Eu sou o único mundo
oFadadoNathan
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 14/01/19 14:00
Editado: 14/01/19 14:01
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 3min a 4min
Apreciadores: 1
Comentários: 1
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Palavras: 579
[Texto Divulgado] "Sem história " Esse é um conto bem ao contrário e entendedores entenderão as entrelinhas dele
Livre para todos os públicos
Capítulo Único Eu sou o único mundo

“Esse garoto aí vive no mundo virtual, totalmente fora da realidade, não tem mais noção nenhuma da vida real. Só fica no computador, no celular”, disse o pai para a mãe sobre o filho, Kate. “Eu diria que na verdade é o oposto, minha visão de mundo se amplia porque eu tenho noção da vida virtual e da vida real, enquanto vocês dois estão restritos ao mundo das aparências”, respondeu o filho. “Acho que não existe isso de mundo virtual e mundo real, é tudo mundo. Não o entendo porque temos que diferenciá- los desse jeito”, disse a mãe.

O filho estava deitado na rede, a recém tinha entrado na fase de ler pocket books de filosofia, mas acidentalmente começou lendo Nietzsche. Puxou o celular e mandou uma mensagem no Whats, “Não acredito que amanhã vou te ver”, e um emoji.

O filho pequeno do vizinho correu para frente de Kate, que fingiu ignorá-lo. O garotinho começou a puxar um skate.

Larga, é meu - disse Kate

Não

Ele levantou da rede e puxou o skate de volta, arranhando a superficie dos dedos do garoto, que berrou na hora:

IMBECIL!

Teve vontade de xingar de volta, mas não o fez, se dando conta que não devia levar nada daquilo a sério. Com Kate sentado na rede de novo, o garotinho começou uma sequência de socos fortes para a idade dele na barriga e ombros de Kate, que não se controlou e deu um empurrão no garoto em direção ao chão. Imbecil.

Ainda bem que eu vou embora dessa merda.

Kate passou pela mãe ao voltar pra dentro de casa. Não trocaram olhares, apesar dela ter tentado. Ela viu o garotinho sentado no chão e o levou pra sua casa, onde a mãe dele tomava uma com os outros vizinhos e alguns parentes.

Henrique, onde é que tu tava? - berrou a mãe, mas sem cara de brava, com um rosto sem expressões.

Ele tava aqui do lado em casa, Quica, jogado no chão, não sei se machucou, nem falou comigo. - respondeu com um tom de alegria de estar de mãos dadas com uma criança.

Quando Henrique começou a falar, sua mãe o interrompeu:

Entra, Henrique, não quero ficar me preocupando contigo. E muito obrigado mesmo, Regina, tu sabes como ele é.- disse Quica.

Regina foi embora repetindo as palavras de Quica para o filho. E à distância ainda escutou gritos da vizinha. Tudo aquilo reanimou suas memórias e a fez refletir sobre a infância do filho, sobre a educação que lhe deu e suas consequências. Kate não era mais o mesmo para ela, de fato, a abertura para a internet o ajudou a encontrar sua propria personalidade e a se auto conhecer, o que distanciou sua cabeça da dos pais.

Aquele episódio a fez ter medo e vergonha, como ela pode ter agido assim com seu unico filho, que só merecia amor e paciência? Talvez aquilo só fosse um reflexo da sua própria educação, mas isso não era desculpa para as punições e injustiças que tinha feito com Kate. Ela o tratava como se fosse o seu fantoche, como se ela fosse a dona do seu passado e do seu futuro, mas não era nada disso. Mas agora era tarde demais. As consequências tinham chegado.

De noite, ao entrar no quarto do filho, não o encontrou deitado. Sobre a cama, um bilhete. Vou viver com quem me ama de verdade, com quem me amplia e não me limita. Adeus para sempre.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Cade ser humano é um mundo diferente, cheio de outros mundos dentro

Apreciadores (1)
Comentários (1)
Postado 16/01/19 19:44 Editado 16/01/19 19:45

Puts, esse conto mexeu comigo. O final, mesmo que apareça no começo, deixa um espaço grande na alma, porque ele é desesperador de um modo muito imenso. É como se acabasse no auge.

A mensagem por trás é ainda mais extraordinária, deixando tudo ainda mais intenso.

Meus parabéns ♥

Postado 16/01/19 23:29

Pois é, acho que o final não parece tanto um final, e a estrutura do texto é tão mal feita, porque todo ele é um conjunto de pequenos relatos que eu escrevi em um fim de semana na praia.

Vou deixar livre pra sua interpretação, haha.

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