Entre o não-dito e horas findas¹
Não passam as nuvens, em remendo
de um céu baço, noite sem adornos;
Não passam as nuvens, Sol nem vento,
O não-dito entre mais dissabores.
Não passam as nuvens em lamento,
Na noite rubra que já fora minha.
Não há paz se não vens: o presságio;
O que partiu inunda, em mim caminha.
Se já não passa o quase: o teu silêncio
Nesta madrugada de horas findas;
Se em ti não caibo, então eu me estendo
Naquelas noites que eram tão lindas.
Teu riso: meu segredo junto o ocaso.
No não-ter, o sentir se faz o teço,
Mas se estas nuvens param em teu passo,
Só o vazio em mim se faz confesso.

