Os cigarros estavam jogados no canto da sala, junto com alguns remédios, enquanto o corpo da loira jazia sobre o tapete macio de pelo sintético. Seus olhos estavam abertos e observavam o nada enquanto ela tentava focar em sua respiração. E, então, uma risada fraca escapou de seus lábios cor de sangue.
Patética. Era o que ela pensava naquele exato momento.
Sempre fora considerada a senhorita sortuda por ter a vida que tinha: filha de dois grandes empresários, podre de rica, garota capa de todas as revistas de fofoca, namorada de um jogador de basquete famoso.
A senhorita boneca perfeita.
Pena que poucos sabiam como realmente era sua existência maldita. Acabara de sair de uma briga com seu digníssimo namorado e as marcas dos tapas que ele lhe dera ainda estavam num tom avermelhado na pele pálida; logo tornar-se-iam roxas.
“Morra, garota inútil”. Foram as últimas palavras que a moça ouvira da boca dele. No exato momento em que ele saíra do apartamento, cigarros e antidepressivos foram loucamente consumidos.
Então, a senhorita boneca perfeita, passou a ser a senhorita nada. E, em seus últimos momentos nesse mundo asqueroso, seus cigarros a acompanhavam alegremente.
“Meu único erro foi eu nunca ter te decepcionado
Então desperdiçarei meu tempo e perderei minha cabeça
Eu sou a senhorita nada, eu perdi tudo”

