comparou minha beleza a um quadro, e eu sempre me imagino num dos quadros de Waterhouse, por mais que você prefira Monet. Mas não importa os traços, pois juntos o que fazemos é poesia: versos, sussurros, sibilos e juras de amor. E se porventura escrevessem um livro sobre nós, a história seria uma partitura. Nem todos saberiam ler, é claro, mas mesmo os livros convencionais não agradam a todos. Somos clássicos, modernos, cubistas, barrocos… tudo nos agrega. Somos matemáticos que apenas sabemos somar, e para dividir nem fazemos contas, pois já é natural. E no fim do dia, quando me embala em seus braços, não sei mais se o Danúbio Azul é o do teus olhos ou se é o da canção, mas de qualquer jeito me ponho a cantarolar quando você não está.

Talvez essas pinceladas de verso o tragam de volta para mim, mas, mesmo se não o fizerem, você estará imortalizado em nossos quadros que trago na mente. Se ainda quiser dançar comigo ao som de Delacroix, recitar os poemas de Rembrandt ou pintar as melodias de Mozart, saiba que eu sempre estarei perdida em suas águas, dançando sozinha a nossa — ou melhor, a sua — valsa.

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Postado 28/05/22 16:20

Muito bem escrito, obrigada por compartilhar