Conto de uma noite de insônia (Em Andamento)
Monise
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 12/07/25 06:02
Editado: 25/01/26 23:52
Qtd. de Capítulos: 15
Cap. Postado: 25/01/26 19:14
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 15min a 20min
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[Texto Divulgado] "Flegetonte - O Rio da Cura." Condenada a despertar no Tártaro sem lembrar como ali chegou, uma alma ferida percorre os rios do submundo em busca de redenção. Entre o Estige dos juramentos quebrados, o Cócito das lamentações eternas e o Aqueronte das travessias impossíveis, ela revisita pactos, dores e desistências que marcaram sua existência. Movida pela esperança de purificação, encontra o lendário Rio da Cura: o Flegetonte. Diante da luta pela cura e da repetição infinita da dor, resta-lhe uma última escolha.
Não recomendado para menores de dezesseis anos
Conto de uma noite de insônia
Notas de Cabeçalho

Luís recorda vários momentos de convivência com seu pai, sua completa falta de carinho por ele e seu domínio. Com a morte do pai finalmente podia chamar sua casa de lar e ter a esperança de realizar seus sonhos...

Capítulo 13 Lembranças e sonhos

LEMBRANÇAS E SONHOS

Os dias correram com tranquilidade, Luís se sentia livre, seguro e amado como nunca, sua casa realmente se transformara em um lar com a morte do pai.

Lembrava-se que sempre a cada visita o pai arranjava um jeito de o atormentar... Nos primeiros anos de escola, sua letra era pavorosa, pois o pai ao ver isso, o humilhou na frente das visitas ao mostrar uma carta que o filho escrevera, que além de pouco legível, tinha muitos erros de ortografia, foi nas primeiras férias, aos 8 anos. Luís estava abraçado à mãe, totalmente distraído, mexia nos cachos dos cabelos de Heloísa e acabou por chupar o dedo, o pai que havia saído do escritório para dar uma ordem a governanta, viu a cena e não teve dúvida, chamou Luís ao escritório.

O menino entrou um tanto quanto encabulado, pois haviam muitos homens lá dentro e ele se sentiu ainda mais pequeno... O pai apresentou a criança e depois ordenou que se sentasse numa das cadeiras, quase no final da mesa.

Os homens fumavam e bebiam, enquanto discutiam negócios, Luís sem jeito a tudo observava, mudo. O pai foi a escrivaninha e pegou a correspondência, mostrou alguns memorandos aos homens e fingindo surpresa, pegou uma carta de Luís.

_ Ora, o que temos aqui?! É uma carta sua Luís! Abriu e mostrou aos colegas. Nossa, não sabia que o colégio Windsor ficava no Egito... Sua escola fica no Egito por acaso, Luís???

O menino, sem entender nada, responde encabulado:

_Não, papai, fica na Inglaterra...

_Mas não me parece... Essa droga dessa carta, está toda escrita em hieróglifos, vejam rapazes... O que que está escrito aqui, conseguem decifrar???

Os homens faziam chacota do garoto, que ia se encolhendo na cadeira...

_Rapaz, eu não pago uma fortuna na sua escola para você escrever tão mal... Estás ocioso... A partir de amanhã vais treinar caligrafia!

Tocou a campainha e dona Gioconda apareceu imediatamente.

_Dona Gioconda, a partir de amanhã esse garoto preguiçoso deverá treinar caligrafia! Providencie o material necessário e o livro. Quero que copie 3 páginas do livro todos os dias e que lhe passes 100 palavras para copiar também, além do alfabeto. Supervisione pessoalmente, ele só poderá brincar após ter realizado a tarefa!

_ Como queira, senhor! Levo-o comigo agora?

_Sim, leve-o para o quarto, ficará de castigo o restante da noite.

Luís saiu da sala com os olhos banhados de lágrimas, não entendia porquê de ser repreendido na frente de todos aqueles homens...

Doutra feita, tirara uma nota baixa em matemática, pois fizera a prova doente e com febre, como não houve chance de recuperação a nota foi para o boletim...

Eram as férias de final de ano, ficaria dois meses em casa, o pai havia prometido que iriam a uma das fazendas passar uns dias. Luís ficara eufórico! Aprendeu a andar a cavalo e tudo corria muito bem até chegar o boletim depois de 15 dias. O pai ficou fora de si!

_Seu garoto ingrato! Lhe pago um colégio que me custa rios de dinheiro e você me vem com essa nota!!!

_Mas papai, estive doente e mal conseguia enxergar a prova de matemática... Me perdoe, logo recupero, prometo!

_Não tem mas nem meio mas garoto! Vais voltar para a cidade, acabou a farra! Tão logo o Osório chegue, tu retornas com ele, mas como ele só vem na semana que vem, vais pegar no batente pra aprender que a caneta pesa menos que uma enxada...

E o pai deu ordens para que acordassem a criança às 4 da manhã para ajudar a cuidar dos animais e depois deveria ir para a lavoura com os empregados. Heloísa tentou protestar:

_Mas querido, ele só tem 10 anos e não está acostumado com o sol quente...

_Cale-se mulher, ou não respondo por mim...

E Luís passou a acordar de madrugada para cumprir o castigo, a mãe acordava com ele e ia junto para cuidar que o menino não se machucasse, voltava antes do filho ir para a lavoura, pois se o esposo soubesse que o ajudava seria punida...

Entretanto, o trabalho pesado no sol cobrou o seu preço e no sexto dia, Luís desmaiou no campo. Os trabalhadores alarmados trouxeram a criança. Heloísa quase enlouqueceu, partiu para cima do esposo, lhe bateu, gritou que ele era um assassino!

Jorge ficou assustado, pois o menino não acordava, mandou chamar o médico da vila e este ao chegar disse que o garoto havia sofrido uma grave desidratação. Cuidou do garoto dia e noite e depois de três dias o menino finalmente abriu os olhos. Por sorte, não houve sequelas, mas Jorge mandou a esposa e o filho imediatamente para a cidade.

Quando voltou, Jorge acertou as contas com Heloísa:

Entrou de mansinho no quarto dela, na madrugada em que chegou. Agarrou-a pelos cabelos enquanto dormia.

_Então eu sou um assassino, Heloísa?! Posso fazer suas palavras se tornarem realidade muito facilmente...

Heloísa assustada gritou estarrecida e o pequeno Luís acordou e correu para o quarto da mãe;

_Largue ela, seu maldito! Eu te odeio!!! - E começou a socar o pai, levou tal bofetão que foi parar longe...

Ela temendo pela vida do filho se pôs a implorar perdão, disse que a criança estava com febre e não sabia o que dizia, que não tinha domínio da razão...

_Pois bem, que nunca mais se repita ou mato os dois!!! E saiu do quarto, deixando o caos atrás de si.

Mãe e filho se abraçaram e choraram até dormir.

No outro dia, ao chegar do escritório o pai entregou a Luís um livro e um caderno, iria ter aulas de matemática todos os dias, até voltar para o colégio e como castigo pela impertinência, ele e a mãe ficariam um mês sem passear na praça.

O professor passou a vir ministrar as aulas a Luís no escritório do pai, Heloísa não tinha permissão de sair do quarto, até o professor ir embora, por duas horas diárias era prisioneira no próprio quarto.

Sempre era assim, violência sobre violência, desde a forma mais explosiva até a mais sutil... Luís não conseguia achar boas lembranças que lhe dessem esperança... a cada recordação o pai parecia mais monstruoso...

Um dia, aos 12 anos, foi com o pai conhecer o escritório na cidade, o pai lhe dissera que após terminar o secundário, o filho iria cursar Direito e Administração e depois viria com ele para o escritório, para aprender a gerir os negócios da família.

Luís não gostou muito dos planos do pai e na inocência falou ao pai que não pensava ter jeito para ficar o dia todo num escritório...

_Como assim rapaz??? Então para quê levas jeito?! Para seres um maricas e ficar a barra da saia de tua mãe?!?

Percebendo a ira na voz do pai, se deu conta de seu erro... E agora, como isso acabaria? Conhecia o pai e sabia que não passaria batido...

_Papai, não disse que não faria como o senhor deseja, só acho que o senhor é muito bom no que faz e que não sou capaz de ser assim tão grande...

_Sei... Em casa conversaremos Luís... disse o pai com os olhos faiscando...

Imediatamente chamou o motorista e mandou que levassem o filho de volta para casa. O garoto foi com o coração aos pulos, e agora, o que viria? Chegando correu para o quarto da mãe e contou o corrido. Logo o medo tomou conta dos dois... Ficaram por longo tempo juntos e abraçados, chorando por antecipação a dor da punição...

Heloísa percebeu que chorar e lamentar só tornaria tudo pior... Soltou o filho, se recompôs e mandou que ele fizesse o mesmo. Resolveu, iriam sair para o passeio na praça, já estava quase na hora mesmo...

Resolveu ir caminhando com o filho, hoje coube a seu Rogério os acompanhar, o homem sentindo-se constrangido com aquilo, ia uns 15 passos atrás, fingindo olhar as lojas, carregava um jornal para disfarçar e ter o que fazer, mas não sabia ler direito.

Ela e o filho foram conversando e aos poucos se acalmando, chegando a praça, quase não havia mais tensão. Heloísa sentou-se com o filho num dos bancos e seu Rogério sentou a certa distância, odiava aquilo, não queria ouvir as conversas da patroa com o filho, por isso sentou-se a uns 4 bancos de distância, de onde pudesse ver mas não ouvir nada.

Heloísa, retomando o controle de suas emoções, resolveu perguntar ao filho algo que há tempos vinha se perguntando:

_Luís, meu querido, estás a pouco de terminar o secundário, que profissão gostarias de seguir? Já que o escritório de teu pai parece lhe causar incômodo...

_Ah mamãe, se eu pudesse escolher, e como queria poder... Gostaria muito de ser médico! É meu maior sonho... Nunca me esqueci daquela tarde em que o doutor Olavo, com tanta habilidade colocou o meu braço no lugar... Queria ajudar as pessoas, sabe? Gostaria muito de curar as pessoas...

_Que desejo lindo, meu filho! Nunca imaginei que aquele incidente o houvesse marcado tanto... Até lembras do nome do médico... Entretanto, acho difícil que consigas ir contra os planos de teu pai...

_ Ah mamãe, sei que é complicado, mas quando for homem feito, me mudo e sigo minha vida! Já até comecei a ler algumas coisas de medicina, não entendo muito, mas nas horas vagas eu estudo o corpo humano, sabe... Com o último dinheiro que me enviaram no meu aniversário, comprei um atlas do corpo humano. É tão interessante...

_Que surpresa, Luís, pelo jeito você realmente quer esse caminho... Só lhe rogo uma coisa, meu filho, não o conte ao seu pai, pelo menos antes de atingires a maioridade...

_Tudo bem, mamãe, não pretendia contar mesmo e com o que aconteceu hoje de manhã, tenho certeza que não seria uma boa ideia...

_Garoto esperto! Serás médico, tenho certeza! Mas precisas ter paciência e dar tempo ao tempo...

Voltaram a casa antes da chegada de Jorge, havia um recado para a cozinheira preparar algo especial, pois teriam visita para o jantar. Heloísa estranhou, mas fez os preparativos com muito cuidado. Como não havia recado sobre vestimenta, resolveu usar trajes sóbrios, mas elegantes.

No jantar compareceu seu Rafael, um importante professor do Liceu, dava aulas de Ciências Exatas e também era um importante investidor na bolsa de valores.

Heloísa e o filho permaneceram em silêncio durante todo o jantar, enquanto isso os homens animadamente conversavam de negócios. Após o jantar foram para a sala principal onde estava pronto o café e os licores e Jorge se dirigiu ao filho:

_ Um mês é muito tempo para ficares parado dentro de casa nas barras da saia de tua mãe! A partir de amanhã terás aulas particulares com mestre Rafael na sala de estudos do Liceu. Ele começará a lhe ensinar como funciona o mundo dos negócios... Infelizmente, mestre Rafael só pode lhe dar aulas dois dias por semana. Irás estudar com ele das 14 ás 16 horas, às quartas e sextas feiras, até retornares a escola, entendeu?

_Sim, senhor meu pai, respondeu o garoto, baixando os olhos.

Então esse era o castigo, não poderia mais ficar tanto tempo com a mãe, teria de estudar nas férias... Até quando ele e a mãe continuariam reféns dos caprichos do pai?

Deitado na cama, Luís pensava em como poderia usar isso a seu favor... Já que não teria o prazer da presença da mãe, o que poderia fazer por si mesmo e pelos seus sonhos?

Gostava de se imaginar num consultório numa pequena cidade, as pessoas faziam fila para serem atendidas por ele, e ele, médico competente as curava de seus males e era respeitado por todos. Imaginava como seria seu consult[orio, os móveis, se via de jaleco... E com esses epnsamentos adormeceu.

No outro dia, pontualmente no horário marcado, Luís começou as aulas, não achou de todo ruim, pois afinal precisava realmente entender, pelo menos um pouco, como funcionava o mundo dos negócios e mestre Rafael era um excelente professor, dava gosto ouvir seus ensinos.

Luís tinha uma memória prodigiosa, ouvia as aulas na escola e com uma simples leitura em suas anotações já conseguia a nota máxima, pensando nisso, resolveu dar um jeito de convencer o pai a deixar ele estudar na biblioteca pública, após a aula no Liceu.

Como não podia ter livros de medicina em casa, iria na biblioteca com a desculpa de rever os ensinos da aula e ao invés disso, usaria o tempo ali para estudar medicina, o plano perfeito!

Após a segunda aula, pediu permissão ao pai para estudar na biblioteca, Jorge, crendo que o filho estava pegando gosto pelos negócios, permitiu. Assim, Luís saía da aula as 16 horas e estudava medicina na biblioteca até as 18 horas, quando o motorista buzinava e ele saía para irem juntos buscar o pai no escritório.

Esse esquema funcionou bem por uns dois anos, em todas as férias Luís estudava com mestre Rafael no Liceu e depois sozinho estudava medicina na biblioteca, seus sonhos começavam a caminhar timidamente...

Luís estava prestes a completar 15 anos e seu pai pensava que já era hora dele a ir ao escritório e começar a se inteirar dos negócios da família. Pensando assim, ligou para o diretor do colégio para saber o que lhe diziam de seu filho.

_Seu Jorge, que prazer conversar com o senhor! Seu filho é um rapaz muito estudioso e dedicado, um orgulho para nossa escola. É responsável, educado, sério e com certeza será um grande médico!

_Como assim um grande médico? Jorge sentiu o sangue lhe subindo pelas veias...

_Ele se dedica muito ao estudo do corpo humano e das doenças, passa horas lendo na biblioteca, sem dúvida passará facilmente no exame de medicina.

_Pensava que ele iria seguir o caminho da Advocacia e Administração, ele não estuda essas coisas?

_Claro, que as estuda, mas seu dom é a medicina, claro que por ser inteligente seria bem sucedido em ambas, sem sombra de dúvida...

_Obrigado pelas informações Mister Ronald, mas insisto que meu filho realize exames para o curso de Direito e o de Administração.

_Como queira senhor!

Jorge desligou o telefone tremendo de ódio. Então o pirralho achou que iria lhe passar a perna??? Médico??? Só sobre o seu cadáver, ou melhor, nem passando por cima de seu cadáver, o filho ia aprender direitinho quem manda, ah se ia...

Logo chegariam as férias e ele acertaria as contas com aquele moleque...

Pensando assim, começou a tomar certas providências... Se não fosse os problemas com aquela nova fazenda, Jorge iria pessoalmente na escola do filho, certificar-se de que agora pra frente Luís só estudaria aquilo que ele permitisse...

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