Minhas Metades
Mrs Spellman
Tipo: Lírico
Postado: 31/07/20 01:05
Editado: 31/07/20 01:32
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 1min a 2min
Apreciadores: 11
Comentários: 6
Total de Visualizações: 208
Usuários que Visualizaram: 15
Palavras: 258
[Texto Divulgado] "Dia 17...." Dia 17, dia tão comum, mas ainda sim tão especial... dia de reatar laços de sentir de novo.
Não recomendado para menores de dez anos
Notas de Cabeçalho

Ciao, pessoas! Como vão? Espero que todos estejam bem e saudáveis ♥

Andei bem sumidinha daqui, mas, talvez, eu tenha voltado. Mais sumido daqui do que eu, só os meus poemas kkkk. Fui desafiada a alguns meses atrás por um amigo muito querido e conhecido por alguns aqui, o Lucas Gomes, a voltar a escrever e foi assim que nasceu esse poema. As palavras surgiram como um suspiro e quando terminei, me senti leve. A própria estrutura revela o quanto me senti livre para emergir tantas coisas que estavam quietinhas dentro de mim. Por mais que eu tivesse ficado um bocado de tempo sem escrever, percebi que isso não significava nada, afinal as palavras sempre traduziriam as minhas metades.

Levando em consideração esse contexto, quero aproveitar a oportunidade e dedicar esse poema ao Lu, que além de ser um grande amigo, é um escritor fantástico: mil vezes obrigada por não ter desistido de mim e da minha escrita. Sua amizade é muito preciosa para mim ♥

Sem mais delongas, espero que façam uma boa leitura ♥

Capítulo Único Minhas Metades

existe um vazio do tamanho do mundo no meu coração.

às vezes ele é

a

n

s

i

o

s

o

como um adolescente bobo

que se agita pelos fragmentos mínimos

por pensar que todos os sentimentos

residem em seu peito.

[essa metade de mim, sou eu].

mas, às vezes, ele é um tumulto calado muito dolorido

que me faz chorar como se eu fosse um rio imenso,

mesmo estando em um tão corpo pequeno

(às vezes, me canso dessa dor que dói tamanhos absurdos).

a dor me deixa miúda

porque é aguda.

a dor me transforma em nuvem

porque, às vezes, vou para muito longe

e somente em certos dias consigo me encontrar

no céu que muitas vezes tento destruir.

a dor me preenche

como uma enchente.

[e essa metade de mim, sou eu, também].

e me pergunto

se nesse turbilhão

alguém consegue me ver florescer

e ser quem sou.

porque apesar de me odiar,

eu ainda consigo me amar.

porque apesar de chorar,

eu nunca me canso de sorrir.

porque apesar de me perder,

eu nunca desisto de me encontrar.

porque apesar de não aparecer,

eu ainda estou aqui.

e eu me pergunto

se alguém consegue entender

que minha miudeza

não é sinônimo de fraqueza,

porque durante as noites depressivas

ninguém é mais forte do que eu;

porque durante as tempestades ansiosas

ninguém é maior do que eu.

existe um vazio do tamanho do mundo em meu coração

e eu gostaria que olhassem através dele,

porque essa metade de mim que está além,

também,

sou

eu.

❖❖❖
Apreciadores (11)
Comentários (6)
Comentário Favorito
Postado 08/08/20 23:50

Eu consigo me encontrar nesse poema que chega a ser assustador. É similar a ideia de estar conversando comigo mesmo, como se cada estrofe fosse minha subconsciência me alertando, me incentivando e explicando que tá tudo bem não ser forte sempre, e que o mundo é mais do que esperamos.

Para quem convive com a Depressão e a Ansiedade sabe muito bem o que há por traz de cada palavra. É difícil coexistir em um mundo onde nos sentimos tão pequeno, não é? Mas a grandeza está no coração, e no legado que vamos deixando onde passamos, mesmo sem perceber, mesmo sem querer.

É sentir demais, ao mesmo tempo que não sentir nada. É ter sonhos, metas, objetivos, um futuro a qual lutamos, ao mesmo tempo que vem a insegurança, a baixa auto-estima, a inferioridade. Uma batalha constante entre nós mesmos. Uma batalha contra nós.

O acalento vem quando você expõe essa realidade, junto com o apoio mesclado e mascarado. É como eu disse: está tudo bem não ser forte o tempo todo, mas nunca deixe a luz se apagar. Há sempre alguém esperando o nosso sorriso; há sempre alguém batalhando conosco, por nós, mesmo que não ao lado ou presencial.

Somos mais do que angústia, medos e tristeza, mas também somos eles. E a maneira como você conduziu nesse poema (sem contar a estrutura, que deu um up magnífico na interpretação e no ritmo da leitura) foi maravilhoso, singelo e significativo.

Sei que às vezes - mais do que necessário - pensamos em fugir, se desligar ou até mesmo nascer de novo. Mas há amor mesmo quando dói; há amor para se curar.

Porque a depressão e/ou ansiedade está mentindo. Nós vamos ficar bem; nós somos alguém.

Parabéns Ternura. E um abraço cheio de luz e conforto. ♡

Postado 09/08/20 23:31

Antes de mais nada, fico muito feliz que essas palavras tenham sido, de alguma forma, importantes para você e que descreveram como você se sente. A poética do acolhimento é algo que prezo muito.

Fazia muito tempo que eu não escrevia e, quando percebi, esse poema havia nascido. Ele é, por todas as perspectivas, a mais alta forma de expressão da minha alma e de momentos sombrios que passei. Não é fácil conviver com depressão e ansiedade, mas o mais importante é entender que somos mais do que a dor e que alguém vai nos ver além dessa onda gigante e muitas vezes, assustadora. É lembrar que ninguém conhece mais nossa dor que nós mesmos, mas que sempre é importante a compartilhar com quem realmente se importa conosco, pois se abrir não é incômodo ou fraqueza.

Esse poema, também, é um aviso para mim mesma. Sempre que acho que estou caindo, leio ele e me lembro de todas as coisas importantes. Então você queira imaginar a minha alegria ao ler seu comentário tão bem desenvolvido e acerteiro nos apontamentos, tendo em vista a importância dessas palavras para mim...

Suas palavras estão no meu coração! Muito obrigada, de verdade, Pam ♥

Postado 31/07/20 11:39

Sua escrita é riquíssima em detalhes e expressivo. Perfeito no contexto e no que deseja expressar.

Não há palavras suficientes para elogiar essa obra.

Mas fica aqui meu : obrigado!

E só acrescentando: é lindo ver uma pessoa reconhecer o valor de uma amizade.

Isso prova que por mais densa que sejam as trevas, ainda há pessoas de luz

Postado 31/07/20 15:07

Fico feliz!

Muito obrigada ♥

Postado 31/07/20 14:12

Achei tão lindo o modo como a senhorita conduziu esse poema, dando essa ideia de que somos feitos de várias partes, e que é bonito o fato que todas elas façam parte de nós!

Nossos medos e angústiam não nos diminuem, pois são justamente eles que nos engrandecem quando encontramos as forças para enfrentá-los!

Muito obrigada por ter voltado a escrever, querida Ternura, pois o mundo precisa das suas palavras!!!

Um grande abraço da Meiling ♥

Postado 31/07/20 15:07

Você capturou a essência do poema! Fico muito feliz!

Obrigada, moça ♥

Postado 02/08/20 16:39

Quanta fofura, foi fofinho demais moça, eu adorei seu jeitinho de escrever viu *_*

Postado 02/08/20 19:09

Fico feliz que tenha gostado!

Muito obrigada, Vilma ♥

Postado 02/08/20 21:27

Estou completamente apaixonada por essa obra, tatuaria na pele, na alma e na memória!

Adorei cada expressão e todo o significado doce, li e senti prazer, o mesmo prazer que sinto ao ler um livro ou tomar aquele chá no tempo chuvoso, sua escrita traz conforto!

Amei querida! ❤️❤️❤️

Postado 02/08/20 21:51

Sempre doce e muito gentil.

Obrigada pelo comentário, querida ♥

Postado 26/08/20 20:00

Eu cheguei a pensar que estava lendo a minha alma, de alguma forma. Quase como uma mensagem subliminar. Algo que meu cérebro tentou me mandar. Foi estranho e agradável.

Eu imaginei algo como um pontinho no meio do furacão. Um pontinho que não pode ser acessado facilmente, mas que continua lá, sendo parte de todo o caos que gira em volta. Despercebido e tranquilo.

Duas partes de um mesmo ser que, mesmo em diferentes estados, existem e persistem. Não consigo colocar em palavras tudo que senti durante a leitura.

Parabéns!!

Postado 27/08/20 16:01

Amei essa interpretação do potinho. Realmente personifica o que eu quis passar com esse poema!

Obrigada pelo comentário e pela presença, Flavinha

Outras obras de Mrs Spellman

Outras obras do gênero Crítica

Outras obras do gênero Drama

Outras obras do gênero Poema

Outras obras do gênero Reflexivo