Eu Vi
Diablair
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 27/11/20 18:42
Editado: 27/11/20 22:00
Gênero(s): Mistério Sobrenatural
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 2min
Apreciadores: 6
Comentários: 3
Total de Visualizações: 211
Usuários que Visualizaram: 12
Palavras: 356
Este texto foi escrito para o concurso "Concurso Inspirações 2020" O intuito deste concurso é que os participantes escolham apenas e obrigatoriamente 3 (três) das 15 (quinze) frases disponibilizadas para este concurso, através destas frases escolhidas, devem redigir uma obra na qual as frases sejam inseridas no corpo do texto com originalidade. Ver mais sobre o concurso!
Não recomendado para menores de catorze anos

Esta obra participou do Evento Academia de Ouro 2020, indicada na categoria Mistério.
Para saber mais sobre o Evento e os ganhadores, acesse o tópico de Resultados.

Notas de Cabeçalho

Perdão, Huldra...

Capítulo Único Eu Vi

Eu costumava comprar os remédios da minha mãe no centro do município onde moro. Indiferente nos cruzamos e um dia, como outro qualquer, os olhares se cruzaram pela primeira vez e esse momento, ficou marcado. Não sei se você revelou-se deliberadamente ou tudo se sucedeu por conta de algum acidente cósmico bizarro, todavia pude sentir seus olhos de íris tão escuras e gélidas quanto o espaço sideral encarando meus olhos castanhos, minhas pupilas mais que dilatando com o contato visual que tivemos naquele ínfimo, e ainda assim, quase eterno segundo em que a multidão não lhe encobriu.

Como descrever algo tão lindo e tão monstruoso ao mesmo tempo? Como definir uma presença tão sutil e simultaneamente esmagadora? Eu lhe temi e lhe desejei com igual intensidade e foi no intervalo entre tantas ambiguidades que você desapareceu como se nunca tivesse existido.

Mas, você sempre esteve lá. E aqui. E em todo lugar, a qualquer tempo.

Desde nosso encontro, não tenho sido mais o mesmo; as pessoas me perguntam que diabos eu tenho ou o quê aconteceu com minha cara, afirmando que estou "esquisito". Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: - Em que espelho ficou perdida a minha face? É isso que elas querem saber? E como poderia eu dizer que foi no reflexo de seu olhar, quando me vi perecendo de tantas formas quanto seriam possíveis de ocorrerem neste mundo?

De velhice. De doenças. De acidentes. De assassinatos. De suicídios. De modos indescritíveis. E em cada uma delas, seja lá qual fosse/seja, você estava/estará lá.

Não sei quanto tempo ainda me resta, entretanto julgo não possuir muito, dadas as circunstâncias... Há quem diga que o tempo não existe, que somos nós que o inventamos e tentamos controla-lo com nossos relógios e calendários. Pois agora digo absolutamente convicto que o tempo, se é que tal conceito ainda (me) seja válido, segue apenas um fluxo inexorável: aquele definido por você.

Pois você é a Morte. A Destruição. O Fim de Todas as Coisas.

Assim como foi o meu em N aspectos quando te vi naquele dia e quando nos revermos uma última vez...

❖❖❖
Notas de Rodapé

Sorry again.

Apreciadores (6)
Comentários (3)
Comentário Favorito
Postado 14/12/20 15:53

Querido amigo Diablérico,

Juro que nem sei como te elogiar e toda vez é a mesma coisa, pois me deparo SEMPRE com suas obras que me tiram completamente desta esfera que chamamos de Terra e me roubam o ar!

Quando li seu texto pela primeira vez, não havia reparado que era para meu concurso e fiquei longos minutos em silêncio... Pensativa.

Como nos fascinamos com a morte! Nos apaixonamos pelas ideias de não existência, sem mais dor, filas de banco, pessoas rudes... Quando crianças temos tantos sonhos, e quando adultos, apenas queremos descansar nos silenciosos braços da morte... Mas peço amigo, que continue me surpreendendo, emocionando e me aproximando de suas obras, de seu universo, sua escrita é um sussurro universal.

E o que dizer da qualidade gramatical, estrutural e de narrativa? Ahhh...

Suas obras me surpreendem a cada dia mais, agradeço do fundo do meu ser pela sua participação em meu primeiro concurso!

Postado 16/12/20 09:35

Não tenho palavras para externar minha surpresa e gratidão por seu feedback, Huldra... Captaste tão bem o âmago da obra que me deixa tremendamente agradecido e honrado por sua leitura! Quando escrevi esta obra, foi com o mais despretencioso e modesto dos motivos, mas fico imensamente feliz por alcançado um lugar no pódio com esta humilde e sinistra obra!

Muitíssimo obrigado de todo o restante de meu opaco e necrosado coração! Gratíssimo, gratíssimo!

Postado 30/11/20 13:14

Essa atmosfera sombria combinou muito com as frases que você adicionou e o texto surpreende quando chegamos os final, o aparente interessante romântico era pela Morte. Narrativa envolvente e sem defeitos.

Meus parabéns!

Postado 01/12/20 05:00 Editado 01/12/20 05:04

Sr Silva! Que grata surpresa vê-lo por aqui! Fico muito honrado e agradecido por suas palavras, é muito bom saber que o teor sombrio da obra o apeteceu! Muitíssimo obrigado pelo feedback positivo! Gratíssimo!

Postado 30/11/20 19:06

Maravilhoso seu texto!

Acho que nesse concurso eu e você estamos na mesma sintonia...

Boa sorte!

Postado 01/12/20 05:04

Pois saiba que tal constatação da sua parte em muito me empolga e agracia, Srta Monise! É sempre um imenso deleite ler seus comentários e textos! Que ambos possamos ir bem neste excelso concurso!

Muitíssimo obrigado! Gratíssimo!