A sociedade mata por
Viajante do Tempo
Tipo: Lírico
Postado: 17/10/20 18:42
Editado: 17/10/20 18:44
Avaliação: 8.87
Tempo de Leitura: 4min a 6min
Apreciadores: 4
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Este texto foi escrito para o concurso "Concurso Macabro - Monstro" Te convidamos a olhar debaixo da cama e nos contar qual monstro está escondido aí. Ver mais sobre o concurso!
Não recomendado para menores de dezoito anos
Notas de Cabeçalho

Concurso macabro.

O verdadeiro monstro sempre foi o homem, e até onde as dores da alma podem ser passadas para o físico?

Esse poema antece o "dançaram até o inferno"

Capítulo Único A sociedade mata por

A sociedade mata

Por “lasanhas”

E lá vou eu

Acordar as três

A quarta sumiu

Alguma mudança temporal

Causada pelo Imortal

Maldito!

Acordei pronto para

Mais verdades sobre a sociedade

E sobre as ações delas

Em minhas vidas

E na vida de milhares de pessoas

Elas estavam dormindo

Raio de sol

Condessa

E café

Amarradas

E acorrentadas

Em pé

Ligadas a um interruptor

Que dava choque

E em cima

De um piso falso

Com água congelante

Cheia de gelo

Puxei a alavanca

Que mostrasse a água

E apertei o botão

Para que elas afundassem

E ficassem afogadas

Por um tempo

Elas subiam

E desciam

Sem tempo para respirar

Até que fiz o piso voltar

E as soltei

Elas tremiam de frio

E se abraçaram

Algo tocante

“Hoje em mais uma reflexão

Sobre as ações de crueldade

E as consequências

No homem bom

Vocês vão ver

Como eu vivi

Antes de ser quem eu sou hoje

E....

“Você é ridículo

Um monstro que se justi...Ahh”

“Café

Não me interrompa”

Eu eletrocutei as três

Voltagem de leve

Para elas não morrerem

“E agora café

Acabou de se voluntariam

Para representar eu

O antigo viajante do tempo”

Mandei Raio de Sol

E Condessa

Virem até mim

Como animais

Andando de quatro

E falei para elas

“Vocês duas

Irão bater nela

Não importa como

Não quero saber

Apenas espanquem ela

Não a matem

Façam sofrer

E vocês terão comida

Lasanha

E refrigerante

E um dia sem tortura”

Elas temeram

Mas aceitaram

E lá foram as duas

Café tentando se aquecer

E elas começaram

A bater nela

Tapas

Socos

Chutes

Arranhões

Café gritava e chorava

Fizeram isso

Até eu mandar parar

Ou seja

Uma hora e meia

“Parem

Quem diria

Vocês duas

Mostrando a selvageria

Que eu conheci”

Café estava roxa

Cheia de sangue

Para uma garota branca como ela

Era horrível

“Agora vamos à reflexão

Café aqui representa

O bom e doce viajante do tempo

Que eu fui

E vocês duas

Fizeram exatamente

Isso comigo

E várias outras fizeram

E fizeram isso

Com minha alma

E meu coração

E por quê?

Pela “lasanha do momento”

Pessoas passam por cima umas das outras

Pelo que é conveniente

Elas massacram a alma

E depois disso

Seguem como se nada tivesse acontecido

E o que acontece

Com a boa alma quebrada?

Ela faz a mesma coisa

Porque é “normal”

Essas coisas “normais”

Não são certo

E não deveriam ser normais

Mas ninguém quebra a corrente

E se aparece alguém

Como eu disposto a fazer diferente

É ai que todos faziam mais”

“Você Condessa

Que mentiu para mim

E me usava

Porque foi feito o mesmo”

“E você

Raio de sol

Serva de Deus

Fez isso comigo

Me usou

Até a “lasanha” aparecer

E você achar que ele era melhor

Do que eu”

“E você

Café

Que me abandonou

Sem motivo algum

Coisas normais

Que não deveriam

Ser normais

As pessoas não se preocupam

Com a alma

Com o coração

Não de verdade

É bonito

Falar

Postar sobre isso

Mas se não te causa dor

Não muda nada para vocês

E sei que vocês não se arrependeram

Pois uma de vocês

Fez a mesma coisa duas vezes

Andei até Raio de Sol

E dei um chute na barriga dela

“Seja luz

Não é o que você dizia?”

“Como é ser luz aqui?

Você não é

Porque você acaba de surrar

Uma garota

Que passa pelo mesmo que você

Por uma maldita lasanha

Olhem para si mesmas

Vocês causaram isso

Essa é a verdadeira face de vocês

A natureza humana

Mas ela não é vista desse jeito

Porque ninguém vê os danos da alma”

“Agora vocês duas

Lutem pela lasanha”

Elas sentiram a fome

E avançaram uma na outra

Condessa venceu

Eu parabenizei ela

Peguei a lasanha

E o refrigerante

E joguei a lasanha no chão

E o refrigerante por cima

“Eu disse que iria comer

Não disse como”

Ela comeu como um bicho

“Eu dopei as três

E tratei os ferimentos

Afinal

Elas precisariam

Para ver a festa das verdadeiras faces

Ou como todos chamam

Halloween

Assim somos nós

Com situações

Normais de grosseria

Maltrato emocional

Fazendo escravos

E nos tornando escravos

A sociedade mata

E DESCONTRÓI pessoas boas

Pois somos descartáveis

Somos meros objetos de prazer

E sexualismo

E ninguém quer um objeto sentimental

Objetos não tem alma

Somos então monstros

E selvagens

Uma vez vítimas

E depois daí

Somos os assassinos

Culpados

De nos tornarmos idênticos

A quem nos feriu

E eu só aguentei

Até onde a sociedade permitiu”

Lobo Negro Jonhy

❖❖❖
Notas de Rodapé

Espero que gostem!

Apreciadores (4)
Comentários (4)
Postado 17/10/20 22:42

Quando vi nas notas iniciais que o texto tinha relação com o "Dançaram até o inferno", já logo me interessei!!

O poema já começou na maldade, choques e queimaduras de gelo!

Nossa, cruel mesmo mandar duas delas baterem na outra, genial demais!!

É realmente triste ler o motivo por trás das torturas, a dor, a tristeza e o ressentimento do eu lírico são palpáveis...

Um ótimo poema para o concurso macabro!! O pior monstro com toda a certeza do universo é o próprio ser humano...

Um abraço <3

Postado 18/10/20 13:44

Obrigado minha amiga, e perdoe-me a ausência, estou correndo muito este mês, e antes deste tem outro poema que postei, que mostra o início da tortura sobre estas moças!

Obrigado por gostar e abraços!

Postado 17/10/20 23:00

Eu gostei da serva de Deus, raio de sol. Talvez bem mais que deveria.

Postado 18/10/20 17:25 Editado 18/10/20 17:26

Que poema intenso... As descrições presentes nos versos são muito palpáveis e enchem o leitor com tristeza. A genialidade da escrita é sensacional.

Obrigada por compartilhar conosco! Boa sorte no concurso!

Parabéns ♥

Postado 22/10/20 12:36 Editado 22/10/20 20:51

Estou ARREPIADA!

A sua escrita é verdadeiramente uma obra de arte.

Não sei porque, mas o poema me lembrou O Inferno de Dante...

Parabéns e boa sorte no concurso!

Postado 22/10/20 19:03

Que honra, lembrar a divina comédia de Dante Aliguieri, muito obrigado, realmente grato!!

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