Feitiço de Libertação
6 de Janeiro
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 16/05/24 01:56
Editado: 16/05/24 02:04
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 2min a 3min
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Palavras: 460
Não recomendado para menores de catorze anos
Notas de Cabeçalho

Poema antigo, que salvou minha vida no exato momento em que foi concebido.

Não tenho mais medo de expor, pois viver o que me destroçou, me dá o total direito de escrever sobre, a qualquer momento, da forma que eu achar melhor. Se doer nos ossos de alguém, entender FINALMENTE o quê aconteceu, saia você, desta MINHA casa, dessa vez, eu que vou ficar :)

E eu não vou parar, nunca mais.

Capítulo Único Feitiço de Libertação

A tempestade veio pingando…

Água e sangue

pelo piso branco;

senti que algo estava

se quebrando,

dentro e fora,

me castigando…

Eu não fui uma boa menina?

Não lavei a louça quando deveria?

Não fiquei para ver no que daria?

Não sorri e aceitei

oitenta, mil, milhões

de vezes essa míngua?

Não mais, pois hoje eu rebati,

urrei como uma fera do abismo,

com a morte nos olhos,

e o diabo na língua!

FINALMENTE

deixei minhas unhas

c r e s c e r e m

e

rasguei a amarga rotina.

Perfurei meu rosto,

num ritual brutal e prazeroso

para ver se a dor eu aguentaria…

E sim, dominei toda a algia.

E, se todas as minhas coisas

estão agora

a m a l d i ç o a d a s,

então, a sua casa está assombrada,

meu lado vazio da cama mofado,

o que deixei para trás,

petrificado:

Faça força para se desfazer

do assombro que agora vai

perseguir você.

Eu fui uma deusa num pêndulo,

amarrada aos seus dedos

a todos os seus medos,

para lá,

para cá,

suspensa no ar,

sem sair do lugar...

Foi quando,

entre as lágrimas e a

devastação,

calculei um

Feitiço de Libertação.

E sem desespero,

cerrei a algema invisível

aos poucos, com meus dentes,

me permiti cada "exagero",

pois meus sonhos,

são mesmo divergentes.

E, enquanto você me vomitava

de seu banquete de amarguras,

eu gargalhava e regozijava!

(E em segredo!)

Pois tudo que eu quero, funciona,

Tudo que eu desejo,

uma hora acontece

e cada problema se soluciona

afinal, meus caminhos

estão abertos...

Para mim, agora

dias de sol e brisa.

trabalho e cantoria,

e, leveza, e

liberdade e sabedoria.

Para mim, que não sou

mais uma tola menina,

vida plena e alegrias,

e comilanças,

a n d a n ç a s

e amizades e vinho,

pois, disto tudo

eu nunca me farto,

e de fato,

meu feitiço funcionou.

Como uma boa e velha

artista herege,

ou, como uma ladra, uma desgraçada,

uma escritora medíocre,

já me acostumei,

com o fervilhar das chamas,

e criei imunidade

à solidão,

ao barulho externo,

a todos os fins.

E se o seu reino de palha,

inteiro se queimou,

se o pó se

a p o s s o u

de seus pulmões,

se a fumaça te sufocou,

se o silêncio te ensurdeceu,

se o vazio te preencheu,

se mais ninguém te adulou,

se mais nenhuma alegria restou,

deve ser porque…

você mesmo, no caos, se trancafiou.

.

E até pensou

que me

dominou...

Que minha alma

para sempre calou...

Mas eu,

sim, eu

s e m p r e,

resgato meus tesouros

os encaixo magicamente

embaixo dos braços

e prossigo convicta,

eu,

sim, eu,

s e m p r e

gargalharei

por último.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Eu me aproprio AGORA, desta MINHA casa, das MINHAS palavras e sentimentos e desejos e medos e coragens, cada vez mais, me vou silenciosamente, pela manhã, resgatando minhas COISAS AMALDIÇOADAS, rimo as minhas tortuosas vivências, mostro para meus melhores amigos, gargalhamos, suspiramos, e aplaudimos.

- E só desenterrei essas maldições, para poder me libertar.

"BET YOU RUE THE DAY YOU KISSED A WRITER IN THE DARK" - LORDE.

Pois eu amaldiçoo, também.

Obrigada por acompanharem a desventurosa história.

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