Espelhos
Himerus
Tipo: Lírico
Postado: 08/04/17 20:18
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 1min a 2min
Apreciadores: 2
Comentários: 3
Total de Visualizações: 1672
Usuários que Visualizaram: 9
Palavras: 274
Não recomendado para menores de dezoito anos
Notas de Cabeçalho

Nada a declarar.

Capítulo Único Espelhos

Atônito e pálido, encarando-se em um espelho deformado,

Deformado pelo tempo, assim como sua aparência.

Era como muitas crianças feliz e bonito, a adolescência estranho e repleto de espinhas, em sua fase adulta considerava-se mais ou menos, até conseguiu namorar algumas moças, mas, mesmo assim, ao lembrar de seu passado e de suas boas lembranças o futuro o atordoava, no espelho deformado sua face ia tomando uma forma desconhecida, algo como a morte?

Sua olheiras eram tão profundas que parecia que tinham cavado buracos sob seus olhos, a sua pele estava tão translúcida, ele jurava poder ver através de si, enxergava cada veia com exatidão.

Agora, em todo canto há espelhos,

Tortos, quebrados, pequenos, grandes, de todas as formas imagináveis!

No reflexo sua pele derrete como gelo no deserto e só restam os músculos e a carne, o desespero faz com que ele tente pôr novamente a pele líquida no lugar, mas, falhou, como na maioria das vezes.

Conviveria assim como carne

Carne viva, ou talvez morta? Quem sabe.

Ele nunca se achou vivo, nunca vivenciou, seus namoros foram em vão, todos para atrair alegria, mas, era triste o pobre coitado.

Sua carne pulsante sangra e espirra formando manchas nos espelhos, ele as observa e repara, elas tem formato de animais!

Ah, ele lembra, ele se lembra de olhar a forma das nuvens com sua mãe, via animais, navios, carros, tudo era tão divertido.

Está muito quente, extremamente quente, sua carne borbulha, seus ossos queimam, ele estoura como um balão, seus pedaços se espalham pelos espelhos e caem junto com suas antigas memórias e seu futuro que não existe mais.

Na verdade nunca existiu.

❖❖❖
Apreciadores (2)
Comentários (3)
Postado 09/04/17 09:38

Depressivo, objetivo, dramático. Tudo o que eu poderia querer em um texto.

Postado 21/04/17 14:27

Um pouco confuso. Algumas pontas parecem soltas. Embora seja muito mórbido e contenha o duplo tema proposto pelo TM2, algo continua a não fazer sentido.

Postado 15/10/20 15:26

Descreveu perfeitamente como é o inferno de dissociar... A gente se sente dilacerado, mordido, estraçalhado, só de olhar no espelho, de escutar nossa própria voz - será que é minha voz? De tocar em nossos próprios dedos - será que são meus dedos?

É o horror mais real, ser perseguido por si mesmo, você é o intruso, você é o seu próprio assassino.

Meu coração sangra, só de lembrar dessas visões.

Que obra boa! Muito bem descrita, o formato do texto, nos induz ao transe! Parabéns!

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