Me sinto criança abobada brincando com a solidão
Não sou prefácio de um grande livro que virá
Tampouco comercial de novela que passará às oito
Sou tão falho como uma última célula de um corpo que cai
Dentro de um aquário de escuridão
Pequeno, insignificante, frágil, e mesmo assim, profundo.
Não quero o mundo, até porque mesmo nunca hei de um dia tê-lo
Uma pequena parte emprestada, numa caristia consumada vagarosamente,
Pra mim, será recreio de minha passagem, paisagem que é mutável e imutável
Descrita em versos mal-feitos de algum alguém qualquer
Que quer, algum dia, ser o alguém.
Me definho em falhas pautas e contraversões de mim mesmo
Me questiono e questiono o dia inteiro a voz que reverbera meu ser
Sou falho como um escritor que não consegue escrever.

