Luzes mortas
Cria de Minerva
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 03/08/26 14:42
Editado: 03/08/26 14:44
Gênero(s): Poema Reflexivo
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 2min a 3min
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Palavras: 377
Livre para todos os públicos
Capítulo Único Luzes mortas

As vezes, em um dia comum, quando abrimos os olhos para encarar a vida, somos recebidos com um ar frio, um vento cortante e um ar rarefeito. Tudo amanheceu errado! No mesmo momento, a boca seca, a garganta pega fogo e os olhos ficam marejados. E, assim, um dia que mal começou, já é perdido nos primeiros segundos de sol.

É difícil esperar pela tempestade, quando sua pele está quase rachando de tão seca. É difícil esperar pelo verão quando sua mandíbula parece estar prestes a quebrar de tanto frio. É difícil se recordar das flores, quando você não se lembra de outra cor que não seja o cinza. Mas uma vez, alguém me disse que era preciso seguir. Caminhar, caminhar, caminhar... até chegar no meu cantinho, reservado pra mim pelo cosmos. Será? As vezes caminhar dói os pés, pesam os ombros. E as estrelinhas, cada vez mais distantes, me desejam sorte - apesar de tudo. Olho pra elas sempre que estou prestes a desistir. Quando a lua decide descansar e se esconder atrás das nuvens, essas mesmas estrelas me guiam em meio ao breu. E elas sussurram, esperançosas, que eu acredite nelas: vai dar certo, é só mais um percurso de pedras. Espere pelo verão. Pela primavera e, então, pelo outono. Espere os ciclos finalizarem, sinta-os em seu coração, sabendo que eles sempre se renovam.

Nem sempre eu entendo as estrelas. As vezes, sinto raiva delas e queria que elas se calassem. Por que elas não ficaram ao meu lado para me dizer daqui? Por que elas precisavam partir para me assistir de longe?! Elas provavelmente me responderiam que esse foi o ciclo delas. E elas precisavam retornar para o lugar que sempre pertenceram: ao infinito. Irônico, eu sei. Foi mais um ciclo que se encerrou. Mas eu nunca lidei bem com eles.

Agora, estou aqui, encarando o sol que queima meus olhos. Na esperança do ar seco, dos raios que incendeiam minha pele e iluminam o trajeto... me recordem dos espaços que posso alcançar. Com a luz do dia, encaro o horizonte e posso ver tudo aquilo que eu quero ser. E onde chegar. Espero não esquecer deles quando a noite chegar. Mas tudo bem, no fim. As estrelas sempre farão de tudo para me lembrar...

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