Dores e sabores
Webster Freires
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 12/04/26 21:12
Editado: 12/04/26 23:18
Avaliação: Não avaliado
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Capítulo Único Dores e sabores

O futuro é um sepulcro que a todos enterra, cala e esvazia todo seio, mas não o temo...

Às vezes, de caminhar entre esquinas e ruas, sozinho, eu vejo muito de uma vida, - fragmentos e lembranças - renhida entre a verdade e a incerteza. Ali naquele homem grisalho de aspecto altivo e arrogante, sentado num café lendo o seu jornal; ou naquela mulher carregando enfadonhamente sua sacola de alguma coisa, entre alimentos e preocupações; ou ainda, no pobre coitado de rosto cansado ali sentado num banco de praça, perdido nos próprios pensamentos, vejo muito do que sou. Talvez seja eu aquele pobre coitado de rosto cansado, ou ainda aquele homem com o rosto cansado venha a ser eu. Quem dirá? O futuro, certamente.

Obstante tudo isso, todas as noites antes de dormi, eu sinto um engasgo que cala qualquer pensamento, falta-me ar e cerro os olhos, receando o que trará o amanhã. E quando amanhece, de novo todas aquelas palpitações no peito, dignas de um louco. Maldição! Só o fechar de olhos, descansando ao sono com um belo rosto velando toda uma noite, seria o suficiente para sermos felizes. E por que não somos? Quem saberá as respostas? O céu é uma ilusão.

E lá vem o amanhã de dores e sabores, o Sol despontando sobre montes e cabeças, esperto e em prerrogativa de saber e não dar a ninguém as suas respostas. Há quem anseie pela imortalidade, não os culpo. Eu já não almejo tanto, nem sequer tenho horizontes, e dentro destas portas e deste corpo, não me caibo inteiro. Quero a eternidade de dias frágeis ouvindo o vento sussurrar, quero a crueza deste Sol que cega olhos de quem o contesta, quero noite inteiras de insônia sem motivos, quero provar o salgado deste mar verde como os olhos dela, quero o doce da vida, a longuidão de um caminho tortuoso e incerto, a alegria de dias felizes, a força para suportar os ruins deles, o azul do céu, o colorido de sonhos, a verdade da vida, e as mentiras que eles contam, pois também é necessário para assim crescermos; e observar, - em dias de um homem que se quebra tão fácil quanto um galho seco -, talvez como o homem de rosto cansado sentado em um banco de praça qualquer, o vaivém de pensamentos e pessoas, sonhando um dia de cada vez, sem esperar pelo o amanhã. Vivendo apenas por hoje, o hoje.

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