Tic - Tac
Lady Lótus
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 31/08/21 23:37
Avaliação: 10
Tempo de Leitura: 1min a 2min
Apreciadores: 4
Comentários: 3
Total de Visualizações: 343
Usuários que Visualizaram: 5
Palavras: 299
Este texto foi escrito para o concurso "Concurso Transformações" Sobre as diversas transformações e passagens da vida humana: infância, adolescência, vida adulta e velhice. Ver mais sobre o concurso!
Não recomendado para menores de doze anos
Notas de Cabeçalho

Estamos em constante mudança, assim como as horas e o relógio da vida. As vezes divagamos através dos nossos sentimentos conforme vamos vivendo, pensando ou crescendo, e foi divagando que este texto surgiu.

Apreciem, sem moderação.

Capítulo Único Tic - Tac

Tic, tac, tic, tac, tic... O ruído era perturbador e aumentava a sua vontade louca de mandar tudo explodir.

Mas no final o que queria era mandar a merda mesmo!

Sabe?

Não?

A tá, também não sei nada sobre isso.

Tic, tac é o que diz a bomba relógio (que era).

E no final gargalharia de maneira ensandecida. Não que aquilo fosse normal, mas já estava se tornando algo corriqueiro.

Toda a vez que tinha que abaixar os óculos na mesa e sorrir ironicamente era possível escutar o tic tac do seu peito avisando que o tempo estava acabando.

Em seguida era a dor sentida até em tentar respirar. O ar escapando pelas narinas podia queimar de tão tóxico e nocivo que estava o interior.

Basta!

Estava se condenando aos poucos a um fim prematuro.

Eram tantos porquês em sua fatigada cabeça, acumulados ao longo dos anos que nunca se atentou ao fato de que nunca parou para resolver suas dúvidas.

Seu inimigo estava dentro de si.

Sua personalidade explosiva não lhe deixava olhar o que era essencial. Antoine Exupéry estava certo... O essencial é invisível aos olhos.

Bah, quantas tolices.

Era uma tempestade barulhenta, sempre, a mansidão não combinava com seu rosto.

Abriu o sorriso e gargalhou com um timbre de voz profundo e eloquente, perturbador e rouco.

A sua falta de sanidade era capaz de arrastar outros ao mesmo desespero. Não queria aquela culpa em seus ombros, mas como os temporais, sabia que os danos eram irreversíveis e certos.

Não poderia mudar o seu ser, mas aprenderia a domar seus ventos e estragos.

Talvez não naquele exato momento, mas era necessário continuar respirando até inundar a sua psique com os sabores salutares.

Tic, tac, tic no tac, tic... o relógio parou e nada explodiu, respirou e prosseguiu.

❖❖❖
Apreciadores (4)
Comentários (3)
Postado 08/09/21 17:48

Olá, Srta. Lótus!

Gostaria de agradecer imensamente a sua participação no Concurso Transformações!

Os resultados acabaram de sair, e na página do concurso você poderá encontrar um quadro com a avaliação feita da sua obra, além de um comentário especial <3

Um grande abraço!

Postado 30/09/21 22:02

Olá Meiling!

Obrigada pelo feedback e pelo comentário no concurso. Sim, realmente eu achei que estava distante do tema, e a cada tic tac a personagem sofria uma mudança e uma transformação, ou ela ainda se debatia quanto a essas mudanças e transformações, hora tentando aceitar a sua real natureza, hora tentando ser o que esperavam dela.

Corri o risco de sair fora do tema, mas o texto ganhou vida própria rs.

Muito obrigada e até breve.

Postado 08/09/21 19:15

Uau... Acho que apenas quem passa por esse tic-tac o tempo todo, pode realmente compreender o que você escreveu além destas linhas... É um sentimendo aterrador, confuso, esmigalhado e tem tantos lados, que parece um caleidoscópio... Não sei como nomear este sentimento, mas daqui para frente, vou passar a chamá-lo de tic-tac.

"A sua falta de sanidade era capaz de arrastar outros ao mesmo desespero. Não queria aquela culpa em seus ombros, mas como os temporais, sabia que os danos eram irreversíveis e certos." - essa parte realmente me pegou como se pega um rato de surpresa.

Eu não sei mais o que dizer além de que sua obra é incrível! Muito obrigada por ter compartilhado conosco!

Postado 30/09/21 22:06

Olá querida Seis!

Obrigada pelo comentário e realmente, lutar contra a nossa própria natureza pode ser aterrador, a gente vai tentando se encaixar em algo que não nos cabe e quando simplesmente deixamos tudo explodir a gente se encontra ou fica quieta e aceita se encaixar em algo que não agrada. Eis a questão.

Pensar é uma bela rebeldia.

Bjs e até breve

Postado 18/04/22 19:51

Oi, passando primeiramente pra pedir desculpas pela falta de retorno sobre a premiação do girassol, eu sinto muito mas pra evitar maiores problemas com com a família da moça a qual eu queria mandar. :/

Mas indo ao texto, eu realmente quero.destacar a forma como você apresentou esse sentimento intenso, arrebatador e inquientante. Recentemente uma escola da minha região os alunos tiveram um ataque de ansiedade generalizado, seu texto me lembrou dessa situação e o quanto as pressões desse vai e vem pesam sobre nós. Parabéns pelo texto!