Decassílabos
Webster Freires
Tipo: Lírico
Postado: 07/05/26 21:39
Editado: 08/05/26 16:11
Avaliação: Não avaliado
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Capítulo Único Decassílabos

Entre o não-dito e horas findas¹

Não passam as nuvens, em remendo

de um céu baço, noite sem adornos;

Não passam as nuvens, Sol nem vento,

O não-dito entre mais dissabores.

Não passam as nuvens em lamento,

Na noite rubra que já fora minha.

Não há paz se não vens: o presságio;

O que partiu inunda, em mim caminha.

Se já não passa o quase: o teu silêncio

Nesta madrugada de horas findas;

Se em ti não caibo, então eu me estendo

Naquelas noites que eram tão lindas.

Teu riso: meu segredo junto o ocaso.

No não-ter, o sentir se faz o teço,

Mas se estas nuvens param em teu passo,

Só o vazio em mim se faz confesso.

❖❖❖
Notas de Rodapé

¹ Expressão que delimita o espaço psicológico do eu lírico: o vácuo entre o silêncio do que não foi revelado (o não-dito) e a exaustão do tempo que se esgotou (horas findas). Refere-se ao estado de suspensão existencial onde a ausência de diálogo, a vigília e o fim do tempo compartilhado convergem para a confissão final do vazio.

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