Retaliação (Em Andamento)
Diablair
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Tipo: Romance ou Novela
Postado: 21/05/17 10:48
Editado: 12/09/20 08:39
Qtd. de Capítulos: 3
Cap. Postado: 21/05/17 10:48
Cap. Editado: 27/05/17 10:34
Avaliação: 9.83
Tempo de Leitura: 5min a 6min
Apreciadores: 5
Comentários: 5
Total de Visualizações: 329
Usuários que Visualizaram: 12
Palavras: 804
[Texto Divulgado] "Ecos do passado acorrentados pela negação" Somos os vultos nas fotos, aqueles que observam do escuro, aqueles que não estão mais mortos, o som da respiração no silêncio, a negação ecoando no futuro. Ou talvez apenas um de nós. Afundados em melancolia e no esquecimento, esperamos o momento em que voltaremos como uma folha em branco, sem nos dar conta da natureza trágica de nossa existência. Somos ecos do passado, somos o fardo e o trauma daqueles desafortunados da classe 3-3. Éramos a classe 3-3. Quem é o morto do ano? Também aguardamos essa resposta. | Oneshot Per Month Project | Mês do Terror e Horror | Outubro 2020 |
Não recomendado para menores de dezoito anos
Retaliação
Notas de Cabeçalho

Zombaram. Duvidaram. Esqueceram.

Eu não.

Música-Tema da obra: Hello Zepp ​(Saw/Jogos Mortais)

Quem tiver estômago fraco ou se sensibiliza com qualquer coisa, volte para a Terrra do Nunca. Aqui não é seu lugar.

Quem quiser uma leitura agradável, uma trama envolvente ou uma história elevada, busque outra fonte. Não estou aqui para entreter ninguém hoje.

Eu só quero me divertir agora. Mesmo que me custe uma amizade ou duas.

Ou todas.

I Ato Aquecimento

Joice abriu os olhos lentamente: a vista estava turva e obstruída pela sua própria bela, longa e cacheada cabeleira escura, a cabeça doía em uma leve vertigem, sua boca estava seca, amargando e... Machucada? Seu torpor passou tão rápido quanto a aceleração súbita que tomou conta de seu coração quando se deu conta que estava firmemente algemada e presa em uma espécie de poltrona com um pano fino e escuro envolvendo-a do pescoço para baixo.

Ela gritou um palavrão enquanto se sacudia violentamente tentando se soltar. Seu olhar frenético e furioso varreu o local onde estava presa enquanto tentava lembrar como diabos fora parar ali: era algum tipo de galpão em péssimo estado de conservação e iluminação, nos melhores moldes de Jogos Mortais ou O Albergue. Só nesse instante é que o fedor do lugar golpeou suas narinas com tal ímpeto que a fez ter ânsias. Gemidos abafados chegaram aos seus ouvidos junto com o som de goteiras e o zunido intermitente das escassas e falhas luminárias.

Confusão. Dor. Ansiedade. Medo.

Joice não estava sozinha: enquanto lutava para soltar-se e continha o autocontrole como podia, notou que a alguns metros de distância de seus flancos existiam mais dois amontoados cobertos integralmente por um extenso tecido. Não conseguia enxergar direito, mas os grunhidos vinham dali e eram um claro pedido de ajuda. Todavia, logo que a visão de Joice adaptou-se àquela obscuridade maldita, toda sua atenção desviou-se para o que estava diante dela.

O que não: quem.

Havia dois corpos femininos, desnudos, ensanguentados e inertes no meio do recinto, bem de frente para ela. Podia-se notar que ambos estavam emendados lateralmente um no outro por meio de uma costura grosseira existente das pernas até os ombros e o estado de putrefação já era suficiente para tornar o ar nauseabundo e os vermes começarem a vicejar. O olhar da carioca estava petrificado, suas pupilas dilatando-se ao máximo perante cada detalhe grotesco diante dela.

Uma das garotas, a de cabelos longos, lisos e pretos, tinha feições orientais na metade da face que lhe sobrara; a outra estava desfigurada como se seu outrora belo rosto tivesse sido arrastada no asfalto ao ponto de uma parte do crânio ficar exposta. Havia tantos cortes em todo o seu corpo que mal parecia que existiu pele ali um dia. Todavia, o mais chocante eram os buracos em seu ventre, que se revolvia como se estivesse vivo.

Um chifre tinha sido enfiado na cabeça dela, de modo que a ponta do mesmo saísse em sua testa. E na extremidade do mesmo, um pão encharcado de sangue deteriorava-se junto com a morta. Coroando o espetáculo, uma enorme ratazana preta saiu de dentro da barriga da falecida com um naco generoso de tripas entre os dentes, correndo de volta para as sombras enquanto os demais roedores continuavam a devorar-lhe as entranhas.

A outra jovem tinha incontáveis marcas de mordidas por todo o corpo, como se tivesse sido devorada com toda a paciência do mundo. Os seios foram extirpados com algo aquecido, pois queimaduras circundavam as horrendas lesões. As mãos, braços, pernas e pés estavam esmigalhados e torcidos em posições contrárias às naturais, com fraturas expostas e tudo o mais. No lugar de unhas, várias lascas de bambu e pregos dividiam espaço nos dedos da vítima. Todos eles.

Sua cabeça estava enfiada profundamente no próprio abdômen de modo que as vísceras ficaram pendendo junto com seus cabelos esverdeados, com facas fincadas nas órbitas vazias e igualmente carbonizadas, as hastes metálicas transpassando a parte retangular da armação dos óculos ali postos. Os fragmentos das lentes foram cuidadosamente fincados em toda a sua face, onde um telefone sem fio foi inserido em sua boca de tal forma e brutalidade que a mesma rasgou de orelha a orelha em um escárnio de sorriso digno do próprio Satã.

Quem quer que tivesse feito aquilo havia quebrado diversos ovos em seus crânios; as gemas apodrecidas formaram uma crosta imunda e fedorenta nas cabeleiras das garotas, o que atraiu ainda mais moscas e baratas para o festim macabro, todavia as criaturas foram mortas e largadas ao redor das falecidas como um mórbido enfeite. E ao finalmente se dar conta do grau de sadismo e insanidade com o qual estava lidando, as lágrimas e um jato de vômito irromperam de Joice, encerrando o potencial grito que fervilhava em seu âmago e banhando o tecido em seu colo com restos de lanche, fritas e refrigerante.

Enquanto ela tossia e cuspia aquela nojeira em meio a um resfolegar crescente, passos lentos e metódicos vindos das sombras foram encobertos pela cacofonia miserável da carioca, que ao erguer os olhos embaçados pelo lacrimejar nervoso viu algo que a fez sua pulsação acelerar um pouco mais: alguém entre ela e as garotas assassinadas estava encarando-a na penumbra... E esse alguém possuía o rosto sorridente de um demônio.

❖❖❖
Notas de Rodapé

O aquecimento acabou.

Vou partir para o início do espetáculo agora.

Próximo capítulo: Pau-de-Arara.

Se alguém chegou a ler, obrigado.

Apreciadores (5)
Comentários (5)
Postado 21/05/17 14:16

Huuuummmm... Hummmmm... HHHuummm...

Detalhes, eu amo detalhes. Normalmente, não vejo erros (sou muito destraída),mas nada que vá causar um terror (como nos meus textos).

Obrigado por iníciar uma obra tão interessante... ;3

<3

Postado 21/05/17 17:00

Sempre escapam dois ou três piolhos; agora mesmo vi um. Parece ser mais fácil um leitor averiguar/detectar os erros do/no texto do que quem cria/posta a obra...

Eu quem agradeço pela sua leitura e feedback entusiasmados, Guro-chan! Mas, não espere nada de mais nesta obra: é apenas diversão.

Minha diversão.

Postado 21/05/17 19:27

Eu entendo... E espero poder acompanhar a sua diversão... um pouco mais.

<3

Postado 21/05/17 19:48

Esteja à vontade, Guro-chan! Uma vez mais, gratíssimo pela lisonja!

Postado 21/05/17 14:30

Eu tô rindo! Nossa! Eu tô rindo muito! Olha o nível dessas referências! Moço, você é um completo doente.

Sério, eu não sei o que dizer...Não consigo parar de rir. Socorro! Isso tá muito bom! *-*

Postado 21/05/17 17:06 Editado 21/05/17 20:04

Eu quem riu ao imaginar tudo nos mínimos detalhes... Foi uma cartase considerável e um preparativo para o restante do meu devirtimento.

Referências, indiretas, desejos: tudo parte do pacote hediondo de Diablair.

Muito obrigado pela leitura e feedback, Srta Flávia.

Postado 21/05/17 15:02

What? To na história? Que esso! E que brutal :O

Adorei, continua. fhurhehduehdueh

Postado 21/05/17 17:09

Porque será, não é mesmo, Srta Joice? Porque será?

Não se preocupe: sua memória vai ser refrescada muito em breve...

Gratíssimo pela leitura e review! Gratíssimo!

Postado 21/05/17 15:42

Apenas vou começar o meu comentário com uma promessa: vai ter volta, uma macabra e torturante volta.

Era pra ter medo? PORQUE EU TÔ RINDO. Sério, com a convivência que estou tendo contigo e com a gema tem me feito adquirir um estranho humor negro. Mas todos os detalhes, todas as não tão coincidências assim chega a ser engraçado pra mim. É realmente perfeito.

É por isso que eu admiro você pra caramba.

O enredo é envolvedor, e apesar de ser demasiado macabro, o leitor (já acostumado com a sua mente depravada) não consegue parar de ler; a curiosidade é algo que prende nossa atenção à tela, juntamente com o suspense do que vai acontecer. Só fiquei triste porque eu já tô morta, poxa, acho que merecia um capítulo pra mim... Ou não. Deixa quieto.

É como eu disse, vai ter volta. Uma macabra e torturante volta.

Meus parabéns por esse capítulo. Os detalhes são tão bem escritos que imaginar a cena é algo fácil, como se fossemos a própria carioca (ou uma outra personagem alheia). Já quero o próximo ♡

Postado 21/05/17 15:48

Claro que você está rindo! Eu estou rindo então você ri também, ué! E... morrer antes de começar não parece tão ruim quanto aparenta, Gemada! (O moço poderia ter feito atrocidades piores com as nossas pessoas)

Já quero a sua volta! #corre u_u

Postado 21/05/17 19:09 Editado 21/05/17 20:07

Muito estranho começar seu comentário com tal promessa, uma vez que foi a senhorita quem deu início a esta modesta danse macabre (como eu disse, "esqueceram"). Entretanto, e aproveitando o ensejo da ocasião, também lhe faço uma promessa, Srta Pamela: caso haja uma volta de sua parte, retribuirei novamente a gentileza contando o que houve bem antes da Joice chegar ao recinto.

Em detalhes.

Posso continuar nossa valsa sangrenta e hedionda até o Final dos Tempos. E a senhorita?

Medo? Ah, não, não. Como eu disse, é tudo pura diversão. Se ambos estamos nos divertindo, é sinal de que estou no caminho certo. Que bom que a convivência tenha trazido uma característica tão... Peculiar de sua pessoa à tona! Que seja o início de algo maior e melhor entre nós!

Fico muito lisonjeado em receber um comentário desses de uma das autoras e pessoas que mais admiro e estimo neste site, ainda mais considerando o tipo de obra envolvida! Gratíssimo! Gratíssimo!

Postado 21/05/17 19:18

A Srta Flávia talvez tenha razão. Mas, se houver réplica, que haja tréplica. E assim se propague e prolongue o ciclo...

Postado 04/01/18 15:12 Editado 04/01/18 15:13

Santa mãe da porra, mas o que foi isso que acabei de ler?

''A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena'' só lá na puta que pariu e na vila do Chaves. Aqui a gente tortura geral e isso só no aquecimento. Nem consigo imaginar o que vem por aí, rs.

Meus parabéns, meu estimado amigo. A cada dia vejo o quão talentoso (e vingativo) tu é.

Postado 12/01/18 22:44

Aqui o Mal prevalece! Sem rodeios nem floreios! Ainda mais com esses três...

Gratíssimo por estar acompanhando esta obra maldita, minha querida amiga! Gratíssimo!

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