Mãe,
Eu não queria ter consciência disso, mas sei que deveria ser uma filha melhor para você.
Por todas as vezes que adiei os pedidos de desculpas inevitáveis e, por todas as vezes que eu escolhi te interpretar do meu jeito mesmo sabendo da verdade. Porque a verdade é assim. Difícil de ser digerida e impossível de ser vivida.
A pior parte desse texto não é, nem de longe, admitir conhecer os erros que podem ser corrigidos, mas decidir por, mesmo estando lúcida sobre sua existência, não o fazê-lo.
Agora, vagueio sobre a linha tênue entre forjar cenários onde eu tento reparar todos os anos desse relacionamento quebrado porque a maternidade pressiona que assim seja, ou, simplesmente, desistir. Para o meu próprio bem.
Se é o meu inconsciente me levando tendenciosamente para o caminho mais fácil, não sei. De algum jeito, me protege, e onde mais me machuca, me alerta que, algumas coisas, não podem mais ser consertadas embora eu queira.

