Existir é doloroso. Eis me aqui.
6 de Janeiro
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 18/05/18 00:14
Editado: 23/07/20 14:21
Avaliação: 9.8
Tempo de Leitura: 33seg a 45seg
Apreciadores: 7
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Palavras: 90
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Não recomendado para menores de dezesseis anos
Notas de Cabeçalho

Imagem autoral de @iwantscottishfolds (Instagram do artista maravilhoso)

Capítulo Único Existir é doloroso. Eis me aqui.

Estou cansada, porém, acesa o tempo todo.

Por mais que eu queira, nunca consigo dormir de imediato, demoro horas, dias, um infinito, algo se esfarela por detrás de meus olhos, os esfrego torcendo as pálpebras - meu mundo tem manchas verdes e escarlate fluorescentes.

Sempre me sentindo sugada, anestesiada, oca, chacoalhada e petrificada num estado semi-crepuscular.

Sou um desperdício de inteligência e informações, um despropósito existencial.

E existir vem se mostrando ser apenas uma força da natureza. Não mais minha... Aliás, nunca foi.

Desiludir-me comigo mesma, é a mais dolorosa desilusão.

❖❖❖
Notas de Rodapé

A solução é um grande, gordo e brilhante meteoro caindo bem em cima da Terra.

Partindo em quadrilhões de partículas.

Me desculpem. Estou com febre.

E obrigada por continuarem aqui, por aquela que há muito já se foi.

Apreciadores (7)
Comentários (5)
Comentário Favorito
Postado 30/05/18 16:04

Se o meteoro caísse, não seria possível ler está obra, e acabaria não sendo solução e sim uma preocupação.

Tudo bem, partir em quadrilhões de partículas deve ser até bem poético, mas prefiro continuar com as obras.

Um dia, quem sabe, a existência passe a ser mais do que uma força da natureza. Talvez possa se tornar a naturalidade abstraída de uma força... (Eu nem sei mais o que estou dizendo, desculpe)

Só sei que amei! Parabéns!

Postado 30/05/18 19:15

Seu comentário é sempre precioso! Obrigada!

Postado 07/06/18 23:33

"Sou um desperdício de inteligência e informações, um despropósito existencial."

Raras vezes uma frase foi tão perfeita para me definir. Raras vezes um textos me estremeceu os alicérces ao ponto de doer de um modo tão intenso que chegasse a parecer (ou de fato ser) algo físico, muito embora a mutilação fosse igualmente/principalmente no cerne.

Esta obra o fez. Estou desfeito. Descontruído. Destituído de qualquer coisa que não seja a sensação de que alguém olhou para mim e, de fato, me viu e me retratou com total fidelidade através da escrita, seja o que sinto... Seja o que sou.

Muito obrigado, Srta Janeiro, por tamanha destruição. Pois a verdade dói. E a realidade destroça. Parabéns por essa maravilhosa facada desferida sem misericórdia, tal qual como ela deve sempre ser dada em nossos íntimos....

Atenciosamente,

Um ser que... Enfim, Diablair.

Postado 08/06/18 09:51

https://www.youtube.com/watch?v=vNYamTHsHeE

Muito obrigado por isto, senhorita.

Postado 09/07/21 19:31

Eis me aqui! :)

Postado 10/07/21 07:07

Texto dolorido e doloroso, na vida temos momentos assim, que bom que eles não são eternos...

Muita sorte nesta nova fase...

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